O Lakers foi completamente superado pelo Boston Celtics neste domingo. A derrota por 111 a 89 já tinha escancarado a diferença entre os dois times em intensidade e organização. Agora, com mais detalhes pós-jogo, fica claro: o maior problema foi o ataque.

O aproveitamento foi desastroso: apenas 39,1% nos arremessos de quadra e 30% nas bolas de três. O time produziu só 18 assistências e pífios nove pontos de contra-ataque, jogando sem ritmo, sem urgência e sem a mínima sensação de controle sobre o que fazia com a bola na mão. Enquanto isso, o Celtics ditou o ritmo, a fisicalidade e o tom geral da partida.

O técnico JJ Redick não amenizou em sua avaliação.

“Nós fizemos o suficiente defensivamente — nós fomos simplesmente horríveis ofensivamente hoje”, disse Redick.

Redick aponta problema de tomada de decisão: muitos arremessos ruins de meia distância

Mais do que a bola não cair, o que incomodou Redick foi o tipo de arremesso que o Lakers escolheu ao longo do jogo. Para ele, o time desperdiçou chances de atacar mais a cesta e forçar a defesa de Boston a colapsar.

“Houve oportunidades, eu acho, de colocar mais pressão no aro, particularmente no primeiro tempo. Nós tentamos 11 arremessos de dois fora do garrafão (non-paint 2s). Fomos 13 de 29 em arremessos de dois no garrafão, mas não na borda (non-rim paint 2s), então isso normalmente não é o que a gente chuta. Tivemos alguns bons looks de três, não convertemos. Você precisa acertar arremessos nessa liga.”

Traduzindo: o time ficou preso numa zona morta da quadra — nem atacou o aro com agressividade consistente, nem transformou essas posses em bolas de três de alta qualidade. A consequência foi um ataque morno, com pouco volume de lances livres, poucas infiltrações realmente perigosas e muita posse desperdiçada em arremessos de baixo retorno.

Pontos no garrafão abaixo da média e rebotes expõem falta de força física

Nos pontos no garrafão, o Lakers até não foi atropelado no boxscore: fez 42 pontos na área pintada, contra 48 do Celtics. Mas o contexto deixa o número mais preocupante: na temporada, o Lakers média 51,7 pontos no garrafão por jogo. Ou seja, ficou quase 10 pontos abaixo do próprio padrão.

Essa queda de produção perto da cesta se conecta diretamente com outro problema da noite: os rebotes. O Lakers foi superado em 11 rebotes, o que:

  • limitou drasticamente as oportunidades de transição e ataques em velocidade (apenas 9 pontos de contra-ataque);
  • cedeu ao Celtics 17 pontos de segunda chance, enquanto o Lakers obteve somente seis.

Em outras palavras, o time não pontuou como de costume no garrafão, perdeu a batalha física nos rebotes e ainda deixou o adversário castigar com segundas oportunidades. Em uma noite em que o ataque de meia quadra já estava travado, não ter a válvula de escape da transição e da força na tábua transformou a partida em uma escalada quase impossível.

Derrota como espelho: o que o jogo contra o Celtics revela sobre o Lakers

O revés para o Celtics não foi “apenas uma derrota ruim”. Ele funcionou como um espelho para alguns dos problemas estruturais do Lakers:

  • quando o ataque estaciona em meia distância contestada, o time perde totalmente a identidade;
  • sem dominar o garrafão e os rebotes, o Lakers vira um ataque engessado, fácil de ser controlado por defesas físicas e bem treinadas;
  • a falta de urgência e ritmo com a bola na mão faz o time parecer pesado, previsível e dependente demais de lampejos individuais.

Mesmo em um Oeste ainda muito embolado, se o Lakers quiser sair da conversa de “time perigoso” para a de contender real, noites como a de domingo precisam virar exceção absoluta — e, mais importante, precisam servir de manual de tudo o que o time não pode repetir quando a temporada apertar de vez.