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    Guilherme Borges

    09 de Fevereiro de 2018 por Guilherme Borges

    Quando o relógio marcou 18:00 horas (horário de Brasília) os times da NBA viraram abóbora. Excetuando-se as situações de buyout, agora, todas as equipes formaram seus elencos e escolheram os jogadores que irão representar a franquia até o final da temporada. O que está feito, está feito. Não existem mais mudanças. Um minuto depois do fechamento da janela o caos e a excitação deram lugar às análises, comentários, fotos, tweets, “curtidas”, notícias, programas esportivos e etc. Um mar, uma explosão, um vulcão de observações. “Era melhor nem ter trocado”; “É bom conseguir alguma coisa na agência livre”; “Que loucura!”; “Nossos jovens...”; “É agora que o Lebron vence o Leste”. Nessa hora, todo mundo é GM. Todos os tipos de críticas, sejam elas de profissionais ou não, tentam explicar algo que é relativamente simples de entender: a NBA é um negócio.

    A realidade bateu, entrou sem cortesias, fez uma chacina, e saiu. Mas antes de sair, deixou Isaiah Thomas, Channing Frye, uma escolha de primeiro round vinda do Cavs e muita, eu disse, MUITA, flexibilidade no CAP.

    A realidade bateu na porta da diretoria, dos jogadores e dos torcedores do Los Angeles Lakers. A realidade bateu, entrou sem cortesias, fez uma chacina, e saiu. Mas antes de sair, deixou Isaiah Thomas, Channing Frye, uma escolha de primeiro round vinda do Cavs e muita, eu disse, MUITA, flexibilidade no CAP. E é assim que funciona a NBA. Independente da sua, da nossa, da preferência da diretoria e dos jogadores, negócio são negócios. E o Lakers é muito maior que um ou outro jogador. Só as lendas têm vida eterna. Ninguém quer perder dinheiro, e todos querem que o Lakers volte a se portar como o que nunca deixou de ser: a maior franquia da NBA.

    Foi o primeiro “último dia” da janela de troca com Magic e Pelinka no comando. Foi a primeira vez, também, que muitos garotos, como Hart, Kuzma, Bryant e Lonzo passaram por essa experiência. Para os “veteranos” o ineditismo ficou por conta da troca que mandou dois garotos muito queridos do grupo, Clarkson e Nance Jr. para uma equipe que provavelmente disputará o campeonato. Agora, de todo o elenco, só nos resta uma única ponta nos segurando ao passado, que é Julius Randle, o único e último da atual equipe a ter jogado com Kobe Bryant. Mas a pergunta que eu te faço é: qual o problema dessa situação toda? Eu mesmo respondo. Nenhum.

    Você gostava de Larry e Jordan? Nós também.

    Larry e Jordan tinham potencial para crescer mais? Eles são o que são, e mesmo que eles fossem crescer mais, se encher de ódio e críticas porque o Lakers trocou dois garotos é, no mínimo, não ter consciência do tamanho da nossa franquia. A troca jamais seria feita se Magic e Pelinka não entendessem que ela seria, de fato, benéfica para o time. Nós não estamos no futebol onde o ambiente imundo contamina as trocas. Magic e Pelinka não ganham nada a não ser a oportunidade de colocar o LAL na prateleira de campeão de novo. O Lakers pode não obter duas estrelas na próxima agência livre? Pode, e esse cenário é bem provável. Esse fato, contudo, não tem nenhuma influência na decisão da diretoria. Entenda, toda decisão na NBA é feita por profissionais que estudam e analisam todo aspecto das escolhas e das “não escolhas”, seja no draft, seja nas trocas, seja na agência livre, seja em qualquer momento da temporada. A NBA. É. Um. Negócio. E nesse mar só nadam os tubarões, não existe espaço pra peixe pequeno. Lembre-se que ninguém quer perder.

    A energia era definitivamente diferente na sala onde analisamos os jogos. Eu estava curioso para ver quanto tempo os jogadores iriam demorar para voltar a focar no jogo, e voltar a um bom nível de energia, depois de perder dois companheiros tão queridos

    Foi o que disse o técnico Luke Walton na entrevista após a vitória do Oklahoma. Quando o Lakers saiu de quadra todos os jornalistas que entraram no vestiário estavam loucos, sedentos, morrendo de vontade de fazer a pergunta que todos nós ficamos o dia todo para saber a resposta: “e aí meninos, o que vocês acharam da troca?”. Eu vou resumir a resposta de todos os jogadores (que responderam de forma unânime): “É muito difícil porque eles eram muito próximos. Nós amávamos Larry e Jordan. Mas a NBA é um negócio, e a troca vai nos colocar em uma posição melhor para desenvolver e ganhar um campeonato”. E é assim que funciona. Kuzma ainda disse: “eu vou sentir muita falta deles. Nós nos conectamos logo no início. No final do dia, são só negócios. Na universidade é tudo em volta do time. Aqui é diferente, mas isso não nos distrai”.

    A diretoria entendeu o que é a NBA, e fez as trocas necessárias. Não existem escolhas sem efeitos colaterais. Os jogadores, ainda que novos, tiveram essa experiência pela primeira vez, e com certeza vão levar para o resto da vida: no final do dia, a NBA é um negócio, e isso não pode te influenciar como um jogador. Meninos, bem-vindos a NBA, jogadores vêm e vão, e dificilmente você ficará junto com alguém sua carreira toda. Não é nada pessoal, e o profissionalismo se mantém. O foco agora é lidar com o que virá em seguida, e continuar jogando um bom basquete. Todos entenderam. E nós, torcedores, quando vamos entender isso também? Espero que não demore.

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