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    Ricardo Romanelli

    23 de Abril de 2020 por Ricardo Romanelli

    Em 2000, a NBA parecia estar num momento de mudança de gerações. Depois de uma década de dominância do Chicago Bulls de Michael Jordan, os anos 90 terminaram com um locaute nas negociações entre jogadores e donos de time, que resultou em encurtamento da temporada 1998-99.

    Isso deu tempo para que o Lakers colocasse as coisas em ordem e assumisse o protagonismo dessa nova era que se anunciava na NBA. A dupla Shaquille O’neal e Kobe Bryant já estava na equipe desde 1996, mas ainda não tinham conseguido vencer nos playoffs.

    Para 1999-2000, a ordem era vencer a qualquer custo. Para isso, o GM Jerry West contratou Phil Jackson, técnico hexacampeão da NBA com o Bulls. O time, que também adicionou peças importantes, como Glen Rice, A.C Green, Brian Shaw e Ron Harper, construindo um núcleo veterano de qualidade ao redor de Shaq e Kobe com atletas perfeitos para o esquema do triângulo ofensivo de Phil Jackson.

    O time atropelou tudo e todos durante a temporada regular, alcançando 67 vitórias e 15 derrotas, a melhor campanha da NBA. Shaq foi eleito MVP da liga com 29,7 pontos, 13,6 rebotes e 3 tocos de média. Kobe ficou no All-NBA Second Team e no All-Defensive First Team. O Lakers parecia finalmente destinado a vencer.

    Nos Playoffs, depois de uma série mais disputada que o esperado contra o Sacramento Kings no primeiro round, o Lakers passou tranquilamente pelo Phoenix Suns na segunda rodada e chegou até a Final do Oeste, contra o Portland Trail Blazers.

    O time do Oregon tinha feito excelente campanha de 59 vitorias e 23 derrotas na temporada regular, e contava com um time de veteranos testados e jovens talentosos que incluía Scottie Pippen, Arvydas Sabonis, Rasheed Wallace e Damon Stoudamire, entre outros.

    A série foi disputadíssima, e chegou ao que muitos analistas previam: um decisivo jogo 7 em Los Angeles. Jogando diante de sua torcida, o Lakers só precisava vencer este jogo para voltar às Finais da NBA depois de quase uma década.

    No último período, parecia um filme de terror, mas logo viraria um thriller digno de Hollywood. O Lakers perdia por 15 pontos com 10 minutos por jogar, e o veterano time do Blazers tinha o controle da partida.

    Depois de um pedido de tempo, o Lakers voltou focado para a quadra e decidido a virar o jogo. Com marcação dupla em Shaq, o pivô foi obrigado a abrir passes no perímetro. Brian Shaw estava a postos e converteu bolas de três importantíssimas, assim como Robert Horry. No outro lado da quadra, Kobe segurou o ataque do Blazers no perímetro, e com uma performance defensiva histórica ajudou a parar 12 arremessos seguidos do time de Portland.

    No minuto final, já no controle do jogo, Kobe fez a icônica ponte aérea para Shaq que deu ao Lakers a vantagem definitiva. O narrador grita: “Kobe...to Shaq!” e o Staples Center vem abaixo. No final, 89 x 84 Lakers, com direito a invasão de quadra dos torcedores e passagem carimbada para as Finais, onde o time derrotaria o Indiana Pacers no primeiro título de seu tricampeonato.

    O Staples Center foi inaugurado nesta temporada, e viveu este jogo tão icônico já no começo de sua vida útil. Era um belo prenúncio de todas as alegrias que o torcedor do Lakers teria em sua nova arena.

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