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    Guilherme Borges

    01 de Agosto de 2018 por Guilherme Borges

    Esta semana, pela primeira vez, LeBron James participou de uma entrevista como um Laker e respondeu muitas das perguntas que todos os fãs do basquete vem se fazendo desde a ida do astro a Los Angeles. Nós falaremos sobre isso, contudo, é também nossa obrigação, ainda que de maneira breve, destacar o contexto simplesmente único em que essa entrevista se deu.

    Na tarde passada, LeBron, natural de Akron, inaugurou, em parceria com sua fundação, uma escola para as crianças em situação de risco em sua cidade natal. O momento foi incrível e a proposta mais ainda. A escola receberá, inicialmente, apenas alunos de terceiro e quarto ano, contando com uma estrutura impecável e um projeto único. O ano letivo dos alunos, bem como o horário que passarão na escola, será maior do que nas demais instituições de ensino, tudo com o intuito de fazer com que as crianças fiquem mais tempo no local do que nas ruas, e também que consigam recuperar parte da educação defasada que até agora tiveram.

    O nome do instituto chama "I Promisse School", e não é nem preciso falar que tudo será de graça. Aliás, todos os alunos ganharão bicicletas, um incentivo do próprio LeBron que diz que sua própria bike foi um "instrumento para escapar da violência do bairro onde morava e procurar locais seguros". Mais uma vez, LeBron demonstra entender que o esporte tem uma finalidade muito maior do que o entretenimento. O astro entende que as estatísticas mais incríveis a serem batidas não sao dentro de quadra, mas fora delas, como aconteceu com ele próprio. O mundo agradece.

    Dito isso, agora sim podemos falar sobre a entrevista que o astro deu. A repórter que teve a oportunidade de falar com LeBron foi Rachel Nihols que já entrevistou o atleta diversas vezes. Após um momento de perguntas sobre a escola e conquistas pessoais o assunto seguinte não foi outro que não o Lakers. Nesse sentido, muito interessante foram, tanto as perguntas, como as respostas. Vale a pena conferir a íntegra da entrevista:

    RACHEL: "Você fez uma grande mudança e tem falado muito sobre a ideia de ajudar essa franquia histórica que é o Lakers, já que você a admirava junto com outras grandes franquias desde criança, como o Cowboys, o Yankees, e etc.. levar o Lakers de volta a disputar o campeonato é uma meta que te empolga. Eu quero saber o porque de você ter escolhido essa situação ao invés de um time que está mais próximo de ganhar um campeonato agora"

    LEBRON: " Eu pensei muito sobre a possibilidade de me juntar com Ben (Simmons) e Embiid (Philadelphia 76ers) ou então com Harden e Chris Paul (Houston Rockets) mas... quando eu fui pra Miami todo mundo começou a falar que eu me juntei a um 'super time'... se as pessoas observassem bem, Miami tinha um recorde de 35-47 antes de eu chegar lá. O Lakers se encontra em situação parecida, e eu gosto do desafio. Gosto do desafio de ajudar o time a voltar ao patamar que não alcança faz um tempo. Mesmo sem ir para os playoffs nos últimos anos, o Lakers ainda é uma franquia histórica, e podemos compará-la com todas as outras históricas também: os Cowboys, Patriots, Manchester United, Celtics e etc. Para mim, para minha família, e para a história do basquete em geral, fazer parte disso é um momento incrível."

    RACHEL: "Olhando para o elenco, você não só é o único jogador 'de elite', como é o único all-star. Você poderia ter dito ao Lakers 'ei, eu quero ir mas façam o que for necessário para trazer Kawhi Leonard também', mas você não o fez, porque?"

    LEBRON: "Porque eu amo os jovens que eles têm. Eu não quero forçar nada. Eu acredito que Rob (Pelinka), Magic e Jeanie (Buss), têm feito um trabalho incrível em reformular a organização e trazer de volta a história e a mentalidade do Dr.Buss. Eles sabem o que é melhor para o time e eu quero ser uma peça nessa jornada de voltar a ser uma franquia que disputa campeonato, que é justamente onde eles deveriam estar agora."

    R:“Existe um jogador que poderia ter se juntado a você e que manteria a possibilidade de ficar com os garotos, Paul George, qual foi sua conversa com ele antes dele decidir ficar com o Thunders (Oklahoma City Thunder)?”

    LBJ: “Eu não conversei muito com Paul, e acho que ele fez o que era o melhor para ele, e acho que é isso que todos devem fazer. Os jogadores devem fazer o que é melhor para eles próprios e para suas famílias; não deviam se sentir muito pressionados por ninguém; e se existe alguém com quem eles querem jogar, e têm a oportunidade para isso, então eles devem ir. Todos nós vimos que ele fez isso”

    R: “Lakers assinou outros Free Agents além de você, e a lista impressionou algumas pessoas...McGee, Beasley, Lance Stephenson, porque as pessoas não devem estar céticas em relação a esse elenco?”

    LBJ: “Porque nós acabamos de adquirir jogadores que amam jogar basquete. Eu amo jogadores que amam jogar basquete, e que fazem questão de fazer isso todos os dias. Pelinka e Magic gostam disso também, e é por isso que eles trouxeram esses caras, McGee, Beasley, Lance e Rondo, porque todos os dias que eles acordam eles só pensam em basquete e todo o resto é secundário. Nós gostamos do desafio, e as pessoas sempre vão ficar impressionadas quando o assunto me envolve, de qualquer forma, então não é surpreendente. 

    R: “Muitos desses jogadores são contratos de um ano e o Lakers vem falando sobre manter a flexibilidade no cap para a próxima agência livre, onde muitos jogadores poderão assinar com outros times. Você vai fazer 34 anos essa temporada, como você se sente sabendo que um dos seus últimos anos do seu auge pode ser considerado como um ano de “reconstrução” para a franquia?”

    LBJ: “Olha, eu nem penso dessa forma. Eu não acho que esse é um dos últimos anos do meu auge. Acho que essa é uma outra estatística e eu sempre fui um daqueles caras que está fora das estatísticas na vida. Estar mais próximo dos meus filhos me faz cada vez mais jovem. Além disso também não acho que é um ano de reconstrução. Nós temos a oportunidade de fazer tudo que ninguém acredita que nós podemos fazer e nós amamos essa impressão que todos têm de que estamos em um ‘ano de reconstrução, e que não somos bons o suficiente’. Isso nos motiva.

    R: “A razão pela qual as pessoas dizem que não sabem onde o Lakers vai chegar nessa temporada é porque a Conferência Oeste é muito difícil. Mais do que nos últimos anos. Você nunca jogou no Oeste antes (...) Você se preparou para caso as coisas fiquem ruins antes de ficarem boas?”

    LBJ: “Com certeza. Isso faz parte do preparo mental. Como temos um grupo jovem e que nunca jogou junto, em alguns momentos será bem pior do que pensávamos, em outros todos vão se perguntar o que está acontecendo, e isso faz parte da natureza humana, mas eu sempre fiz parte de situações assim. Eu sei muito sobre os altos e baixos de uma temporada e o que podemos fazer é focar no nosso objetivo principal que é ser tão bom quanto podemos ser todas os dias, e criar ‘hábitos de campeões’. O importante não é ser um time que irá disputar o campeonato agora, mas sim construir ‘hábitos de campeões’ para que quando cheguemos lá, nos estejamos preparados. Nós temos um excelente grupo de jovens, excelentes veteranos. Nós temos um excelente sistema, e mais importante, estamos em uma franquia incrível. Nós ficaremos bem.

    R: “E você se comprometeu com eles em um contrato de 4 anos. Quão confiante você está que em algum momento nesse período você estará na final de novo, e você terá chances reais de ganhar um campeonato de novo?”

    LBJ: “Essa é a meta.”

    R: “Isso não responde minha pergunta...(bem humorado)"

    LBJ: “Olha, eu me planejo, e treino e preparo minha mente todos os dias para ser campeão. E Magic e Jeanie e Rob querem isso também e eles acreditam nisso. Quando você tem pessoas com o mesmo objetivo então você pode aguentar os resultados.”

    LeBron parece estar bem confiante. E não podia ser diferente. Nós, torcedores, mal podemos esperar pelo primeiro jogo. Até lá, ficaremos só imaginando até onde esse time conseguirá chegar.

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