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    Carlos de Aquino

    16 de Junho de 2020 por Carlos de Aquino

    Nativo de Los Angeles, Gail Goodrich viveu a clássica história de Davi vs Golias. Sendo Gail, o Davi, e o Golias, sendo...praticamente todos os outros em quadra. Uma estrela desacreditada desde o High Shcool, por conta da sua estatura e peso, Gail superou todos os desafios impostos e se tornou um dos grandes jogadores da Liga e uma improvável estrela dos Lakers. Sem contar, que foi um dos envolvidos na vinda de Magic Johnson para os Lakers.

    HIGH SCHOOL

    Durante o ensino médio, defendeu as cores da Escola Politécnica John H. Francis. Onde já começou a se destacar, sendo o capitão e guiando o time ao título de 1961 do Campeonato de Escolas de Los Angeles (Los Angeles City High School Basketball Championship). E na final do campeonato, Gail marcou 29 pontos, apesar de ter lesionado o tornozelo no 3° quarto.

    COLLEGE

    Goodrich havia demonstrado interesse em se juntar a USC, onde seu pai já havia atuado e se destacado. Mas foi o lendário John Wooden que levou o pequeno armador (1,73 m) para a Universidade da Califórnia Los Angeles, UCLA, apesar da ligeira preocupação pela sua lesão no high school. Na temporada de 1963/64, comandou o time a uma temporada perfeita com um recorde de 30-0. Pela primeira vez, a faculdade teria alcançado esse feito, chegando ao título da NCAA.

    No ano seguinte, repetiram a dose e foram novamente campeões, vencendo a favorita Michigan State na final, com direito a 42 pontos do jovem Gail, conquistando um improvável bicampeonato. Em ambos os anos, Goodrich foi nomeado para o NCAA Final Four All-Tournament Team e se tornou o maior cestinha da história da UCLA (1,690 pontos). Ao fim do terceiro ano na liga universitária, Gail liderou o time para um recorde de 78-11.

    As principais características de Goodrich, já naquela época, eram o seu exímio controle de bola e a sua visão de quadra. Devido as suas limitações físicas, Gail desenvolveu uma habilidade incomum de pontuar com naturalidade em situações difíceis.

    O OUTRO CARA

    Gail Goodrich chegou à NBA desacreditado, como sempre. Já era considerado muito pequeno para o collegue e muito franzino para a NBA. Apesar das descrenças dos críticos, foi selecionado pelos Lakers via territorial pick. Durante os treinamentos, Elgyn Bylor o apelidou de “stumpy”, por conta do seu peso e pernas curtas. Nos primeiros anos dele em Los Angeles, ele foi claramente um jogador de rotação, durante a sua temporada de rookie, jogou 65 jogos e pouco brilhou, teve médias de 7.8 pontos. Já na sua segunda temporada, começou a ganhar mais tempo de quadra (23 mpg), dividindo com o seu ex companheiro de ULCA, Walt Hazzard. Nessa mesma temporada, chegou a anotar 30 pontos contra o Baltimore Bullets. Na temporada seguinte, a sua terceira com o manto roxo e dourado, os Lakers colocaram o segundanista, Archie Clark ao lado de Jerry West na armação, e Goodrich voltou a esquentar o banco. Por mais que Gail mostrasse potencial para se tornar um pontuador digno de dividir a armação com Jerry West, as dúvidas enquanto a sua capacidade física ainda deixavam a sua equipe técnica com um pé atrás.

    PIT-STOP EM ARIZONA

    Em 68, os Lakers perderam Goodrich para o Phoenix Suns em uma expansão de draft. A chegada em Phoenix não poderia ser melhor, Gail logo começou a brilhar, se tornando o queridinho da torcida e a cara da franquia. Pela primeira vez Gail se tornou titular. Na temporada 1968/69, teve 23.8 pontos de média, sendo o maior cestinha do seu time e o 6° da liga. O pequeno armador calou os críticos e também se colocou como 7° em assistências (6.4 apg) e se qualificando para o primeiro All-Star Game, em 1969.

    Na temporada seguinte, manteve médias parecidas, 20 pontos e 7.5 assistências de média. Apesar dos números, foi trocado de volta para os Lakers em troca do pivô de 2,13 m - Mel Counts. O então dono dos Lakers, Jack Kent Cooke, um admirador de Gail, ficou em êxtase com a volta do gatilho canhoto.

    TOUCHED BY GOLD, A VOLTA PARA L.A

    Los Angeles Lakers: 10 best shooting guards in team history - Page 10

    Sob o comando de Bill Sharman, Jerry West mudou a sua forma de jogar, se tornando um playmaker, tendo um a média de 9.5 assistências. Logo, a aquisição de Goodrich beneficiaria e muito a jogabilidade de West e consequentemente a de Gail. Na sua primeira temporada de volta a L.A. logo teve medias de 17.5 pontos, jogando agora, ao lado do “The logo”.

    Na temporada seguinte, 71/72, ficou para a história, agora com Gail como um dos protagonistas. Jogando todos os 82 jogos, teve a maior média da sua carreira, 25.9 pontos, incluindo 28 jogos de 30 pontos ou mais. Os Lakers foram praticamente imbatíveis, conquistando então recorde da NBA com 33 vitórias consecutivas, e liderados por Gail e seus companheiros futuros Hall da fama, Jerry West, Wilt Chamberlain e Elgin Baylor, uma somatória de 69-13, também recorde da liga (vindo a ser batido pelos Bulls de Michael Jordan 1995/1996). Stumpy foi o terceiro em porcentagem de lances livres (.850) e teve a sua segunda aparição no All-Star Game. Mas esse time dos sonhos não parou por ai, após chegarem nas Finais da NBA, derrotaram o New York Knicks em cinco jogos, sendo o primeiro título da NBA desde a saída de Minneapolis. Goodrich foi o cestinha da série com 25.6 pontos de média.

    Na temporada seguinte, Gail queria mostrar que o seu desempenho da última temporada não foi por acaso. Liderou novamente o time em pontos, com 23.9 de média e foi para o seu terceiro Jogos das Estrelas. Após derrotar Bulls e Bucks, chegou novamente as Finais da NBA, em uma reedição da última temporada, mas dessa vez os Knicks haviam aprendido a lição e marcaram Goodrich e o contra-ataque Angelino com eficiência, vencendo os Lakers em cinco jogos.

    Em 1973-74, Goodrich teve uma das melhores temporadas da sua carreira, liderando pela terceira temporada consecutiva o time em pontos e sendo selecionado para o All-NBA First Team. Os Lakers venceram a divisão do Pacífico, mas perderam nas semifinais da conferência oeste para o Milwakee Bucks, de Kareen Abdul-Jabbar.

    Entretanto, Gail manteve o alto nível de desempenho pelas duas temporadas seguintes. Chegando ao seu quinto e último All-Star Game em 1975, seu entusiasmo pelo time Angelino diminuiu. Pois após a aposentadoria de Wilt Chamberlain (1973) e Jerry West (1974), o time entrou em declínio.

    PRÓXIMA (E ÚLTIMA) PARADA, NEW ORLEANS

    Após os Lakers não chegarem a um acordo salarial com a sua maior estrela, Goodrich exerceu sua opção e se tornou agente livre em 1976, chegando a um acordo com o New Orleans Jazz, deixando o time pelo qual disputou nove temporadas e deixando muita saudade no coração do torcedor roxo e dourado.

    Em um complexo e controverso acordo, Cooke permitiu que Goodrich assinasse com os Jazz em troca de duas escolhas de 1° rodada futuras e um de 2° rodada. O acordo foi muito criticado pelos torcedores e por integrantes da equipe, mas a troca valeu a pena quanto em alguns anos depois uma dessas escolhas foi exercida para selecionar Magic Johnson na 1° escolha geral de 1979.

    Sua trajetória em New Orleans ficou mais agradável com a dupla feita com Maravich, formando uma dupla de armadores com um talento nato para pontuar. Logo se tornaram o backcourt mais temido da liga, mas as lesões começaram a incomodar Gail. Logo no seu primeiro jogo, ele lesionou o tendão de Aquiles, mas continuo disputando os jogos, até que não aguentou mais a dor. Após 27 jogos, foi submetido a uma cirurgia no começo de janeiro e perdeu o resto da temporada.

    Após o seu retorno, agora saudável, se tornou um jogador de rotação e teve médias de 16.1 pontos. Na mesma temporada, enfrentando os Knicks, fez 25 pontos em 28 minutos e passou dos 17.000 pontos na carreira.

    O FIM

    Jogou a sua última temporada em 1978-79, a 14° da sua brilhante carreira. Após ter 12.7 pontos em 74 jogos, Goodrich se aposentou, tendo marcado 19.181 pontos ao longo da sua jornada.

    Gail Goodrich soube desde o começo as dificuldades que o aguardavam. Pela sua estatura e peso, tudo seria mais difícil, foi considerado pequeno demais para jogar na faculdade e superou, depois diziam que era muito magro para a NBA, e novamente o fez, e foi então quando ele mostrou a sua principal qualidade, não digo só do arremesso acima da média, mas a determinação e a persistência de um verdadeiro campeão. E foram essas qualidades que fizeram o pequeno “Stumpy” vencer as críticas e as desvantagens, fazendo o seu nome em uma terra de gigantes.

    Rodapé

    Territorial Pick: é uma modalidade especial de seleção de prospectos no Draft da NBA, esteve em funcionamento de 1950 a 1965. Essa clausula especial permitia que os times pudessem abrir mão da sua escolha de primeira rodada, para selecionar um atleta que atuasse em uma faculdade da região. O intuito era fomentar o esporte em cada comunidade, atraindo estrelas da NCAA para jogarem pelas franquias dos seus respectivos estados.

    Stumpy: Apelido dado a Gail por conta das suas características físicas, pernas curtas e físico entroncado. Em uma lastimável tentativa, o autor traduziria Stumpy, como curto e grosso.

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