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    Ricardo Romanelli

    15 de Março de 2018 por Ricardo Romanelli

    Quando o Lakers anunciou a troca de Larry Nance Jr. e Jordan Clarkson por Isaiah Thomas, Channing Frye e uma escolha de Draft, o plano era claro: os contratos expirantes de Thomas e Frye ajudariam a franquia a chegar no número mágico de dois contratos máximos para jogadores livres no mercado ao final desta temporada. Até lá, Thomas ajudaria a suprir o déficit de armação do time, que sofria com lesões relativamente frequentes de Lonzo Ball, e passaria aos garotos do Lakers um pouco de sua experiência como All-Star da NBA e um dos pontuadores mais perigosos da liga. Com alvos como LeBron James, Paul George e DeMarcus Cousins em mente, ninguém cogitava a possibilidade do Lakers manter o armador para a próxima temporada, citando como principais motivos suas dificuldades na defesa e supostos problemas de comportamento (que em sete anos de carreira nunca haviam sido noticiados).

    Mas aí, Thomas entrou em quadra. E se estatisticamente ele ainda está longe do All-Star que faz quase 30 pontos por jogo e carregou o Celtics ao topo do Leste no ano passado, ele com certeza tem trazido aspectos muito importantes para o time.

    1 - Atitude vencedora

    Um armador de 1,75m que foi a última escolha do Draft não chega a All-Star da NBA à toa. Thomas já provou ao longo de sua carreira que quer muito ser um vencedor, e está disposto a qualquer coisa para fazer isso acontecer. Os temores de que seria um fominha desmedido quando chegou ao Lakers, e de que não aceitaria vir do banco, não se confirmaram. Pelo contrário. Sua atitude contagiou o restante do elenco, que mesmo desfalcado vem fazendo um excelente final de temporada. Desde que ele chegou ao time, foram 8 vitórias em 13 partidas, um aproveitamento de 61%. É uma amostra ainda pequena, mas se o Lakers mantivesse esse aproveitamento durante toda a temporada, venceria 50 jogos. É óbvio que esta não é uma conclusão perfeita, mas é sim possível afirmar que, com Thomas durante toda a temporada, o time venceria mais jogos.

    Ele possui laços pessoais com Kobe Bryant, que adora seu instinto assassino e admira sua dedicação. Os dois, inclusive, já fizeram chamadas de vídeo para assistirem vídeos preparatórios para partidas juntos. Num jovem time como o Lakers, ter um atleta veterano que ama vencer e se dedica tanto para que isso aconteça é primordial.

    2 - Entrosamento

    Mas, também é fato que ambos, especialmente Randle, tem mostrado excelente entrosamento e entendimento com Thomas. Todo o time parece ter se adaptado ao atleta sem esforço, e ele também incorporou o espírito coletivo que impera no time de Luke Walton. Tem registrado uma boa média de 5,4 assistências, 1 a mais do que em Cleveland, e no geral feito a bola rodar com dinamismo e ferocidade que não víamos antes. O "teste do olho", onde analisamos o jogo jogado e não por números, nunca foi tão fiel. O time é outro com IT em quadra, e melhor ainda quando estão ele e Lonzo Ball juntos. O time se torna envolvente e perigoso, e isso gerou grandes vitórias contra times fortes como o Cleveland Cavaliers e San Antonio Spurs nos últimos dias.

    3 - 2 por 1

    A essa altura, já podemos concordar que sim, Isaiah Thomas se encaixou no time e tem muito a contribuir com a equipe. Mas como uma decisão sobre sua permanência afeta o futuro financeiro do time? É aí que as coisas começam a ficar complicadas.

    O Lakers se preparou para ter espaço para dois contratos máximos (cerca de US$ 30 milhões/ano cada) enquanto os atletas de seu núcleo jovem ainda estão nos contratos de calouros. Desta forma, a equipe pode contratar dois jogadores de peso e depois dar extensões contratuais aos jovens atletas conforme forem chegando ao fim seus vínculos de calouro.

    Isaiah Thomas, por outro lado, é um jogador de 29 anos que ganhou pouco dinheiro na carreira, quando comparado a outros atletas do mesmo nível. Desde 2011, ele recebeu pouco mais de US$ 30 milhões em salários na NBA. Ele lutou muito para se colocar num patamar mais elevado, e é justo que queira ser bem pago neste estágio da vida, onde sua carreira na NBA já passou da metade.

    Como se conciliam estes dois interesses, então? Pois bem. Muito se fala em assinar com LeBron James e Paul George, por exemplo, num cenário onde possivelmente o Lakers teria que renunciar seus direitos sobre Julius Randle. Mas será que, considerando dois espaços para salários de US$ 30 milhões, não seria melhor deixar um deles reservado a um atleta, digamos Paul George, e dividir o outro entre Randle e Thomas?

    É claro que aí seria necessário um pouco de criatividade por parte do Lakers para fazer uma engenharia financeira que pudesse fazer valer a pena para estes dois atletas no futuro, pois ambos hoje estão em posição de conseguir mais no mercado. Mas será que num time onde os dois criaram identidade e estão bem, eles não aceitariam um desconto para ficar? Ainda mais para jogar num time que acrescentaria um atleta do quilate de George, se tudo desse certo.

    Vale lembrar que George tem apenas 27 anos, contra os 33 (em breve 34) de LeBron James, e seria um jogador que se adequaria melhor a uma linha do tempo que precisaria de mais 2 ou 3 anos de crescimento dos jovens Ingram (20), Ball (20), Kuzma (22), Hart (23) e Randle (23) para chegar a disputar um título. Mas Thomas, com 29 anos, também poderia contribuir muito para este crescimento.

    Tudo isso passaria por Paul George querer sair do Oklahoma City Thunder para se juntar ao Lakers, mas supondo que isso aconteça, não seria uma opção interessante?

    A que preço você, se fosse GM do Lakers, estaria disposto a manter Isaiah Thomas no time?

    Fala aí!