Entre Lakers e Mavericks, Klay Thompson apostou no Texas e deixou passar a chance de jogar ao lado de Luka Doncic em LA. Meses depois, a decisão parece um tiro no pé.

No verão de 2024, Klay dividiu sua decisão entre Lakers e Mavericks. Seduzido pela dupla DoncicKyrie Irving e por uma rota “mais curta” ao título, fechou por três anos e US$ 50 milhões via sign-and-trade. O roteiro desabou quando, no meio da temporada, Nico Harrison trocou Doncic por Anthony Davis. Sem Kyrie (lesão no joelho) e com AD jogando pouco, Dallas capengou, caiu no play-in e hoje patina em 3–8, 14º do Oeste.

Individualmente, Klay vive o pior início de sua carreira: 7,4 pontos, 31,4% de aproveitamento geral e 26,7% nas bolas de três. Em menos de duas semanas, Jason Kidd o mandou para o banco para dar lugar a D’Angelo Russell. Para um veterano que procurava ambiente estável e papel claro, é exatamente o oposto.

Entre no grupo do Lakers Brasil no Telegram e acompanhe os bastidores em tempo real

E se Klay tivesse escolhido o Lakers?

Klay Thompson em partida do Mavericks

Não havia como prever a troca de Doncic para o Lakers, mas, se Klay tivesse vindo para LA, hoje estaria ao lado de um candidato a MVP e de um elenco que encontrou identidade sob JJ Redick. Havia, inclusive, conversa de um pacote maior (quatro anos/US$ 80 milhões). Em quadra, os minutos ao lado de Doncic e Austin Reaves reduziriam a carga de criação e devolveriam Klay ao papel ideal: espaçar a quadra, punir em catch-and-shoot e marcar alas/guards de elite em missões direcionadas.

Em vez disso, em Dallas, Klay herdou um ataque menos organizado, com menos vantagem gerada na meia quadra e um elenco em transição, agora orbitando o novato Cooper Flagg. Para uma lenda cujo valor reside na eficiência e na leitura sem bola, contexto é tudo.

O efeito dominó em Dallas e o que vem a seguir

A demissão de Nico Harrison é sintoma de um projeto que perdeu o prumo. O próximo passo lógico é decidir o destino de Anthony Davis e acelerar a reconstrução em torno de Flagg. Nada disso ajuda Klay no curto prazo. Aos 35, ele precisa de um ecossistema estável, roles definidos e criadores que atraiam duas na bola.

Lições para veteranos em busca do “quinto anel”

Para veteranos de elite, a pergunta chave não é “quem tem duas estrelas?”, e sim “qual sistema maximiza meu jogo hoje?”. O Lakers atual, com Doncic orquestrando, Reaves como conector e peças como Deandre Ayton, Marcus Smart e Jake LaRavia, oferece exatamente isso: volume de arremessos limpos, defesa coletiva e minutos relevantes quando a rotação encurta. Em Dallas, Klay virou peça de um quebra-cabeça que ainda não tem figura final.

Klay escolheu a narrativa do atalho ao título, mas o atalho desmoronou. Em LA, ele teria salário mais longo, função cirúrgica e um motor ofensivo gerando looks de alto valor. A janela para o “anel 5” ainda existe — só não está no endereço que ele imaginou em julho.