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    Ricardo Romanelli

    19 de Setembro de 2018 por Ricardo Romanelli

    Como não gostar de Kyle Kuzma? Escolhido no de final do primeiro round do forte Draft de 2017, ele surpreendeu a todos como uma das revelações da última classe de calouros. Além disso, Kuzma conquistou fãs com seu basquete cheio de personalidade, confiança e estilo, tanto dentro como fora de quadras, elementos que tornam qualquer atleta um dos favoritos da torcida.

    Pontuador implacável, Kuzma parece dedicado a dominar jogos com sua versatilidade ofensiva, e adicionou mais elementos a essa mística ao estabelecer relação com Kobe Bryant durante a temporada, além de ter treinado com a lenda no Lakers nesta offseason.

    Nomeado para o quinteto dos melhores calouros de 2017-18, Kuzma já é uma realidade na NBA. Todos aguardam com ansiedade sua segunda campanha na liga, especialmente agora como uma das armas ofensivas que receberão a bola de LeBron James. Mas quais devem ser as expectativas para Kyle Kuzma em sua segunda temporada?

    Pontuação

    Kuzma já foi um dos líderes do time neste quesito como calouro. Com 16,1 pontos de média, ele empatou com Julius Randle e Brandon Ingram, que alcançaram a mesma marca. Seus 36,6% da linha de três pontos representam bom aproveitamento para um jogador com seu volume de jogo e estreante na NBA, então é de se esperar que ele evolua a partir dessa marca.

    Além disso, é provável que ele seja um dos maiores beneficiados pela chegada de LeBron James. Como todo grande jogador, LeBron abre o jogo para outros companheiros, pela marcação a mais que recebe (a famosa gravidade). Kuzma, que muitas vezes jogou bastante marcado no ano passado, deve ter caminhos mais livres até a cesta. Para efeito de comparação, o armador Kyrie Irving, ex-parceiro de LeBron no Cleveland Cavaliers, subiu de 35,8% para 41,5% nas bolas de três após a chegada de James ao time, na temporada 2014-15.

    LeBron também costuma se dar bem com jogadores que sejam bons pontuadores acima de tudo como principais parceiros, como era o caso de Irving e de Dwyane Wade, nos tempos de Miami Heat. Kuzma tem tudo para se tornar o principal "parceiro no crime" de LeBron no Lakers, e lucrar muito com isso.

    Rebotes

    Kuzma oscilou bastante nos rebotes ao longo da campanha. Para melhor analisar, vamos separar a temporada em meses, com as médias de rebotes e a quantidade de jogos:

    Outubro - 5,0 rebotes em 7 jogos
    Novembro - 6,7 rebotes em 13 jogos
    Dezembro - 7,6 rebotes em 14 jogos
    Janeiro - 3,9 rebotes em 15 jogos
    Fevereiro - 5,8 rebotes em 10 jogos
    Março - 8,5 rebotes em 14 jogos
    Abril - 4,8 rebotes em 4 jogos
    Geral - 6,3 rebotes em 77 jogos

    O atleta tem tudo para evoluir neste quesito, e com isso ganhar importância na rotação do Lakers. Com a saída de Julius Randle e uma projeção de minutos baixa para atletas como JaVale McGee, o Lakers vai precisar que jogadores de todas as posições coletem rebotes. Os armadores Lonzo Ball e Rajon Rondo já são bons nesse quesito, assim como o ala Josh Hart. Em fotos e vídeos de sua offseason, Kuzma parece ter ganhado massa muscular, o que poderia favorecer seu jogo no garrafão nesta temporada. Caso isso ocorra, ele deve aumentar sua média de rebotes por jogo.

    Small Ball

    O Lakers tem três pivôs de ofício que devem participar desta rotação: JaVale McGee, Moritz Wagner e Ivica Zubac. Os três, no entanto, possuem limitações físicas e técnicas que os impedem de serem utilizados por muitos minutos. Com isso, a expectativa é que Kuzma, LeBron e até Michael Beasley sejam utilizados na posição de pivô nos esquemas small ball de Luke Walton. Como LeBron declaradamente não gosta muito desse papel, Kuzma tem uma excelente oportunidade para conseguir mais minutos nesta função. O atleta trabalhou durante a offseason em atributos de jogador de perímetro, como manejo de bola e arremessos, mas esses fundamentos podem justamente acabar sendo diferenciais para ele em relação a outros pivôs. Com o aumento de massa muscular e melhora projetada nos rebotes, ele tem tudo para ser uma excelente opção de pivô no small ball.

    Além disso, ele foi muito bem na defesa de garrafão na última temporada. O site Basketball Index, que será lançado em breve, possui fórmulas para calcular o impacto de jogadores nas principais áreas do jogo e comparar o desempenho de cada um com o restante da liga, estabelcendo em qual percentil de excelência o atleta está (percentil = quantos por cento da liga o atleta supera naquele quesito). Na defesa de interior, Kuzma figurou no 78º percentil, ou seja, ele é melhor que 78% da liga na defesa de interior. Na defesa de perímetro, ele ficou apenas no 10º percentil, o que é um indicativo claro de onde ele é mais efetivo. Kyle Kuzma como pivô no small ball de Luke Walton pode ser a grande sacada desta temporada.

    Conclusão

    Especulações sobre o papel de Kuzma no time à parte, é consenso que o atleta de 23 anos fez seu nome como calouro na NBA. O desafio agora é continuar evoluindo, e Kuzma parece comprometido a isso. Pontua com naturalidade, e essa característica deve ser explorada e incentivada, especialmente num time com tantos criadores de jogadas. Ele deve ser um dos jogadores que melhor vai aproveitar a oportunidade de jogar com LeBron James, se estabelecendo como uma das armas ofensivas mais letais da NBA.

    Para ajudar, é um atleta extremamente carismático e uma personalidade um tanto midiática, jogando numa franquia e cidade que adoram isso. Kuzma preenche todos os requisitos para ser um verdadeiro astro do basquete, e sua trajetória está só começando. É um princípio de carreira realmente muito empolgante para o jovem atleta do Lakers.

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