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    Ricardo Romanelli

    07 de Dezembro de 2016 por Ricardo Romanelli

    Quando o Lakers usou a segunda escolha no Draft de 2016 para selecionar Brandon Ingram, as possibilidades eram muitas. O consenso era de que selecionávamos um jogador muito talentoso, mas que ainda precisava ser lapidado e ganhar corpo para agüentar o ritmo dos profissionais.

    Passados 25% da primeira temporada de Ingram na NBA, já podemos tirar algumas conclusões:

    Ele precisa ganhar peso

    Como ele é muito leve, é facilmente deslocado por defensores adversários, fazendo com que seus arremessos saiam desequilibrados e com maior chance de erro. Também é perigoso sofrer tantos deslocamentos do ar pelo risco maior de lesões, pois ele pode cair de maneira desalinhada mais facilmente.

    Ingram pesa apenas 86 kg. É muito pouco para um jogador de 2,06 metros de altura. Apenas para comparar, Kobe Bryant tinha 1,98 m e pesava 93 kg, enquanto que D’Angelo Russell, de 1,96 m, pesa 88 kg. Ele precisa ganhar peso, e essa já era uma preocupação logo que foi selecionado no Draft. Agora esta necessidade está ainda mais evidente.

    O lado bom é que ele não tem mostrado afobação nem insegurança ao ser intimidado por defensores mais fortes, então sua mentalidade se mantém forte.

    Precisa melhorar a mecânica do arremesso

    Klay Thompson, que recentemente fez 60 pontos com eficiência raramente vista na história da NBA, tem provavelmente a melhor mecânica de arremesso da liga. Gatilho rápido, solta a bola no ponto mais alto e tem bom “follow through”, movimento de continuação do arremesso após a bola sair das mãos do atleta (a famosa quebrada de punho).

    Ingram ainda não tem uma técnica consistente. Está puxando a bola um pouco atrás da cabeça ao arremessar, e não solta a bola rápido o suficiente. Isso permite que defensores adversários consigam alterar seu arremesso, aumentando a possibilidade de erro. Muitas vezes ele solta a bola quando já está no movimento de decida do arremesso, e isso só não tem criado maiores problemas porque sua envergadura é muito grande, tornando mais difícil a vida dos defensores.

    Ele pode se tornar um jogador muito mais completo do que esperávamos

    A comparação imediata quando Ingram surgiu foi com Kevin Durant. Afinal, ele tem um biótipo parecido e vem da universidade de Duke, escola famosa por produzir jogadores bastante polidos ofensivamente. A expectativa era que Ingram se tornasse um pontuador natural.

    No entanto, ele tem mostrado outros atributos muito mais úteis do que meramente poder de pontuação, a começar pela defesa.

    Com a incrível envergadura de 2,21m, ele consegue criar uma barreira quase intransponível para oponentes no perímetro. Ele tem uma noção muito boa de espaçamento na defesa e de trabalho de pés para dificultar passadas de infiltração ou movimentos de arremesso. Com a mentalidade que tem demonstrado e o físico privilegiado, Ingram tem uma grande chance de se tornar um defensor de elite na NBA, caso continue motivado a contribuir neste lado da quadra.

    A defesa também é um grande incentivo para que o técnico Luke Walton o mantenha em quadra, pois é um dos aspectos onde o Lakers vem pecando até agora na temporada. Ingram é, atualmente, o melhor defensor de perímetro que o time tem. E ainda não está nem perto de atingir todo seu potencial neste departamento.

    Além disso, ele tem se mostrado muito eficiente na criação de jogadas. Walton acertou ao dar a D’Angelo Russell a liberdade de pontuar, transferindo os deveres criativos para jogadores como Julius Randle e Ingram.

    É fato que a bola tem passado o tempo todo pelas mãos de Randle desde que Russell precisou se afastar por lesão, e com isso o processo de transformação de Ingram em playmaker voltou alguns passos.

    Apesar disso, ele tem demonstrado excelente visão de quadra, habilidade nos passes e sincronismo com a defesa. Num time que tem armadores talentosos para pontuar, é com certeza um luxo ter um ala que pode ser o iniciador do sistema ofensivo. Este é um atributo que Walton deve procurar incentivar e desenvolver, pois pode transformar o jovem ala num jogador realmente diferenciado e extremamente útil para o Lakers.

    Em resumo, podemos afirmar que Ingram tem se destacado pela inteligência e pelo belo potencial ofensivo, mas precisa melhorar muito no aspecto ofensivo para poder ser um jogador capaz de dominar uma partida. O ganho de peso com certeza deve contribuir para a melhora nos percentuais de arremesso. O exemplo mais recente é D’Angelo Russell, que ao ganhar mais força conseguiu maior consistência, principalmente nas bolas de três pontos.

    Aguardamos o desenvolvimento de Brandon Ingram com grande ansiedade e expectativa. Se ele não é ainda a grande arma ofensiva que parecia ser, podemos ficar felizes por ter mostrado potencial de ser um jogador muito mais completo. Depende apenas dele e dos treinadores do Lakers para que façam um bom trabalho visando sua evolução.

    Fala aí!