Domingo tinha tudo para ser uma data simbólica para o Lakers. Antes de enfrentar o Boston Celtics, o time celebrou Pat Riley com a revelação de uma estátua na entrada da Crypto Arena. Era o cenário perfeito: homenagem ao arquiteto do Showtime, casa cheia e o maior rival do outro lado.
Riley, hoje peça central na cúpula do Miami Heat, fez questão de entrar no clima da rivalidade.
“Chegou a hora de detonar”, disse. “De detonar o Boston.”
O Lakers aparentemente não recebeu o recado.
Clima de decisão, postura de jogo de pré-temporada
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Em vez de um time agindo como mandante empolgado, querendo provar que consegue bater de frente com uma das melhores equipes da NBA, o que se viu foi um Lakers letárgico. Nada que lembrasse uma rivalidade muitas vezes chamada de a maior do esporte.
Resultado? 111 a 89 para o Celtics. Um baile em plena Los Angeles.
O ataque foi inoperante. Luka Doncic insistiu em longos arremessos de média distância e converteu apenas 1 de 6 nessas tentativas. Pelo menos, ele estava tentando pontuar. Austin Reaves, por sua vez, terminou o jogo com apenas 10 arremessos e foi praticamente um zero à esquerda no segundo tempo.
No segundo quarto, quando Boston começou a abrir vantagem real, nenhum jogador do Lakers assumiu o protagonismo para responder.
Os coadjuvantes? Em vez de energia, entregaram arremessos errados, turnovers e buracos na defesa. A soma de tudo isso foi um quadro de ombros caídos, expressões abatidas e um time que, de novo, pareceu disposto demais a aceitar a derrota quando a pressão aumentou.
Urgência de um time preguiçoso
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Durante boa parte da noite, o Lakers teve a urgência de um time muito preguiçoso: só seria agressivo quando tivesse muita vontade, que, curiosamente, quase nunca veio.
Nem a sequência de cestas de Jaylen Brown e Payton Pritchard pareceu acender algo no elenco. Em vez de responder com mais contato, mais defesa, mais correria, o time seguiu no ritmo de jogo de pré-temporada.
No último quarto, quando o Lakers conseguiu uma pequena sequência para cortar a diferença e colocar o jogo em dígitos simples, o Celtics pediu tempo — e voltou do huddle com ainda mais agressividade. Pritchard e Brown colocaram a mão em praticamente todas as posses importantes, enquanto o Lakers assistia, quase como espectador de quadra, incapaz (ou indisposto) de freá-los.
Torcida visitante em casa: Crypto Arena vira “mini TD Garden”
Quando a postura do time da casa é morna, a atmosfera tende a segui-lo. Dentro de uma arena lotada, quem ditou o clima foi a torcida do Celtics.
O verde de Boston aparecia em vários pontos das arquibancadas e, a cada grande jogada, o barulho dos visitantes crescia. Após uma enterrada de Neemias Queta, o grito foi tão alto que, por alguns segundos, a sensação era de estar no TD Garden, não em Los Angeles.
A equipe, em quadra, espelhou isso. O Celtics dominou praticamente todas as grandes estatísticas:
- venceu a batalha dos rebotes por 50 a 39;
- segurou o Lakers em apenas 89 pontos, segundo pior número ofensivo da equipe em toda a temporada;
- deu o tom físico e emocional da partida enquanto o adversário parecia estar em outro ritmo — e em outra urgência.
Sem desculpa: não é só elenco, front office ou arbitragem
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Diante de derrotas assim, é fácil para o torcedor do Lakers mirar para todos os lados:
- culpar a construção do elenco;
- descarregar a frustração na frente de comando;
- reclamar da arbitragem, que de fato teve alguns lances questionáveis.
Mas, honestamente, nenhuma dessas explicações dá conta da ausência de alma que o time mostrou em uma noite contra seu maior rival. A pergunta que fica é muito mais básica:
- Onde estava a paixão?
- Onde estava a raiva competitiva diante de um rival histórico?
- Houve algum momento em que se percebesse mais comunicação em quadra entre os jogadores?
- Alguém transmitiu urgência quando o placar começou a sair do controle?
E tudo isso em um contexto de embolação máxima no Oeste, em que o Lakers precisa de cada vitória possível para escapar de play-in e brigar por mando de quadra. Pela forma como as duas equipes se comportaram, parecia que Boston era o time desesperado para provar algo, não o Lakers.
Exigência vs. realidade: o que esse jogo diz sobre o Lakers 2025–26
O que torna essa noite especialmente simbólica é o contraste quase cruel entre o que foi celebrado do lado de fora da arena — Pat Riley, Showtime, títulos, repetição de campeonatos, padrão de excelência — e o que se viu dentro dela.
Riley construiu um Lakers que era sinônimo de excelência competitiva: jogava bonito, mas, sobretudo, jogava duro, com seriedade e orgulho em jogos como esse. O time atual, 56 partidas dentro da temporada, ainda não passa esse tipo de mensagem.
“Esse tipo de excelência é constante”, costuma ser o subtexto quando se fala de dinastias. E é justamente aí que a ferida aparece: já está bem claro, 56 jogos depois, que o Lakers 2025–26 não é esse tipo de time.
Pode ser perigoso se encaixar se tudo clicar? Sim. Pode vencer séries se Luka, LeBron e cia. estiverem saudáveis e inspirados? Claro. Mas excelência — aquela que você espera em noites como essa, contra o Celtics, com uma estátua de Riley recém-revelada do lado de fora — isso ainda está bem distante.