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    Guilherme Borges

    21 de Maio de 2019 por Guilherme Borges

    Não faz muito tempo que Magic Johnson surpreendeu o mundo de basquete com a notícia de que estava deixando a Presidência da Operação de Basquete do Los Angeles Lakers. Daí pra lá, muitos rumores, notícias, fofocas, e comentários tomaram conta da franquia. O caos se instalou e os tiros vieram de todos os lados: a diretoria ficou perdida na contratação de um novo técnico; os jogadores começaram a se perguntar o que tinha acontecido; um lugar ficou vago na “cadeia de poder”; e Jeanie & Cia passaram a ser largamente criticados por toda a mídia norte americana.

    Nem tinha o corpo esfriado ainda quando Magic decidiu vir a público para jogar mais pimenta nessa guacamole toda. A lenda do Lakers falou e não foi pouco. No programa de seu amigo, First Take de Stephen A. Smith, Johnson machucou Pelinka e, junto com ele, a agência livre do time de Los Angeles.

    No primeiro momento da entrevista, Magic pareceu bem político: começou agradecendo Jeanie Buss dizendo que a negociação entre eles foi muito franca. Jeanie sabia que Magic não estaria sempre na franquia, já que não deixaria seus negócios, mas, mesmo assim, deu poder de decisão para o Presidente. Em seguida, o discurso começou a mudar. Magic disse que Jeanie apresentou Pelinka a ele e que o primeiro ano foi ótimo:

    “Nos concentramos na folha salarial pois estávamos muito acima do teto. Essa foi nossa estratégia. Trocamos alguns jogadores, pegamos algumas escolhas no Draft. D’Angelo (Russell) já era um ótimo jogador mas teve um problema com “Swaggy P” (Nick Young) então eu sabia que tínhamos que trocá-lo. A escolha que conseguimos se transformou em Kyle Kuzma então nos sentimos bem. Escolhemos Lonzo em segundo, e sei que você (Stephen A. Smith) é contra, mas podemos discutir porque ele é armador incrível e “faz tudo”.

    Até aí, tudo bem. Logo em seguida, contudo, Johnson soltou as bombas em cima de Rob Pelinka, General Manager, do Lakers e da diretoria da franquia como um todo:

    “A partir daí comecei a ouvir: Magic você não está trabalhando o bastante. As pessoas começaram a dizer que Rob [Pelinka] estava “fofocando por aí”, falando mal de mim pelas minhas costas e eu não gostei disso. Começou a chegar nos meus amigos de fora de basquete. Estando 40 anos no mundo dos negócios eu tenho amigos, tenho aliados (...). Tive que passar a controlar os irmãos Buss (Joe e Jessy) que estavam querendo mais poder na franquia. Não tinha problema em ajuda-los, mas eles achavam que mereciam estar na minha posição e na de Rob”

    Depois desse momento, Magic passou a deixar claro quando as coisas começaram a piorar ainda mais:

    “Eu queria demitir Luke Walton. Nós tivemos três reuniões e eu mostrei as coisas que ele fazia bem e as coisas que ele não fazia bem. Eu gosto dele, ele é ótimo, ex jogador do Lakers e tudo mais, mas precisamos demiti-lo. Primeira reunião nós pensamos sobre isso. Na segunda, me foi dado o aval para demitir Luke. Na terceira reunião, disseram que devíamos tentar arrumar as coisas. Foi muita indecisão até que trouxeram Tim Harris (COO do Lakers) e ele queria manter Luke porque eles são amigos. Eu achava que eu só tinha que dar satisfações à Jeanie. Foi nesse momento que eu sabia que tinha que ir embora: eu tinha pessoas falando mal de mim nas minhas costas e não tinha tanta liberdade e poder quanto eu achei que tinha para tomar as decisões. Eu disse para ela: quando não é divertido para mim. Se eu não tenho poder de decisão, então eu estou fora.”

    Stephen A Smith, que obviamente queria mais atenção e mídia em cima dele, retomou o assunto de Rob Pelinka dizendo: vamos voltar à traição de Pelinka. A facada que ele te deu nas costas, porque foi isso que você disse. Stephen foi enfático na pergunta: só Pelinka te traiu? A resposta:

    “Sim, mas eu não ligo para esse tipo de conversa. O que eu sempre busco é me divertir no trabalho, e isso não estava acontecendo mais. Eu disse para Pelinka no segundo ano que meu plano era ficar apenas três anos. Eu estava preparando ele para minha função, não ligava que ele queria meu cargo. E ele começou a me trair. Você sabe quantos agentes me ligaram e disseram ‘tome cuidado com ele’ quando eu consegui o cargo? Eu quis dar a chance para ele. Ele é inteligente, trabalha duro e agora o cargo é todo dele.”

    Magic foi seco. Mudou a feição. Nem seu sorriso de iluminação solar conseguiu esconder o que realmente aconteceu. São dois problemas nas declarações de Johnson: o primeiro deles é que a diretoria e o Lakers como franquia não parecem a fim de responder. Pelinka, na coletiva de introdução de Frank Vogel simplesmente ignorou os comentários de Magic e se limitou a dizer que é um assunto chato e que não tem nada a falar. Magic pode dizer o que for, vai ser a versão de um lado só. O segundo problema é que a agência livre está batendo na porta do Lakers e ela, se a pessoa que responder a batida for um traidor, qual a chance de uma estrela querer entrar? As irresponsáveis declarações de Magic podem prejudicar o Lakers e isso era tudo que não queríamos ou precisávamos neste momento.

    Além desse assunto, Magic também tocou inúmeros outros temas delicados. O ex- presidente falou sobre os movimentos de agência livre e janela de transferência que fez – e disse que acredita ter errado apenas com Brook Lopez. Afirmou que Julius Randle não iria ficar em LA de qualquer jeito e que a troca de Ivica Zubac não foi um erro já que o garoto fez um barulho no começo pelo Clippers mas depois foi ignorado e nem jogou nos playoffs.

    Falou também que não se arrependeu do que tentou fazer para adquirir Anthony Davis e que tentou negociar tudo em particular, mas que Dell Demps, então GM do New Orleans Pelicans, vazou as informações para a mídia.

    Ao fim, falou sobre LeBron James. Magic afirmou que a estrela dava sugestões à diretoria mas respeitava muito a hierarquia do Lakers. Para Johnson, a maior influência do astro é fora de quadra, ensinando os jogadores a serem profissionais:

    “Ele fez Kyle Kuzma melhor. Ele fez Brandon Ingram melhor. O jeito que LeBron aborda o jogo, o jeito que ele treina. Os jogadores começam a olhar para ele e pensar ‘eu tenho que melhorar’. Lonzo passou a se destacar com ele, assumiu responsabilidades. LeBron influenciou muito ele, ensinou a ser profissional. A primeira pessoa para quem Lonzo ligou depois de ter problemas com o responsável pelos seus negócios foi James.”

    Quando perguntaram se o Lakers tinha chance de trocar LeBron James, Magic riu e afirmou incisivamente: “Sem chance”. E disse mais. Afirmou ainda que “LeBron quer ser o cara a trazer a franquia para um campeonato.

    Depois de um mês longe do cargo, Magic continua igual: um inconsequente com um grande sorriso, contagiante e falastrão. Dessa vez, ele “mordeu” de um lado, criticando duramente a diretoria e Rob Pelinka, e “assoprou” do outro, elogiando o núcleo jovem do Lakers e afirmando que LeBron iria atrair mais uma estrela à franquia. Com o tempo, veremos se foi a mordida que foi mais dolorosa ou se foi o sopro que foi mais suave.

    Fala aí!