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    Ricardo Romanelli

    25 de Outubro de 2017 por Ricardo Romanelli

    Jordan Clarkson chegou ao Lakers sem muita pompa. Ele foi a 46ª escolha do Draft de 2014, selecionado pelo Washington Wizards. Ainda na noite do recrutamento, o Lakers comprou a escolha do Wizards, mas mesmo assim ele não recebeu tanta atenção. O Lakers, naquela noite, estava mais preocupado com Julius Randle, 7ª escolha, e a primeira seleção de loteria da franquia em muitos anos.

    Da D-League para a NBA e médias de 15.8 pontos

    Ele jogou a Summer League pelo Lakers e conquistou um lugar no elenco, mas passou a primeira metade da temporada na D-League. Esta foi uma temporada muito difícil para o Lakers. Foi a primeira campanha com Byron Scott no comando, e também a primeira após a saída de Pau Gasol. Logo no primeiro jogo da temporada, o calouro Randle se lesionou e perderia o resto do campeonato. Kobe Bryant, já na segunda temporada depois da lesão do Aquiles, mostrava sinais de que o fim estava próximo e jogou apenas 35 jogos antes que uma lesão no ombro lhe retirasse da temporada. A lesão de Bryant, e as fracas atuações dos armadores Jeremy Lin e Ronnie Price fizeram com que Scott desse uma chance a Clarkson, e ele não decepcionou. Jogando sem responsabilidade, no que era uma temporada perdida para o Lakers, Clarkson foi titular em 38 partidas na segunda metade de sua temporada de calouro e registrou médias de 15,8 pontos e 5 assistências. Ao final da temporada, foi eleito para o time ideal dos calouros da temporada, sendo apenas 1 de 5 jogadores a conseguir este feito como escolha de 2ª rodada em 30 anos.

    A empolgação do torcedor foi às alturas, e na temporada seguinte ele foi titular nos 79 jogos em que atuou, revezando entre armador e ala-armador. Esta temporada foi marcada pela turnê de despedida de Kobe Bryant, e o desenvolvimento de jovens jogadores como Clarkson foi colocado em segundo plano. Mesmo assim, ele manteve médias de 15,5 pontos por partida.

    No ano seguinte, como terceiranista na liga e um dos jogadores mais rodados do jovem núcleo do Lakers, era esperado que ele tomasse as rédeas da armação de jogadas, mas ele pareceu atingir um ponto estranho. Não evoluiu e nem piorou significamente em relação ao ano anterior. Com D'Angelo Russell, Nick Young e Lou Williams brigando por tempo de jogo com ele, foi titular em apenas 19 das 82 partidas na temporada, e viu sua média de minutos cair um pouco. Os 14,7 pontos de média ainda estavam lá, no entanto.

    Agora, depois de mais uma reformulação no elenco, ele veio para a temporada 2016-17 com a missão de ser o 6º homem em um time que ainda está em busca de seus pontuadores, e parece que é onde ele está querendo se estabelecer nas rotações do técnico Luke Walton. Nas 3 primeiras partidas, como principal armador vindo do banco, ele ostenta médias de 19,7 pontos por jogo e 51% de aproveitamento nos arremessos. Mais do que os números, ele vem jogando com maior confiança e consistência, lembrando aquele Jordan Clarkson calouro que cativou a todos nós.

    Não adianta nada ser reserva e não disputar o prêmio de 6º homem. Jordan Clarkson

    Este basquete mais confiante e decidido só pode ser atribuído a um fator: maturidade. Clarkson jogou a primeira temporada sem qualquer pressão ou expectativa, e por isso impressionou. Algo bastante normal. A partir do segundo ano, ainda mais com a situação ruim do Lakers, ele passou a ser mais cobrado e não soube corresponder às expectativas a altura, o que também é normal e aceitável para um jogador tão jovem. Alguns nunca conseguem superar esta pressão e acabam estacionados, mas Clarkson tem mostrado que se recusa a fazer parte deste grupo. Em todas suas entrevistas recentes, se mostra um atleta bastante ciente de suas habilidades atuais e de seu papel no time, decidido a entrar em quadra para fazer o melhor possível e jogar com nível elevado de energia. O que mais uma franquia pode querer de um jogador? Não muito, pelo menos da maioria deles. Mas Clarkson quer mais.

    Antes da temporada, ele comentou que sabia que depois de 3 anos na NBA e pouca evolução, ele parecia destinado a ser apenas um jogador de rotação na liga. Pretendia usar isso como combustível, e então ele e Magic Johnson traçaram o objetivo de ganhar o prêmio de melhor reserva da temporada.

    A julgar pelas três primeiras atuações desta temporada, Clarkson estará entre os nomes mais fortes para ganhar o prêmio, e só uma coisa pode impedi-lo de estar entre os finalistas: ele virar titular da equipe de Luke Walton. Esta é uma hipótese com a qual, inicialmente, Walton, que é engessado demais em suas rotações, não trabalha. Mas se Clarkson continuar jogando um basquete tão eficiente, produtivo e seguro, vai ser difícil não transformá-lo na principal opção ofensiva no perímetro do Lakers. Luke Walton vai ter que saber administrar esta situação, e nós podemos comemorar: a maturidade chegou para Jordan Clarkson, e os anos de irregularidade, decisões questionáveis e erros acabaram.


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