A saída dos irmãos Buss do comando do Los Angeles Lakers já vinha sendo tratada nos bastidores como o início de uma nova era. Mas, com a recente onda de demissões, incluindo boa parte do departamento de scouts, esse processo de ruptura ganhou rosto e voz. Em uma fala carregada de frustração, Jesse Buss detalhou como seu desligamento expôs um distanciamento crescente entre a nova liderança e quem ajudou a construir o núcleo esportivo da franquia.

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Demissão anunciada, mas ainda assim dolorosa

Jesse Buss em treino do Lakers

Dentro da organização, muitos viam a reestruturação como questão de tempo após a venda da franquia no começo do ano. O movimento que varreu o setor de scouting não foi exatamente uma surpresa estratégica, mas a forma como aconteceu deixou marcas.

Jesse Buss foi direto ao ponto ao comentar sua demissão. Ele admitiu que “via isso chegando”, mas deixou claro que a maneira como tudo se desenrolou o abalou. Segundo ele, o problema não foi apenas a decisão em si, mas o silêncio da liderança no período que antecedeu o corte.

Em suas palavras, ele foi “pego de surpresa pelo momento, não pelo fato em si”. O que mais pesou, disse, foi a falta de comunicação em um ambiente que, durante anos, se orgulhou de ser construído em cima de diálogo entre dono, front office e departamento técnico.

Um afastamento construído ao longo dos anos

Jesse e Joey Buss em treino do Lakers

Em seu desabafo, Jesse descreveu uma ruptura que, segundo ele, não nasceu da noite para o dia. Ele falou sobre um “distanciamento” crescente entre o topo da hierarquia e a equipe de avaliação de talentos, algo bem diferente do que vivenciou em outras fases da franquia.

Antes, as decisões passavam por conversas, trocas constantes de informação e debates sobre perfis de jogadores, encaixes e caminhos para o futuro. Nos últimos tempos, segundo Buss, o padrão mudou: ele deixou de receber dados estratégicos, passou a ser menos consultado e percebeu escolhas sendo tomadas sem as discussões que antes eram rotina.

A mensagem para ele foi clara: o espaço que ocupava dentro do plano esportivo do Lakers estava encolhendo. E a demissão, na visão de Jesse, apenas oficializou uma sensação que já vinha se formando há bastante tempo.

Defesa do legado e da contribuição esportiva

Ao falar sobre sua saída, Jesse Buss fez questão de defender o próprio histórico. Ele lembrou jogadores que ajudou a mapear, apostar e bancar em reuniões internas, além do impacto que essas decisões tiveram em diferentes rotações do time ao longo dos anos.

Sem entrar em listas de nomes ou autoelogios exagerados, ele resumiu assim: “Eu sei o que trouxe para o Lakers. E sei que o trabalho fala por si. Isso ninguém tira de mim.” A frase reforça a sensação de que, para ele, o rompimento não foi apenas profissional, mas emocional, um corte em laços construídos ao longo de anos dentro de uma organização familiar.

Nova direção, novas prioridades e laços desfeitos

O contexto da demissão de Jesse Buss vai além de uma mudança pontual no departamento de scouts. Ela acontece em meio a uma reconfiguração completa do Lakers após a mudança de donos, com prioridades redefinidas em alta velocidade e antigos pilares sendo substituídos por novos processos e pessoas de confiança da atual gestão.

A fala de Jesse funciona como uma janela para a dimensão humana dessa transição: por trás de organogramas e powerpoints, há profissionais que ajudaram a formar elencos competitivos vendo, de repente, seus papéis encolherem até sumirem. Laços que pareciam garantidos em um regime familiar agora já não encontram o mesmo espaço em um modelo mais corporativo.

Ao mesmo tempo, o movimento sinaliza que essa “nova versão” do Lakers está disposta a romper até com sobrenomes historicamente ligados ao sucesso esportivo da franquia, em nome de uma identidade própria. O grande ponto de interrogação, a partir daqui, é simples e pesado: que tipo de time em cultura, tomada de decisão e visão de longo prazo, esse novo comando pretende construir?

O que vem pela frente para o Lakers

Enquanto o time em quadra segue competitivo e com campanha forte no Oeste, os bastidores vivem um momento de redefinição profunda. A saída de Jesse Buss ajuda a revelar que a transição de era não é apenas cosmética: envolve método, pessoas e até o modo como o clube enxerga sua própria história.

A partir de agora, cada movimento na diretoria e no scouting será observado com lupa. Não apenas pelos resultados imediatos de quadra, mas pelo que vão dizer sobre o tipo de franquia que o Lakers pretende ser em um cenário pós-Buss, e se esse novo modelo conseguirá replicar, ou superar, o sucesso construído sob a antiga gestão.