É difícil criticar um jogador que, aos 41 anos e em sua 23ª temporada, entrega 21,7 pontos, 7,1 assistências e 50% de aproveitamento nos arremessos. Ainda assim, alguns dos principais números avançados da temporada 2025–26 indicam que LeBron James tem sido, no agregado, um peso negativo para o Lakers em várias combinações de elenco.
Em 38 jogos, LeBron acumula -44 de saldo em quadra, o segundo pior plus/minus entre os titulares do time — atrás apenas de Deandre Ayton, com -48.
Mais preocupante ainda: as formações com o trio LeBron–Luka Doncic–Austin Reaves têm sido, até aqui, claramente deficitárias. E os melhores momentos do Lakers surgem, de forma consistente, quando a dupla Doncic–Reaves é cercada por três jogadores que não são LeBron.
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Big 3 sofre, dupla Luka–Reaves brilha: o que os quintetos contam
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Os dados de lineups ajudam a desenhar um quadro bem específico:
- Quando Luka, LeBron e Reaves jogam juntos, o Lakers é superado por 9,7 pontos a cada 100 posses.
- Quando apenas Doncic e Reaves estão em quadra, com outros três jogadores (sem LeBron), o time tem se mostrado bem mais eficiente e equilibrado.
O melhor quinteto do Lakers na temporada até agora é:
- Doncic, Reaves, Marcus Smart, Rui Hachimura e Deandre Ayton – esse grupo tem +33 de saldo em 11 jogos juntos.
Já a melhor formação que inclui LeBron é:
- LeBron, Marcus Smart, Jake LaRavia, Rui Hachimura e Jaxson Hayes – com net rating de +7,2.
A leitura é direta: LeBron ainda funciona bem em certos contextos, especialmente em lineups mais físicos e defensivos, mas o Big 3 com Luka e Reaves, hoje, não é um trio de elite. Longe disso.
Problema não é só defesa: ataque do trio é pior que o ataque médio do time
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Não surpreende que LeBron renda melhor em formações sem Luka e Reaves: os três são voltados para o ataque, gostam de ter a bola e são vistos como alvos defensivos em certos matchups. Mas o problema com o trio vai além da defesa; o ataque também patina.
Quando LeBron, Luka e Reaves estão juntos, o Lakers tem:
- Offensive Rating: 107,7 pontos por 100 posses;
- Defensive Rating: 117,4 – ou seja, leva mais do que marca;
- Ast/TO: 1,78 – uma relação assistências/erros bem abaixo do ideal para um trio de criadores.
Para comparação, o rating ofensivo geral do Lakers é 116,0, o que significa que o ataque do time como um todo rende, em média, 8,3 pontos a mais por 100 posses do que o ataque do trio LeBron–Luka–Reaves. Em outras palavras: juntos, eles puxam o ataque para baixo.
Banco para LeBron? Ideia “impensável” começa a ganhar tração
Diante desse cenário, começa a aparecer uma discussão que, em qualquer outro momento da carreira de LeBron, soaria quase sacrilega: faria sentido trazer LeBron do banco?
A lógica seria a seguinte:
- usar Luka + Reaves como eixo principal do quinteto inicial, cercados de defesa e arremesso;
- deixar LeBron como comandante da segunda unidade, garantindo criação ofensiva constante quando um (ou os dois) saírem;
- reduzir o número de minutos em que os três dividem a quadra, já que essa combinação específica tem machucado o time nos dois lados.
Não é só papo de bar. Nomes bem conectados à cobertura do Lakers, como Jovan Buha e Jason Timpf, já defenderam publicamente que JJ Redick considere tirar LeBron do time titular.
Buha lembrou, em seu podcast, que o Lakers tem 8–4 nos jogos em que o Big 3 atuou, mas com um detalhe importante: os quatro melhores adversários desse recorte foram Spurs, Suns, Rockets e Celtics — e o Lakers perdeu os quatro por dígitos duplos.
“Você pode argumentar que ter o Big 3, do jeito que está hoje, tem sido um grande problema para o Lakers”, resumiu.
Um “Big 3” que domina fracos e sofre contra fortes
Jason Timpf, do The Volume, destacou outra tendência incômoda:
- Contra times no bottom 10 em saldo de pontos da NBA, o Lakers está 18–2, empatado com o Oklahoma City Thunder como o melhor aproveitamento da liga nesse recorte;
- Contra o resto da NBA, o time é 16–20. Ou seja, campanha negativa contra qualquer um que não esteja entre os 10 piores.
Outro dado alarmante: contra equipes no top 10 em saldo de pontos, o Lakers está sendo superado em média por 13 pontos, o que o coloca em 28º lugar nessa métrica.
O padrão fica claro:
- o talento bruto do elenco — incluindo LeBron, Luka e Reaves — é mais do que suficiente para amassar adversários fracos;
- mas, contra times organizados, físicos e bem estruturados, o Lakers tem jogado como um time mediano, às vezes pior do que isso.
Vale mesmo colocar LeBron no banco? Prós e contras da ideia
Colocar LeBron James no banco não é só uma decisão tática; é uma mudança sísmica de hierarquia. Mas, olhando friamente para o basquete, a ideia tem alguns argumentos a favor:
Argumentos a favor
- Melhor encaixe no quinteto titular: Luka + Reaves com três defensores/spot-ups tende a gerar mais espaçamento e menos redundância com a bola.
- Maximizar minutos sem queda de qualidade: LeBron comandando a segunda unidade evita “buracos” quando Luka ou Reaves saem.
- Preservação física: menos minutos em rotinas de alto desgaste contra quintetos principais, com doses mais controladas de impacto.
- LeBron em lineups feitos para ele: como mostram os números, ele ainda rende bem em formações sem outros dois criadores pesados ao lado.
Argumentos contra
- Gestão de ego e vestiário: mesmo o maior profissionalismo tem limite. Tirar o maior pontuador da história do time titular é um movimento sensível.
- Percepção externa e política interna: impacto em narrativa, repercussão midiática e até em negociações futuras de elenco.
- Ritmo de jogo: às vezes, mexer demais na estrutura pode criar novos problemas antes de resolver os antigos.
A questão central é menos “LeBron ainda é bom?” (ele é) e mais “qual é o melhor uso de LeBron nesse estágio da carreira dentro de um elenco que já tem Luka e Reaves como ball handlers primários?”
LeBron é problema ou o uso dele é que está errado?
Os números não dizem que LeBron virou um “peso morto”. Eles apontam para outra coisa: o modelo atual de Big 3 do Lakers não funciona em alto nível, especialmente contra times fortes.
Enquanto o time continuar:
- dependendo de três criadores pouco complementares dividindo a bola;
- sem identidade clara de quem é o alfa em cada contexto;
- e sem ajustar rotações para maximizar os melhores quintetos já identificados pelos dados,
vai seguir sendo esse paradoxal time de campanha positiva, saldo negativo e cara de “quase lá”.
Se a solução passa por LeBron vindo do banco, reduzir minutos do trio junto ou apenas reorganizar as rotações sem mexer no status de titular, é o tipo de decisão que recai sobre JJ Redick e o que ele enxerga como prioridade: nome e história, ou o quinteto que, hoje, mais dá chance de ganhar de times grandes.