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    Guilherme Borges

    03 de Novembro de 2018 por Guilherme Borges

    No dia primeiro de novembro de 2018 a temporada 2018-2019 da NBA completou duas semanas de vida. Durante esse período inicial, o Los Angeles Lakers jogou oito partidas acumulando três vitórias e cinco derrotas, ocupando a décima primeira colocação da conferência Oeste. Tudo é muito inicial. Times como Houston Rockets e Oklahoma City Thunder – que definitivamente possuem capacidade de jogar os playoffs - por um exemplo, estão em colocações piores do que a nossa. Por isso, não deve haver motivo para pânico. Apesar dessa consideração, é fato que o Lakers já mostrou algumas atitudes que devem ser observadas e mudadas (apesar da pequena amostragem) e outras que devem ser aperfeiçoadas. Com isso, trazemos agora o primeiro "Lakers em três pontos" do ano. Vamos analisar um ponto negativo, um positivo e um a melhorar (além do negativo) da última quinzena. Saca só!

    Ponto negativo: O Lakers tem extrema dificuldade em finalizar partidas

    Não à toa, um dos principais objetivos de Magic e Pelinka durante a última agência livre foi trazer jogadores veteranos e mais "cascudos". São dois os motivos para isso: em primeiro lugar, nosso elenco era extremamente jovem e inexperiente. Com a vinda de LeBron James, se fez necessário adicionar alguns jogadores com mais "rodagem" na liga para assumir responsabilidades quando as dificuldades viessem; em segundo, nas palavras do próprio LeBron, para ter chances de ganhar a liga, atualmente, é preciso possuir um elenco "duro", brigador, resistente (tough).

    Com essa mentalidade, trouxemos Rajon Rondo, Lance Stephenson, JaVale McGee e Michael Beasley, além, é claro, de LeBron. Todos esses veteranos, apesar de terem sido contestados pela torcida e analistas, possuem uma clara característica em comum: todos são durões. Nosso elenco jovem já tinha a experiência de perder em finais de partidas (e muito). Tentamos colocar a bola na mão de Brandon Ingram, de Lonzo Ball, Kyle Kuzma, Josh Hart, Jordan Clarkson, Julius Randle e etc. Nenhuma dessas opções apresentou uma consistência.

    Mesmo com as mudanças no elenco, impressionantemente, continuamos com a mesma dificuldade. Aliás, esse problema tem sido tão evidente que mereceu esse destaque em nossa lista, mesmo em meio a diversos outros pontos negativos, como rebotes, defesa e etc. Com exceção da vitória contra o Phoenix Suns (131x113), todos os outros jogos foram decididos nos minutos ou segundos finais. No primeiro jogo do ano, contra o Portland Trail Blazers, entramos no último quarto perdendo apenas de dois pontos de diferença (91x93). Faltando dois minutos para acabar o jogo, estávamos sete pontos atrás e não conseguimos buscar o resultado. "Ah, mas dois minutos é difícil para tirar sete pontos de diferença". Ah é? No jogo seguinte, contra o Spurs, a partida foi para o tempo extra graças a um grande arremesso de LeBron nos últimos segundos. A dois minutos do final, dessa vez, estávamos com seis pontos de frente (139x133). Nesse tempo, fizemos apenas três pontos. O Spurs fez dez.

    No jogo contra o Denver Nuggets, não fosse a aparição Messiânica do "doido" Stephenson, também teríamos perdido. No final do jogo, faltando seis minutos, quando começamos a querer entregar a partida, permitindo que o Denver abrisse oito pontos de vantagem (106x98), Lance fez duas bolas de três seguidas e acendeu a torcida e nosso time. Na partida contra o Minnesota Timberwolves, Jimmy Buttler pegou fogo no final, tudo bem. Contra o Dallas Mavericks, ontem, a situação foi patética. Faltando três minutos para o término do jogo estávamos com onze pontos de frente (100X111). Até o fim, nós fizemos apenas TRÊS pontos, ao passo que cedemos TREZE. Uma vitória com gosto de derrota (mas uma vitória).

    Seria cômico se não fosse trágico. O problema não são só os garotos. LeBron também tem deixado a desejar nos finais de confronto (o astro está 1/4 em lances livres importantes para finalizar partidas). Esse péssimo desempenho nos últimos minutos de jogos está ligado ao nossos erros durante a partida e que se agravam conforme o jogo vai acabando.

    Positivo: Pontos no Garrafão

    Mesmo sem muito tempo entrosamento, poderíamos falar do ataque em geral. Vale lembrar, que durante quatro das oito partidas que tivemos, não pudemos contar com a equipe completa por conta das suspensões de Rondo e Ingram. Mesmo assim, em termos ofensivos, realmente temos sido destaque sendo o terceiro melhor time da liga (atrás apenas de Golden State Warriors e New Orleans Pelicans) com uma média de 121 pontos por jogo. Nessa área, os pontos feitos dentro do garrafão são, com certeza, nossa maior força.

    De toda a liga, somos a equipe que mais pontua dentro do garrafão. Dos pontos que fizemos até agora, 61% foram de arremessos de dois pontos (a segunda maior marca da NBA) e 52,1% foram na área pintada (primeiro colocado). Grande parte disso é em função do ritmo acelerado em que jogamos. Da nossa pontuação, 20,04% foi originada de pontos de contra-ataque, o que nos coloca também em primeiro da liga nesse aspecto.

    O mais curioso de tudo isso é que, nas derrotas, nossa porcentagem de pontos dentro do garrafão (52,8%) foi maior do que nas vitórias (50,8%). Isso quer dizer que, apesar de essa ser uma característica muito forte do nosso time, ela não é suficiente para nos garantir a vitória. Com certeza, fazer muitos pontos dentro do garrafão é uma arma que força os times a defenderem de forma diferente e que aumenta, via de regra, nosso aproveitamento de quadra. Apesar disso, devemos desenvolver outras características no ataque, justamente para poder dificultar ainda mais as defesas adversárias.

    Em uma perspectiva vitória x derrotas, o que mais fez diferença foram: os pontos originados de desperdícios da equipe adversária (20,5% x 14%), os de lance livre (14,8% x 12%) e bolas de dois pontos originadas de assistência (55% x 47,3%). Em outras palavras: temos que defender melhor, aproveitar melhor os lances livres e mover melhor a bola. Tudo isso é questão de disciplina técnica e treino. O que nos leva ao nosso terceiro e último ponto.

    Ponto a melhorar: Luke Walton

    O técnico tem dividido opiniões, até mesmo dentro da equipe do LABR. Isso é normal, principalmente porque em alguns momentos ele vai muito bem, ao passo que em outros, ele vai muito mal. Vamos analisar as maiores críticas e elogios ao treinador.

    Críticas: sem sombra de dúvidas as maiores críticas são as rotações e a falta de experiência. Em relação as rotações, o técnico erra muito, principalmente no final do jogo. A escalação titular é realmente a mais aceitável, inclusive sendo a que possui o melhor NETRTG – diferença entre a eficiência ofensiva e defensiva - (19.6) dentre as que tem mais minutos. Contudo, praticamente todas as demais rotações mais utilizadas, possuem NETRTG negativo, ou seja, tomam mais pontos do que fazem. A terceira rotação mais utilizada até agora, por um exemplo, (James, Stephenson, Ball, Kuzma e Hart) possui um NETRTG de -24.6. Dentro desse assunto, muitos também criticam a quantidade de tempo que Luke deixa jogadores importantes esfriando no banco, como Ingram, James, Ball e etc.

    Quanto a experiência, novamente, o técnico tem sido muito criticado por conta, justamente, das partidas em que perdemos nos momentos finais. De acordo com o próprio site da NBA, o Lakers ocupa a 24ª posição em termos de aproveitamento no clutch time, que é o momento decisivo (tendo jogado 7 partidas que chegaram nesse momento, vencendo apenas duas). Essa estatística engana um pouco porque alguns times que estão piores que a gente, por um exemplo, o Cleveland Cavaliers, chegou nessa hora do jogo apenas em uma partida e perdeu. Ou seja, nossa 24ª posição pode ser considerada uma das piores. Luke parece não conseguir desenhar jogadas eficientes nesses momentos e muitos questionam se ele realmente estaria preparado para treinar LeBron James, sendo que ambos foram draftados no mesmo ano, inclusive.

    Em termos de elogios, pode-se dizer que o técnico tem a mentalidade correta de jogo. Os pontos principais na filosofia do treinador são: que o Lakers deve defender muito, correr muito, passar muito a bola e cometer poucas faltas. Pode parecer óbvio, mas nem todos pensam assim. Mike D’Antoni, por um exemplo, tem um dos piores times defensivos da liga, o Rockets, não liga para isso. Luke agrada muito a LeBron e os outros veteranos pregando a defesa, justamente pelo mantra que é repetido incansavelmente na NBA (“ataque ganha jogo e defesa ganha campeonato”). De acordo com as notícias norte americanas, Magic teve uma conversa com Luke depois das derrotas seguidas fora de casa. Para os analistas, foi jogada uma pressão no técnico indicando que o Lakers deve ganhar agora, e não mais tarde (muitos dizem que Walton é passivo demais).

    De qualquer forma, apenas oito jogos aconteceram, e como dito, é muito cedo para tomar atitudes (como demitir o técnico, ou fazer trocas). Apenas um jogo atrás tivemos o elenco completo à disposição do treinador, com a volta de Mo Wagner. Não há motivo para preocupações, mas também não existam tantos motivos para ficar feliz, o que por si só já é desagradável. Vamos ver como a próxima sequência de jogos será.

    Fala aí!