Para muitos torcedores do Lakers, o período que antecedeu o fim da janela de trocas da NBA, em 5 de fevereiro, foi frustrante. A franquia fez apenas um movimento pontual, trazendo o especialista em arremessos de três Luke Kennard, e se recusou a absorver contratos que ultrapassassem esta temporada. O objetivo? Manter ao máximo a flexibilidade no teto salarial para o próximo verão, mesmo que isso significasse pouca ajuda imediata para um elenco que hoje parece mais “time de playoffs” do que “time de título”.

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Luka do lado da diretoria: disciplina agora para atacar pesado no verão

Luka Doncic do Los Angeles Lakers em quadra durante aquecimento

Toda essa postura conservadora do Lakers poderia ter criado ruído com sua grande estrela, mas, segundo Dave McMenamin, da ESPN, aconteceu exatamente o oposto. Uma fonte próxima ao pensamento de Luka Doncic disse à emissora que o esloveno aprovou a estratégia com “aderência à disciplina” e foco no “quadro de longo prazo”. Em outras palavras: mesmo vendo o time permanecer um degrau abaixo dos grandes candidatos ao título, Luka comprou a ideia de não sacrificar o futuro por soluções de curto prazo.

Isso ajuda a explicar por que o Lakers limitou sua ação à chegada de Luke Kennard, um reforço útil no perímetro, mas longe de ser o tipo de nome que muda o patamar da franquia sozinho. O recado interno parece claro: a prioridade da diretoria é montar um projeto ao redor de Doncic para vários anos, e não apenas “tapar buraco” ao redor dele em uma temporada específica.

US$ 50 milhões em espaço e muitas rotas possíveis

O ponto central desse plano está no que vem a seguir. As projeções indicam que o Lakers terá algo em torno de US$ 50 milhões em espaço na folha na próxima free agency. Com esse valor, a franquia pode:

  • ir atrás de um grande nome no mercado;
  • dividir o valor em dois ou três titulares/rotação de alto nível;
  • combinar contratações com trocas, usando escolhas de Draft como doce extra.

Além do espaço no cap, o Lakers poderá colocar em negociações duas futuras escolhas de primeira rodada, mais os direitos sobre o seu pick de 2026. Em um cenário de agressividade máxima, isso permite montar pacotes por estrelas descontentes em outras franquias ou, de forma mais conservadora, cercar Doncic de jogadores complementares muito bem escolhidos em termos de encaixe.

Luka não exige outro “super” agora – Giannis é sonho, não obsessão

Giannis Antetokounmpo

Um ponto que chama atenção no bastidor é que, de acordo com a ESPN, Doncic não tem feito pressão para a chegada imediata de outro “superstar” ao estilo Giannis Antetokounmpo, do Milwaukee Bucks. A informação é direta: ele “não pressionou o time para adicionar um co-astro em nível de superstar” pensando no período pós-LeBron.

Isso abre duas leituras importantes:

  • Confiança no projeto: Luka parece acreditar que o Lakers consegue construir um time campeão sem necessariamente depender de mais um nome do top-5/top-10 da liga agora.
  • Flexibilidade estratégica: a diretoria ganha margem para avaliar se vale mais investir tudo em um alvo como Giannis ou se é mais inteligente trazer duas ou três peças “não-superstar”, mas que resolvam problemas claros do elenco (defesa de perímetro, espaçamento, tamanho nas alas etc.).

Na prática, o recado dele tira um pouco da corda do pescoço da diretoria, que não fica obrigada a “acertar em um home run” a qualquer custo, e pode buscar um equilíbrio melhor de elenco ao redor do esloveno.

A offseason mais importante do Lakers em anos

Com espaço de cap elevado e capital de Draft disponível, o verão que se aproxima tem tudo para ser o mais decisivo dos últimos tempos em Los Angeles. A forma como o Lakers usar esses cerca de US$ 50 milhões e essas escolhas pode definir não apenas a próxima temporada, mas todo o arco de competitividade ao redor de Luka Doncic e o que vier depois de LeBron James.

Ir “all-in” em um alvo como Giannis significaria abraçar o risco máximo: se acerta, vira contender imediato; se erra, pode ficar engessado por anos. Já montar a base com dois ou três jogadores de altíssimo nível, porém abaixo do status “superstar”, abre a possibilidade de um elenco mais profundo, menos dependente de apenas dois nomes e, talvez, mais preparado para aguentar maratonas de temporada regular e playoffs.

Seja qual for o caminho, a mensagem desta trade deadline é clara: o Lakers decidiu que o grande movimento não seria em fevereiro, mas sim em julho. E, pelo que tudo indica, Luka Doncic está alinhado com essa visão — o que, em qualquer franquia da NBA moderna, é o primeiro passo para um plano dar certo.