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    Thiago Agovino

    30 de Novembro de 2017 por Thiago Agovino

    Com pouco mais de 20 jogos disputados até agora na temporada, tenho que reconhecer que seria difícil, em uma situação hipotética, definir a permanência ou demissão de Luke. Como boa parte dos torcedores de um grande time devem ser no quesito comportamento, nem sempre a paciência anda lado a lado com aquele lado mais frio, analítico.

    Sou um adepto dos números e análise de dados e quero falar um pouco do que penso até aqui do trabalho de Walton citando alguns números. Vou focar na defesa e depois desta parte de dados, vou falar de questões comportamentais e também da qualidade do elenco em uma posição específica e o resto do debate a gente desenrola na área de comentários, combinado?

    É inegável a evolução defensiva da equipe

    Claro que isso não é só mérito de Luke, afinal, as mudanças de peças no elenco contribuíram muito para que o quadro defensivo geral melhorasse e aqui vai um crédito para Magic Johnson e Rob Pelinka. Caldwell-Pope, contratado este ano, é um ótimo defensor, talvez um dos 10 melhores armadores da Liga na marcação individual. Lonzo Ball ainda precisa se desenvolver, mas sua altura e envergadura ajudam muito na defesa, bem como seu nível de atividade. Um bom exemplo disso é que ele é o segundo melhor em bloqueios na posição de armador principal, com média de 0,38 por partida.

    De último para a oitava posição em eficiência defensiva

    Falando em planos mais gerais, sem individualizar, na temporada passada o Lakers era o último em eficiência defensiva. Hoje estamos na 8ª posição neste quesito. Em rebotes defensivos, no ano passado ficamos na 26ª posição, com média de 32.1 por jogo. Nesta temporada, o time está em 5º lugar (36.2). Em roubadas de bola, apesar de ter caído o dobro de posições em relação ao último campeonato (de 5º para 10º) a média por jogo evoluiu de 8.2 para 8.3, ou seja, manteve o padrão. Falando de bloqueios, atualmente o Lakers é o 3º melhor time da NBA, com média de 5.9 por jogo. No ano passado, ficamos em 28º (3.9).

    Olhando estes números mais básicos, é possível perceber o mérito de Luke. Ele mesmo declarou que o foco na pré-temporada seria trabalhar somente a defesa para as primeiras semanas de treinamento, e foi uma decisão mais do que acertada. Hoje o time se comporta muito melhor nos corta-luzes, com muito mais dinamismo. A prevenção de contra-ataques melhorou também. Ano passado o Lakers era o pior time da Liga para defender os contra-ataques, levando em média 16.2 pontos por partida. Neste ano, a equipe ocupa a 21ª posição, permitindo 11.8.

    Falta ainda uma evolução na defesa de garrafão, onde nos encontramos na 29ª posição da Liga, cedendo em média 48.9 pontos por partida. Ano passado ficamos no 28º lugar (47.4). Decaímos também em prevenir os adversários de conquistar pontos em segundas oportunidades, estamos em 25º lugar, cedendo em média 13.7 pontos por partida. No campeonato anterior, terminamos em 19º lugar (13.3) neste quesito.

    Nestes pontos onde não tivemos boas evoluções, credito menos à Walton a responsabilidade, apesar dela existir. Não temos um jogador dominante ou pelo menos consistente na defesa de garrafão. Brook Lopez é lento e não tem boa impulsão, sofre na troca de marcação nos corta-luzes e não possui muita agilidade. Andrew Bogut já foi um ótimo defensor, mas está mais veterano e sem a mesma mobilidade, apesar de ainda mostrar serviço nesta parte. Julius Randle evoluiu na defesa individual, mas está muito longe de ser uma presença que imponha respeito. Larry Nance Jr. é o melhor defensor dentro do garrafão, mas sua contribuição limitada no ataque acaba impactando sua participação em momentos derradeiros do jogo onde podemos precisar de cestas, como em um placar apertado nos minutos finais.

    Nesta breve análise, acho que Walton e sua comissão técnica têm muito mérito na evolução do time e estão fazendo um bom trabalho. Penso que ainda falta um comportamento mais tempestivo em determinadas situações, como chamar a atenção de forma mais veemente dos jogadores que por vezes estão “dormindo” no jogo. As rotações ficam um pouco confusas em algumas partidas, mas não vamos esquecer que Luke também é novo na posição, vai errar e acertar.

    Em busca de um pivô e um bom chutador de 3 pontos

    Acredito que um elenco melhor poderia trazer mais opções para que Walton mostrasse mais serviço, especialmente nesta questão das rotações. Se eu fosse do corpo diretivo, tentaria focar em melhorar o elenco para o ano que vem para a posição de pivô. Também acho que precisamos de mais jogadores com capacidade de converter bolas de três e que sejam espertos na defesa, com características similares às de Robert Covington, do Sixers, por exemplo.

    Faria uma troca envolvendo Julius Randle. Apesar de sua evolução para este ano, tanto física quanto técnica, é preciso aproveitar seu valor agora para obter bons jogadores de rotação. Na próxima temporada, o objetivo seria contratar um ala e um pivô. É claro que se LeBron James estiver disponível é uma outra coisa, mas tirando LeBron, eu concentraria meus esforços em assinar com Paul George e DeMarcus Cousins. Com um elenco reforçado e mais rodado, aí sim poderíamos avaliar para valer o trabalho de Luke para os anos seguintes. Hoje, e vou frisar de novo, HOJE, eu não pensaria em substituí-lo. Deixaria passar este ano para avaliar como a equipe terminaria, especialmente nos rankings defensivos. Reforçando o elenco para a próxima temporada e aí sim a prova de fogo viria. Por enquanto, seeeeeeeeeegue o jogo!

    Fala aí!