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    Lucas Fuson

    06 de Abril de 2020 por Lucas Fuson

    A história desse jogo começa dois anos antes. Em 2008, após um hiato de 21 anos, a NBA receberia pela 11ª vez nas finais, a maior rivalidade da liga. O Lakers acabara de adquirir Pau Gasol e estava com um espírito renovado para chegar às finais. Os Celtics trouxeram Kevin Garnett e Ray Allen para juntar forças com Paul Pierce e Rajon Rondo. O cenário para os fãs do esporte não poderia ser melhor. Infelizmente, para nós, fãs dos Lakers, foi visto que esse novo elenco ainda não estava preparado para este embate. No sexto jogo era tudo ou nada para a equipe de Los Angeles, mas o nada foi muito maior do que imaginávamos. O que se viu foi uma derrota humilhante. O Lakers voltou para casa perdendo por 39 pontos de diferença e o Celtics foi campeão da NBA.

    Esse jogo serviu de combustível para o time californiano, que no ano seguinte teria sua vez de brilhar. Liderado pelo eterno Laker Kobe Bryant, que pode contar com o apoio de seus companheiros para chegar mais uma vez às finais e vencer facilmente o Orlando Magic em 5 jogos.

    Mas o adversário que eles realmente queriam reencontrar nas finais eram os Celtics, e isso aconteceu no ano seguinte, em 2010. Ainda com o gosto amargo da derrota em 2008, o Lakers entrou nas finais com sangue nos olhos. O que se viu nesses 7 jogos foi uma verdadeira luta e uma aula de defesa. Provavelmente foi a última final onde a defesa foi um fator tão primordial para as duas equipes. Após seis jogos emocionantes, como uma derrota em casa no segundo jogo, onde Ray Allen converteu 8 bolas de três, o recorde até então em um jogo de finais, ou ainda o jogo em Boston em que Derek Fisher liderou o time com o coração para vencer fora de casa, o jogo final não poderia ser menos extraordinário e disputado.

    Logo no começo do jogo o que se viu foi muito nervosismo e força física pelas duas equipes. Os primeiros pontos do Lakers vieram de um rebote ofensivo de Pau Gasol dentro do garrafão, fortemente defendido por três Celtas, que deu um tapa para a bola chegar nas mãos de Derek Fisher para converter uma bola de três.

    Os Celtics montaram um esquema de dobrar a defesa em Kobe toda vez que ele pegava na bola, gerando arremessos dificílimos e errados pelo astro de Los Angeles. Já que ele não conseguiria pontuar como de costume, ele adaptou seu jogo para contribuir os seus adversários de outra maneira não habitual: rebotes (15).

    Neste cenário, onde Kobe estava bloqueado pelo nervosismo e pela forte defesa adversária, o ataque do Lakers encontrou duas maneiras de se manter no placar. Uma delas foram os rebotes ofensivos. Mesmo que estivessem amassando o aro, o time da casa conseguia segundas oportunidades de marcar. Outra foi uma um pouco inesperada: Ron Artest (que ainda não tinha evoluído pra Metta World Peace). Em um cenário onde todos pareciam nervosos, ele se mostrou muito concentrado e focado. Já que a defesa do Celtics se concentrava em anular os jogadores mais perigosos ofensivamente, Artest se viu na oportunidade de converter bolas mais “fáceis”. Além disso, na defesa infernizou Paul Pierce, mostrando o porquê foi contratado.

    No último período o jogo ficou ainda mais pegado. Isso permitiu ao Lakers ir mais vezes a linha de lance livre. Kobe conseguiu converter bolas importantes e o time Angelino imprimiu uma sequência de 9-0. Faltando 1 minuto para o final, com o Lakers a 3 pontos na frente, Ron Artest recebeu um passe de Bryant na linha dos três pontos, ali ele converteu a bola mais importante de sua carreira (jamais esquecerei os beijos que ele manda logo depois). Selando a vitória para o Los Angeles Lakers e o 16º título da franquia.

    Ao final, com um ataque “ruim”, anotando 23 pontos e 15 rebotes, o MVP das finais, Kobe Bryant e vários de seus companheiros que estiveram com ele em 2008, tiveram a vingança que gostariam. O Black Mamba declarou que aquele foi o mais especial dos títulos conquistados. Muito provavelmente pelo fato de estar entalada na garganta a derrota dois anos antes e por ter sido, sem dúvidas, a final mais difícil das 7 que ele jogou.

    Fala aí!