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    Felipe Amaro

    21 de Fevereiro de 2018 por Felipe Amaro

    Foi no último dia disponível que o Lakers resolveu tirar da cartola uma das trocas mais polêmicas da história recente da franquia. E você já está cansado de ouvir isso. Reclamar, elogiar ou ficar em cima do muro não vai mudar muita coisa: já aconteceu, é passado. O que ainda pode impactar a equipe é o futuro, e, claro, o presente. Isaiah Thomas é um jogador muito diferente de Jordan Clarkson. Supondo que, eventualmente, assuma a titularidade, como seu jogo afeta o de Ball e Ingram?

    Primeiro, precisamos saber como Ball e Ingram jogam. Para isso, há uma ferramenta que permite saber quais jogadores mais se parecem com eles. Entenda: não tem nada a ver com qualidade, apenas com como cada jogador passa seu tempo em quadra. Se um atleta gasta 50% de suas posses ofensivas apenas em jogadas de Isolation (o que é algo completamente irreal), é provável que se pareça mais com jogadores que usam muito desse estilo de jogo (Carmelo Anthony, não vire a cara). Repito: não há nenhuma correlação com qualidade. Entendeu? Beleza. Abaixo, o de Lonzo:

    Seu jogo é extremamente baseado em Pick and Rolls e Spot Ups, enquanto outras jogadas ficam em segundo plano. O problema é que é um Lonzo bem diferente do visto em UCLA, que preferia trabalhar sem bola, com outro armador tomando as rédeas do ataque. Isso é visto no seu número de pontos por posse: 0.749. Se Lonzo jogasse como um “trabalhador sem bola”, a expectativa é que o número subisse para 0.806.

    Como Ball ainda não é bom o suficiente pra iniciar o ataque no conceito mais comum do basquete, os corta-luzes, outro jogador também fica encarregado disso. Sim, falo de Brandon Ingram. A surpresa (ou não) fica nos jogadores que mais se parecem com ele. Dois dos cinco (incluindo Kyrie Irving) são armadores, e Tyreke Evans chega muito perto de ser um. Mudou bastante comparado com a temporada passada.

    Observe como ambos se encaixam como Glue Guys, apesar de o senso comum achar que são atletas completamente diferentes. Talvez 17% de jogadas em Isolation seja demais para um moleque de 20 anos, mas isso é assunto para outro momento. Agora que sabe como Ingram e Lonzo se portam, deve entender como o jogo de Thomas os mudará. E, não tão surpreendente assim, Isaiah é parecido com os dois. Veja:

    O problema é que Thomas joga desse jeito desde que entrou na NBA, e ter três jogadores idênticos em seu quinteto titular (isso, claro, pensando que IT conquiste a titularidade) não é legal. Alguém terá de ceder. E o mais provável é que Ball mude, pois Walton gosta de ver Ingram como iniciador de algumas jogadas. Isso nos faz voltar ao início do texto, onde vimos que Lonzo se sente mais confortável sem bola. Seria uma recalibragem: Thomas e Ingram cuidariam do ataque, Lonzo atacaria no Off-Ball. Ao menos a ideia é boa.

    É claro, tudo isso só será possível (e, mesmo assim, não há garantias) se Thomas conseguir a titularidade. Seus primeiros três jogos não foram lá tão empolgantes, mas como todo bom torcedor, há de se pensar, ou sonhar, no melhor cenário disponível. Se nada disso acontecer, Lonzo e Ingram podem absorver alguma coisa de um jogador que já ficou em quinto na votação para MVP. Se acontecer, teríamos um time minimamente empolgante de se assistir (e com o crescimento dos dois diamantes brutos que possuímos). Rezemos.

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