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    Felipe Amaro

    25 de Outubro de 2017 por Felipe Amaro

    Cercado de enormes expectativas desde o dia em que foi escolhido, Ingram, até agora, decepciona. E já era algo esperado: a diretoria angelina já sabia que Brandon demoraria mais do que o habitual para entregar um basquete de nível aceitável. O problema é que, além de decepcionante, Ingram é mal utilizado, agravando ainda mais o problema. Apesar de produzir, por enquanto, como Kyle Singler, Ingram joga como (não o nível de jogo, mas o estilo) James Harden. E isso preocupa.

    Depois do segundo jogo, onde Brandon escolheu melhor os arremessos, abusou de cuts, bandejas e cestas de fáceis, deu-se a impressão de que ele e Walton haviam chegado à óbvia conclusão: Ingram produz muito mais quando baseia seu jogo apenas em jogadas trabalhadas. Isso, infelizmente, não se mostrou verdade, quando, uma partida depois, contra os Pelicans, os mesmos erros da estreia foram vistos. Um balde de água fria aos esperançosos, e à evolução do menino. Não acredita? Vamos aos números:

    Os números não mentem

    Por mais que seja uma amostra pequena (apenas três jogos) de estatísticas, a quantidade de jogadas de Isolation desenhadas para Ingram assusta. 11 das 49 posses de Brandon foram nesse estilo, o suficiente para uma frequência assustadora de 22.4%. A altíssima porcentagem posiciona o “Tiny Dog” entre os quatorze jogadores com as maiores frequências de toda a Liga. É bom lembrar que foram apenas três jogos, mas mesmo assim, o grande número é alarmante. Por exemplo: na temporada passada, Ingram se localizaria entre os cinco que mais abusaram desta jogada, à frente de nomes como Kyrie Irving, LeBron James, Russell Westbrook e John Wall. E eu poderia continuar essa lista por horas...

    Mas pra ser utilizado por tantas vezes em lances de baixíssimo aproveitamento e extrema dificuldade, Ingram deveria ser bom no assunto, certo? Infelizmente ele não é. Brandon sai de todas as suas Iso’s com 0.36 ponto, uma média pífia e patética o bastante para colocá-lo entre os piores de toda a Liga. E nada explica esse amor em Ingram: no ano passado, Ingram teve 1.7 posse por partida e angariou apenas 0.79 ponto em cada uma dessas posses, a segunda pior média do elenco (contando apenas os jogadores qualificados para a estatística). Não se sabe quanto tempo demorará para Walton corrigir este problema, mas se espera que seja rápido. Pra ontem.

    Muitas chances e pouco aproveitamento

    Por fim, para saber a profundidade do quão ruim está sendo, em sua estreia o jovem, de suas sete posses em Isolation, marcou dois pontos. Era previsto que um jogador que se localiza exatamente na média da Liga anotasse 6.1 pontos se chutasse as mesmas bolas de Brandon. Ou seja: Ingram foi 4.1 pontos pior que a média do campeonato. Mesmo assim, 35% dos lances em que B.I. participou como finalizador foram neste estilo. A conta simplesmente não bate. É muita tentativa para pouco aproveitamento. E tudo isso com aprovação do departamento técnico da equipe, que apenas observa. É óbvio que existem várias outros tipos de jogadas, não apenas as ISO’s, mas Ingram machuca a qualidade ofensiva da franquia quando joga dessa forma. A pergunta que fica é: por quanto tempo o menino será mal utilizado?

    Fala aí!