A falta de consistência na posição de pivô segue sendo um problema crônico do Lakers, e a atual temporada só reforçou essa narrativa. A aposta recente da franquia foi em Deandre Ayton, ex–primeira escolha geral de Draft, contratado na última offseason para dar estabilidade ao garrafão e se tornar um encaixe de longo prazo ao lado de Luka Doncic. Mas o plano ainda não saiu como o esperado.
As atuações de Ayton têm sido irregulares, alimentando dúvidas sobre seu papel e o futuro em Los Angeles. Nesse cenário, quem começou a ganhar espaço – silenciosamente, mas com impacto – foi o reserva Jaxson Hayes. E, nas últimas semanas, não foi só dentro de quadra que ele deu um passo importante: fora dela, uma decisão inteligente pode ter aproximado de vez seu destino ao de Doncic.
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Hayes vira esloveno e fortalece elo com Luka Doncic
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Relatos recentes indicavam que Jaxson Hayes estava nos estágios finais para obter a cidadania eslovena, o que o habilitaria a defender a seleção do país ao lado de Luka Doncic. Agora, segundo Brian Windhorst (ESPN), o processo foi concluído: Hayes oficializou sua condição de esloveno e está apto a integrar o time nacional.
Windhorst resumiu o movimento com uma frase bem-humorada, mas cheia de subtexto:
“Jaxson Hayes completou a papelada para se tornar esloveno. Ele pode entrar na seleção da Eslovênia com o Luka, o que eu diria ser uma das coisas mais inteligentes que ele já fez, porque acho que ele basicamente assinou uma extensão de contrato em segredo.”
Obviamente, não se trata de uma extensão literal, mas da percepção de que alinhar seu futuro internacional ao de Doncic reforça muito a posição de Hayes dentro da organização. Em um time que pretende construir o presente e o futuro ao redor de Luka, qualquer jogador que se conecte a ele dentro e fora de quadra ganha pontos naturais na hierarquia interna.
Contrato curto, papel crescente e janela aberta no Lakers
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Jaxson Hayes chegou ao Lakers em 2023 com um acordo de dois anos e US$ 4,6 milhões. Depois, retornou na última offseason com um contrato de um ano, no valor de US$ 3,4 milhões. Ele será agente livre irrestrito neste verão, ou seja, livre para negociar com qualquer franquia.
Até aqui, Hayes vinha sendo visto como um reserva confiável em minutos limitados. Mas o desempenho recente indica que ele está, aos poucos, cavando um lugar mais sólido na rotação:
- Na temporada (45 jogos): 6,9 pontos, 3,9 rebotes, 1,0 assistência, com 77,2% de aproveitamento nos arremessos de quadra – o melhor índice da carreira.
- Nos últimos 5 jogos (com Ayton lesionado): 11,8 pontos, 4,8 rebotes, 2,3 assistências e 1,0 roubo em pouco mais de 21 minutos por partida.
O ponto alto dessa sequência veio no último jogo antes do All-Star break, contra o Dallas Mavericks. Hayes fez talvez sua atuação mais completa na temporada: 16 pontos, 7 rebotes, 4 assistências, 3 roubos, 1 toco e plus/minus de +26, o melhor do time. Foi o tipo de jogo que acende o radar de comissão técnica e dirigentes para além de “só um backup energético”.
Ayton ainda é o titular, mas a disputa no garrafão esquentou
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Mesmo com a boa fase de Hayes, mexer no quinteto titular não é simples. Deandre Ayton ainda chega com o selo de ex–pick 1, é o titular de ofício e já demonstrou incômodo com o papel ofensivo que vem tendo. Mudar sua função de maneira brusca pode gerar ruído no vestiário, além de impactar o valor de mercado do jogador.
Ao mesmo tempo, a realidade em quadra fala alto: quando Ayton esteve fora, o ataque ao redor de Luka Doncic ganhou mais dinamismo com Hayes, que corre mais a quadra, é mais ameaçador em situações de lob e precisa de bem menos bola na mão para ser eficiente. Defensivamente, ele não é um protetor de aro de elite, mas entrega energia, mobilidade lateral e capacidade de trocar em certas situações de pick-and-roll.
Isso coloca o Lakers numa encruzilhada:
- Manter Ayton como titular e usar Hayes como arma de mudança de ritmo; ou
- Testar rotações com Hayes fechando jogos em determinados matchups, reforçando o peso de performance recente;
- Abrir o mercado para Ayton no futuro, caso se confirme que o encaixe ideal com Luka pede outro tipo de pivô.
Lakers terá cap para mexer no garrafão – com Hayes na frente da fila?
Do ponto de vista financeiro, o Lakers não está engessado. De acordo com Bobby Marks (ESPN), a franquia projeta cerca de US$ 51 milhões em espaço de cap na próxima offseason, mesmo considerando o hold de US$ 20,9 milhões de Austin Reaves. Ou seja, há munição para atacar o mercado.
O colega de Marks, Kevin Pelton, já apontou a posição de pivô como uma das maiores prioridades do elenco. Isso vale tanto:
- para uma eventual aposta em um pivô de nível mais alto, via free agency ou troca;
- quanto para uma reconfiguração interna, decidindo entre segurar Hayes, reavaliar Ayton ou ir atrás de outro perfil complementar a Doncic.
Ayton, por sua vez, tem uma player option de US$ 8,1 milhões. Dependendo de como a temporada terminar, ele pode optar por permanecer e tentar uma “temporada da virada” ou testar o mercado em busca de novo começo. Em qualquer um dos cenários, o Lakers precisa decidir se enxerga nele o pivô ideal para o projeto com Luka ou se é a hora de recolocar essa posição em aberto.
Por que Hayes ganhou moral real na análise de futuro
Para Jaxson Hayes, o momento não poderia ser muito melhor. Ele chega à reta final da temporada com:
- Números em alta, especialmente com minutos ampliados;
- Encaixe funcional com Luka, correndo bem em transição, finalizando pick-and-roll e não exigindo protagonismo ofensivo;
- Conexão extra com Doncic via seleção eslovena, algo que pesa politicamente dentro da franquia;
- Status de agente livre, podendo negociar um novo contrato – no Lakers ou em outro lugar – vindo de boa fase.
Mesmo que o Lakers opte por buscar outro pivô de maior impacto, Hayes já fez o suficiente para, no mínimo, ser considerado uma peça útil de rotação na posição 5, especialmente se o valor do contrato estiver alinhado ao papel que ele desempenha.
Se a franquia decidir que a melhor solução é um garrafão mais leve, móvel e alinhado ao estilo de Doncic, Hayes entra forte na conversa para permanecer como parte do núcleo. De qualquer forma, ele transformou uma vaga de “reserva pontual” em um debate sério sobre qual deve ser, de fato, o plano do Lakers para a posição de pivô.