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    Ricardo Romanelli

    05 de Julho de 2018 por Ricardo Romanelli

    Para ser campeão, um time precisa ter diversos tipos de jogadores. Defensores, arremessadores, criadores de jogada, reboteiros, jogadores decisivos...mas qualquer time vencedor também precisa de algo imprescindível: uma alma.

    Muitas vezes, isto vem de um atleta que representa os valores do time em quadra. Garra, determinação, liderança, frieza. Para o Lakers que foi tricampeão entre 2000 e 2002, isto tudo tinha nome e sobrenome: Rick Fox.

    A chegada

    O ala de 2,01 m chegou ao Lakers em 1997, então com 28 anos. O time passava por tempos de mudança. No ano anterior, Shaquille O’Neal e Kobe Bryant haviam chegado para mudar a história da franquia, e o Lakers buscava jogadores que pudessem formar um bom elenco de apoio ao redor deles. Fox estava na NBA desde 1991, e havia passado toda a carreira até então como membro do Boston Celtics, ironicamente o maior rival do Lakers. Ele foi liberado pelo Celtics neste ano, e imediatamente contratado pelo Lakers.

    Ele foi titular em todos os 82 jogos de sua temporada de estreia, onde o Lakers, sob comando de Del Harris, foi eliminado pelo Utah Jazz na final do Oeste. Na temporada seguinte, com a chegada de Glen Rice, Fox se tornou o principal reserva da posição.

    Homem de confiança de Phil Jackson

    Em 1999-00, a carreira de Fox mudou. Phil Jackson assumiu o time e implementou o triângulo ofensivo como sistema de jogo do Lakers. Fox, ainda vindo do banco, foi um dos jogadores que melhor e mais rapidamente assimilou o sistema. Ele sempre foi um atleta muito inteligente e de excelentes fundamentos, premissas essenciais para que o triângulo funcionasse. O Lakers foi campeão da NBA nesta temporada, com participação especial de Fox. Ele acertou uma bola de três nos instantes finais do derradeiro jogo 6, que deixou o Lakers em posição confortável para finalizar a partida e a série.


    No ano seguinte, com a saída de Rice, Fox assumiu a posição da qual foi soberano pelos próximos dois anos, onde o Lakers ganhou mais dois títulos e se sagrou bicampeão da NBA. O ala tinha um arremesso de três pontos certeiro, convertendo 39% das bolas de longa distância neste período, além de ser um excelente defensor e passador.

    Em 2003, já aos 32 anos, Fox começou a sentir os efeitos da idade e das longas temporadas chegando à final três anos seguidos. Começou a perder espaço na rotação para Devean George, então um jovem em ascensão pela equipe do Lakers. O time perdeu a chance de ser tetracampeão com uma derrota para o San Antonio Spurs no segundo round dos playoffs.

    O ano seguinte seria o último de Rick Fox com a camisa do Lakers. Já veterano, ele foi uma das peças que sobrou no núcleo do time após a contratação de Gary Payton e Karl Malone, para a formação de um supertime. Devean George assumiu a titularidade, e Fox jogou menos minutos vindo do banco. O Lakers perdeu a final daquele ano para o Detroit Pistons, e ao final da temporada resolveu rejuvenescer o elenco. Shaquille O’neal foi negociado com o Miami Heat, e Gary Payton e Fox foram trocados para o Boston Celtics, time no qual ele havia começado a carreira. Aos 33 anos, Fox decidiu se aposentar ao invés de jogar pelo Celtics mais uma vez.

    Sucesso fora das quadras

    Ele já havia começado uma carreira como ator em Los Angeles, tendo aparecido em alguns filmes e séries de TV, e resolveu se dedicar a isso. Na época, ele era casado com a atriz Vanessa Williams, e depois teve um relacionamento com a também atriz Eliza Dushku. Após algumas participações em produções de Hollywood, Fox também participou de alguns Reality Shows, como “Dancing With The Stars”, “Are You Smarter than a Fifth Grader?”, “RuPaul’s Drag Race” e “Chopped Star”.

    Em 2015, ele resolveu investir em eSports, e comprou um time que disputava campeonatos de League of Legends, que foi renomeado como Echo Fox. Posteriormente, o time dele passou a manter equipes de CS:GO, Street Fighter V, Super Smash Brothers Melee, Mortal Kombat X e Call of Duty, e hoje é uma das potências do cenário de Esports.

    Legado


    No Lakers, ele deixou um legado de muita garra, inteligência tática, liderança e comprometimento com o time. Era uma das vozes mais respeitadas do time que conquistou o tricampeonato no começo dos anos 2000. O técnico Phil Jackson, em seus livros, descreve Fox como um dos pontos de união daquele elenco, frequentemente sendo um mediador das recorrentes brigas entre Shaquille O’neal e Kobe Bryant. O próprio treinador também relata ocasiões em que chamou Fox para conversar quando precisava executar uma ideia nova em quadra ou mudar o plano de jogo, pois sabia que ele tinha influência sobre os outros atletas. Títulos não se conquistam só com estrelas, e certamente não se conquistam sem jogadores como Rick Fox.

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