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    Eduardo Barão

    28 de Março de 2024 postado por Eduardo Barão

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    Ok. Ideal é uma palavra muito forte. Melhor quinteto possível neste momento talvez seja mais apropriado. Os Lakers sofreram com inúmeras lesões ao longo da temporada, que fizeram com que o time se parecesse cada vez menos com aquele que venceu o In-Season Tournament em dezembro.

    A grande dúvida da torcida - e de muitos fãs do basquete - é, se os Lakers tiveram tanto sucesso no passado, chegando até as Finais do Oeste, por que não voltar àquela formação? Se um time com Lebron, Davis, Reaves, Russell, Hachimura e Vanderbilt chegou tão longe, como Prince virou titular quando Vanderbilt se machucou ainda na pré-temporada?

    Parte da resposta vem da confiança de Darvin Ham em Prince: o técnico era um dos assistentes no Atlanta Hawks quando o ala começava sua carreira na NBA. E seu profissionalismo seguiu impressionando em Los Angeles, especialmente quando comparado ao de Rui Hachimura durante o training camp. Fontes próximas ao time afirmam que o japonês não correspondeu às expectativas no que diz respeito à sua postura como líder em quadra, de que ele não seria tão dedicado na defesa e nos treinos de maneira geral. Como cestinha, parte da comissão técnica dos Lakers acreditou que poderia ser melhor que Hachimura viesse do banco. Já Prince, de acordo com o próprio Ham, “é um cara que arremessa com muita tenacidade e também consegue marcar múltiplas posições”.

    Quando a temporada de fato começou, e os Lakers se viram no final da tabela, Ham optou por mandar Reaves e Russell pro banco, enquanto Prince seguia titular. Até dezembro, o terceiro, quarto e quinto jogadores mais bem pagos do elenco (Reaves, Russell e Hachimura) estavam vindo do banco - Prince, Reddish (dono de um contrato mínimo de veterano) e Vanderbilt eram os titulares com Lebron James e Anthony Davis.

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    Todos vimos as seguidas derrotas por mais de 10 pontos para o Houston Rockets e Atlanta Hawks, ambas fora de casa, no final de janeiro. Vimos todas as combinações possíveis com Prince, mas o jogo seguia sem encaixar.

    Nenhuma combinação funcionava para o time de Los Angeles, e a mentalidade e profissionalismo de Prince se revelaram ser muito mais no campo das ideias do que da realidade: até 31 de janeiro, o quarteto principal completado com ele tinha um saldo negativo de 10 pontos em 228 minutos, uma marca horrorosa para um time titular. Sozinho, ele tem o pior plus-minus da equipe, com -138, mesmo tendo jogado boa parte de seus minutos ao lado de Lebron James. No fim das contas, os Lakers são piores com ele do que com Hachimura.

    A ideia para enfrentar o líder absoluto da temporada Boston Celtics em 1º de fevereiro era corrigir rota, trazer Jarred Vanderbilt de volta para a rotação principal, no lugar de Taurean Prince. Mas já no aquecimento, as lesões de Lebron James e Anthony Davis sacudiram mais uma vez os planos na comissão técnica. E se perder os All Stars não era ruim o suficiente, ainda no final do primeiro tempo Vanderbilt foi ao chão – e sua volta às quadras nesta temporada segue improvável. Ele se junta a Christian Wood e Gabe Vincent no departamento médico de Los Angeles por tempo indeterminado…

    Sem Vanderbilt e com muitos jogadores sofrendo com lesões frequentemente, os Lakers foram testar a única peça diferente até então: Rui Hachimura como titular no lugar de Prince. Parecia um movimento desesperado, já que o japonês tinha apenas 140 minutos em quadra ao lado de Lebron e Anthony Davis na temporada, versus 785 de Prince. E deu liga. Vitória no jogo seguinte fora de casa contra o New York Knicks e uma campanha mais vitoriosa com Hachimura titular ao lado de Russell, Reaves, James e David.

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    O jogador reconheceu: “Como vocês podem ver, acho que está mais fluido, mais suave. Esse é literalmente o lineup dos playoffs do ano passado, e nós estamos tentando crescer a partir dele. Mas com as mudanças e as lesões, acabamos não jogando muito juntos. Agora finalmente voltamos a atuar juntos e as coisas voltaram a se encaixar de novo”.

    Sobre o novo quinteto, Lebron destacou na noite de 5 de fevereiro, quando venceram os Hornets fora de casa: “Estamos grandes, temos muito alcance, muito atleticismo, e Rui se encaixa bem conosco”.

    X da questão

    Os números não mentem. Até 20 de março, esse quinteto tinha um saldo positivo de 42 pontos em 260 minutos. É a combinação mais eficiente dos Lakers nesta temporada.

    O ataque se beneficiou muito com o japonês: sua capacidade de anular defensores menores fez com que seus companheiros também tivessem mais espaço, e se tornassem o primeiro quinteto titular a anotar pelo menos 20 pontos cada um em uma partida desde 1993.

    “Os caras maiores normalmente vão vir em mim, ou em Lebron, e às vezes tem um outro bom defensor no Russell. Então normalmente Rui acaba marcado por um cara menor e a gente tenta tirar vantagem disso”, afirma Anthony Davis.

    A limitação acaba sendo na defesa. Hachimura, com 2.03 e mais de 100kg, não tem o porte necessário para marcar armadores ágeis e atléticos. Mas seus companheiros creem que ele pode sim dar conta do serviço. Nas palavras de Davis, “Ele já marcou Jokic, Antetokounmpo, Booker, Durant… Temos muita confiança em Rui na ponta defensiva, ele já mostrou que consegue encarar esses matchups”.

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    A temporada dos Lakers não terminou ainda. Atualmente na zona de play-in e com pouco otimismo de boa parte da torcida, ainda contam com a improvável volta de Vanderbilt para uma eventual campanha de playoff. Mas para chegar lá, ainda precisam trabalhar melhor a rotação como um todo: o quinteto titular encaixou, mas cada um tem jogado no mínimo 30.8 minutos por jogo, e esse número não deve cair. Isso ainda se mais ninguém se machucar.

    A responsabilidade de Hachimura só aumenta nesse cenário. Nas palavras de Lebron James, “Ele é o X da questão, ele tem sido excepcional desde que passou a ser um titular".

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