A novela em torno da troca que levou Luka Doncic para o Los Angeles Lakers e enviou Anthony Davis ao Dallas Mavericks ganhou um novo capítulo fora de quadra. Demitido no início de novembro, o ex-general manager Nico Harrison finalmente foi comentado publicamente por Davis, que quebrou o silêncio e revelou surpresa com a decisão da franquia texana.
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Davis: “Foi surpreendente, Nico é meu cara”
Em conversa com repórteres, o pivô de 32 anos admitiu que não esperava a saída de Harrison, segundo relato de Mike Curtis, do The Dallas Morning News. Mais do que um executivo, Davis tratou o ex-GM como alguém que esteve diretamente ligado ao seu caminho até Dallas.
“Foi surpreendente mais do que qualquer coisa. Nico é meu cara. Ele teve um papel enorme em me trazer para cá e queria que eu realizasse a visão que ele tinha”, afirmou. “Foi difícil. Eu e ele tivemos uma conversa. Eu e Patrick (presidente de basquete) tivemos uma conversa. É o business do basquete.”
Asked Anthony Davis about his reaction to Nico Harrison’s firing:
“It was surprising more than anything. Nico’s my guy. He played a huge part in getting me here & wanting me to fulfill his vision that he saw. It was definitely tough. Me & him had a conversation. Me & (Mavs… pic.twitter.com/E2aKNR9kma
— Mike Curtis (@MikeACurtis2) November 26, 2025
A fala mostra um Anthony Davis dividido entre o lado emocional, a relação de confiança com Harrison, e a compreensão de que decisões desse porte, principalmente após movimentos muito criticados, fazem parte da lógica de negócios da NBA.
Demissão não chocou torcedores após troca por Luka
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Se dentro do vestiário a reação de Davis foi de surpresa, o mesmo não pode ser dito da torcida e de boa parte da liga. A decisão de trocar Luka Doncic em pleno auge para o Lakers em um pacote centrado em Anthony Davis segue sendo vista como uma das movimentações mais chocantes, e contestadas, da história recente da NBA.
Desde que chegou ao Mavericks, o pivô, dez vezes All-Star, conseguiu atuar em apenas 14 partidas. Harrison insistiu por meses que, sem as lesões da temporada passada, Dallas teria brigado por vaga nos playoffs. A realidade, porém, foi dura: o time ficou fora da pós-temporada em 2024–25, e os problemas físicos continuaram a rondar o elenco.
O contexto criou um cenário em que a diretoria precisava apontar uma nova direção. A demissão de Harrison, portanto, soou mais como consequência de um “all-in” que não rendeu retorno esportivo do que como uma ruptura inesperada para quem acompanha a liga de fora.
Lesões persistem e alimentam cenário de incerteza
No momento, Davis lida com uma lesão na panturrilha, que o deixa listado como dia a dia e com expectativa de retorno em breve. Em cinco jogos disputados nesta temporada, ele registra médias de 20,8 pontos, 10,2 rebotes e 1,2 toco por partida, com 52% de aproveitamento nos arremessos de quadra e 27,3% nas bolas de três.
Os números, isoladamente, são sólidos, mas a amostra é pequena. Para uma franquia que abriu mão de um armador geracional como Luka Doncic para construir em torno de Davis, a dificuldade em mantê-lo em quadra pesa tanto quanto o rendimento quando ele está saudável.
Mavs olham para Cooper Flagg, e rumores de troca por AD crescem
Com Nico Harrison fora do cenário, o futuro de Anthony Davis em Dallas entra oficialmente na zona de especulação. A leitura em torno da liga é que o Mavericks começa a reorientar o projeto esportivo em torno de Cooper Flagg, jovem visto como pilar de longo prazo, o que naturalmente levanta a possibilidade de buscar parceiros para uma eventual troca de Davis.
Uma saída do pivô, nesse contexto, faria parte de um reposicionamento completo de franquia: abrir espaço para Flagg crescer, recuperar ativos em escolhas e, ao mesmo tempo, aliviar a pressão constante de justificar a troca por Luka. Qual time teria apetite para apostar em Davis, seu histórico físico e seu contrato é a grande pergunta, e é nesse tipo de cenário que o nome do Lakers sempre aparece ao fundo, nem que seja apenas em conversas de bastidor.
Por enquanto, Davis se equilibra entre o respeito público a quem o trouxe para Dallas e a necessidade de seguir em frente em uma organização que parece olhar cada vez mais para o futuro, ainda digerindo uma das trocas mais discutidas de sua história.