Luka Doncic reencontrou a cidade onde construiu parte importante da sua história na NBA quando o Lakers visitou o Mavericks. Não foi um retorno com o mesmo peso emocional do primeiro jogo dele de volta ao ginásio do time na temporada passada, mas a recepção deixou claro que o vínculo com a torcida segue forte: quem estava nas arquibancadas fez questão de demonstrar apoio ao astro esloveno.

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Bom começo do Lakers: defesa ativa e transição para abrir vantagem

O jogo começou indo contra um padrão que tem incomodado o Lakers nas últimas semanas. Em vez de iniciar em ritmo lento e depender de ataques estacionados, o time entrou com foco em defender e correr. A postura foi traduzida em uma vantagem construída ainda antes do intervalo: L.A. chegou a liderar por 14 pontos no fim do segundo quarto, com mais energia nas disputas, ataques mais rápidos e uma execução mais limpa quando conseguia converter defesa em transição.

Esse tipo de roteiro é importante porque, para o Lakers, abrir vantagem cedo costuma reduzir a necessidade de forçar arremessos difíceis no fim, além de permitir que o time controle melhor as posses. E, diante de um adversário que sabe punir erros com ataques rápidos e criação de espaço no perímetro, cada posse “bem resolvida” ganha peso.

Terceiro quarto muda o jogo: turnovers derrubam a vantagem

O problema veio logo depois. A vantagem construída no primeiro tempo se perdeu no terceiro quarto, principalmente por um velho vilão: turnovers. Ao desperdiçar posses e dar ao Mavericks chances extras — muitas delas com a defesa ainda se organizando — o Lakers viu o jogo virar de direção. A troca de ritmo foi clara: quando L.A. passou a errar mais no controle de bola, Dallas conseguiu acelerar, impor pressão e entrar de vez na partida.

O resultado nesse período foi um cenário quase extremo no último período. Com pouco mais de sete minutos restantes no 4º quarto, o Mavericks abriu 102-87, e a sensação era de que o Lakers tinha deixado escapar a chance de controlar o jogo. Era o tipo de desvantagem que costuma exigir uma combinação rara: defesa impecável, execução ofensiva eficiente e acerto em arremessos grandes nos momentos certos.

A virada: defesa, movimento de bola e um run de 27-5

Foi exatamente isso que aconteceu. Assim como havia feito em outra reação recente, o Lakers “virou a chave” e encaixou uma sequência decisiva: um run de 27-5 no fim do jogo. O ponto central não foi apenas uma bola cair aqui ou ali, mas a forma como a equipe construiu a corrida.

Defensivamente, o Lakers elevou o nível de intensidade, contestou arremessos, protegeu melhor o aro e reduziu os espaços para criação. No ataque, o time foi mais paciente e eficiente: teve boa movimentação de bola, encontrou melhores ângulos, e quando os arremessos apareceram, foram em condições mais favoráveis do que no trecho em que o time havia permitido a virada. Os chutes caíram no momento em que precisavam cair, com a equipe já equilibrada e conectada nas duas pontas.

Doncic: agressivo na linha, dominante no fim e perto do triplo-duplo

Mesmo com o roteiro de altos e baixos do jogo, Doncic teve uma noite de alto nível. Ele foi muito agressivo em buscar contato desde cedo e usou isso para construir pontuação ainda no primeiro tempo: converteu 9 de 10 lances livres na primeira metade e chegou ao intervalo com 17 pontos. Além de pontuar, esse tipo de abordagem ajuda a ditar o ritmo do jogo, coloca defensores em risco de faltas e aumenta o controle do ataque sobre as posses.

No 4º quarto, Doncic voltou a aparecer com força: anotou 9 pontos no período decisivo e terminou com 33 pontos, em 8/15 nos arremessos, 3/8 nas bolas de três e 14/15 na linha de lance livre. Ele ainda distribuiu 11 assistências, pegou 8 rebotes e somou 1 roubo e 1 toco, flertando com um triplo-duplo e deixando claro por que segue sendo um dos jogadores mais difíceis de controlar quando acelera as leituras e pune qualquer ajuste tardio da defesa.

Hachimura cresce e decide no clutch

Outro nome determinante foi Rui Hachimura. Pela primeira vez desde que voltou de uma lesão na panturrilha e passou a sair do banco, ele teve um desempenho realmente impactante. Hachimura fez 17 pontos com 6/13 nos arremessos e um ótimo aproveitamento do perímetro: 4/7 nas bolas de três. Também contribuiu com 8 rebotes, 1 assistência e 1 toco em 27 minutos, mostrando presença física e ajudando o Lakers a sustentar a virada com energia.

O auge da participação dele veio no minuto decisivo. Com pouco mais de dois minutos para o fim, Hachimura acertou uma bola de três, sofreu a falta e converteu o lance livre, deixando o Lakers a apenas um ponto. Trinta segundos depois, ele acertou mais um arremesso de três para colocar L.A. à frente, uma sequência que mudou a pressão de lado e forçou o Mavericks a jogar no limite.

LeBron acelera no 4º quarto e empurra a reação

LeBron James teve uma partida curiosa, com produção baixa por grande parte do jogo e aceleração total no momento em que o time mais precisava. Ele marcou apenas 4 pontos no primeiro tempo e tinha 6 ao fim do terceiro quarto. No 4º período, porém, “ativou” o modo urgência: anotou 11 pontos na reta final e foi peça importante para empurrar a reação, influenciando a partida em ambos os lados da quadra.

LeBron terminou com 17 pontos em 8/16 nos arremessos, além de 8 rebotes, 5 assistências, 1 roubo e 1 toco. Um dado que chamou atenção: pela segunda vez na temporada, ele não cobrou nenhum lance livre, algo incomum para um jogador que costuma gerar contato ao atacar o aro.

Como fica a campanha do Lakers na viagem

Com a vitória por 116-110, o Lakers chegou a 2-1 na viagem de oito jogos fora de casa. A campanha do Lakers agora é de 27-17, colocando a equipe na 5ª posição do Oeste, a meio jogo do Rockets, que está em 4º. Para um time que vinha alternando boas atuações com quedas bruscas durante as partidas, vencer um jogo em que ficou 15 pontos atrás no último período funciona como sinal de capacidade de ajuste e, principalmente, de resiliência.