Um detalhe que muitos torcedores do Lakers já perceberam nos últimos jogos: Jarred Vanderbilt não saiu do banco nas últimas seis partidas da equipe. A ausência coincide diretamente com o retorno de LeBron James, e a dúvida é inevitável: por que o técnico JJ Redick tem deixado um dos melhores defensores do elenco de fora da rotação?
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Redick explica ausência: “números”, encaixe e respeito ao momento do time
Em entrevista nesta segunda-feira, JJ Redick detalhou o cenário e deixou claro que a situação de Vanderbilt não é disciplinar nem física, mas de rotação, encaixe e, principalmente, contexto de equipe em boa fase.
“Ele tem ido bem. Tem sido um profissional, foi ótimo no stay-ready game que tivemos essa semana. Tem sido um grande companheiro de time, então não é surpresa. Eu comuniquei com ele antes do LeBron voltar que havia certas coisas que ele precisava fazer de forma consistente para jogar antes e depois da volta do LeBron, e que provavelmente haveria um aperto de minutos, porque iríamos trabalhar com uma rotação de nove jogadores — e essa era a realidade.”
Redick também ressaltou que o afastamento não é definitivo:
“Isso não significa que ele não vá voltar para a rotação em algum momento, estejamos saudáveis ou não. Quando você está vencendo jogos, é difícil mexer na rotação no meio de uma sequência de vitórias. Estamos olhando para tudo, e houve algumas combinações de quintetos, quando estávamos lesionados, das quais tivemos que nos afastar — e ele acabou sendo afetado nessa história. Eu tenho empatia por ele. Não é uma situação fácil para mim como técnico, e certamente não é divertida para ele como jogador.”
O problema crônico: ataque de playoff com um “não arremessador”
O “porém” de Vanderbilt nunca foi esforço ou defesa, e sim o ataque. Em números frios, ele é um arremessador de três pontos de 28,8% na carreira — marca que as defesas adversárias simplesmente ignoram em pós-temporada. Sem um chute confiável, o ala acaba encolhendo a quadra no half-court, especialmente quando dividido minutos com LeBron James e Luka Doncic, que precisam de espaço para atacar.
Vanderbilt consegue, ocasionalmente, produzir em transição, seja conduzindo a bola após rebote defensivo, seja correndo à frente para finalizar. Mas em ataques de meia-quadra ele se torna, na prática, um jogador que o adversário pode ajudar longe da bola sem medo. Em séries de playoff, isso se transforma em problema estrutural.
O que ele ainda oferece: defesa, físico e energia que o elenco precisa
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O outro lado da moeda é justamente o que mantém o nome de Vanderbilt sempre vivo nas discussões de rotação. Ele é um dos defensores mais versáteis do elenco do Lakers, capaz de marcar alas e alguns armadores, pressionar a bola na linha de passe e incomodar pontuadores de elite com envergadura e energia.
Além disso, é um rebounder agressivo, especialmente no rebote defensivo, com capacidade de “limpar o vidro” em sequência e dar ao time mais posses. Em um elenco que não é exatamente conhecido por velocidade e explosão atlética, sua presença física pode mudar o tom de uma partida — algo que já se viu em séries passadas, quando o Lakers usou Vanderbilt para iniciar jogos em cima do melhor scorer adversário.
Por que ele saiu da rotação agora?
O encaixe recente do time ajuda a explicar. Com Luka Doncic como motor ofensivo principal, Austin Reaves em grande fase, Rui Hachimura espaçando a quadra e Deandre Ayton ancorando o garrafão, Redick tem priorizado quintetos com mais arremesso e criação secundária. Em uma rotação reduzida a nove, alguém com pouco impacto ofensivo e sem status de estrela tende a ser o elo sacrificado.
Na prática, Vanderbilt caiu num “buraco de contexto”: é bom o bastante para estar em quadra, mas seu pacote ofensivo limita o teto do ataque quando o time está completo e fluindo. Enquanto o Lakers ganha jogos, Redick tende a preservar a química atual — e isso, temporariamente, o deixa de fora.