Sessenta jogos disputados, uma classificação de playoffs em aberto e um elenco que ainda não mostrou de que é capaz quando o adversário é bom. Este é o momento em que o Lakers precisa encontrar um interruptor que, até agora, ninguém viu ser acionado.

O time está colado no sexto lugar da Conferência Oeste, mas o cenário à sua volta é de uma batalha campal. Para cima, há espaço para subir: o terceiro lugar, que garante mando de quadra na primeira rodada do playoff, está a apenas 1,5 jogo de diferença. Para baixo, o perigo também é real. Depois da derrota para um Suns desfalcado, Los Angeles mantém apenas dois jogos de vantagem sobre Phoenix na sétima posição.

A margem de erro é pequena. E o calendário que vem pela frente é complicado.

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O calendário mais difícil da reta final

Lakers x Wolves

De acordo com o Positive Residual, o Lakers tem o terceiro calendário mais difícil entre os times do Oeste no que resta da temporada, e o quarto mais difícil considerando toda a liga.

O que torna esse dado ainda mais pesado é a natureza dos adversários. Não se trata de dificuldade genérica de calendário. Quase todos os times que o Lakers ainda vai enfrentar estão disputando as mesmas posições de playoffs, o que significa que cada jogo é, ao mesmo tempo, uma batalha na tabela e um potencial duelo de primeiro turno no pós-temporada.

O time ainda tem confrontos diretos contra:

  • Minnesota Timberwolves;
  • Phoenix Suns;
  • Houston Rockets (dois jogos);
  • Denver Nuggets (dois jogos);
  • Oklahoma City Thunder (dois jogos).

São oito partidas contra times que estão, literalmente, disputando posição com o Lakers agora. Cada resultado mexe na tabela de mais de uma forma.

Desempate: onde o Lakers já perdeu e onde ainda pode ganhar

Lakers x Suns

Com o Oeste tão equilibrado, os critérios de desempate vão importar muito para definir o chaveamento final. E o Lakers já tem algumas contas abertas.

Contra o Phoenix Suns, o time ainda tem um jogo restante, mas já perdeu o confronto direto na temporada. Isso aconteceu porque os dois times jogaram uma partida extra durante o torneio da Copa da NBA, o que conta para o saldo do season series.

Em compensação, graças a duas vitórias no início da temporada, o Lakers já garantiu o desempate sobre o Minnesota Timberwolves. Os critérios de desempate contra Houston e Denver ainda estão em aberto, o que torna os confrontos restantes ainda mais importantes.

O número que dói: 13–17 contra times acima de 50% de aproveitamento

A maior fragilidade do Lakers não está escondida. Ela está escancarada nas estatísticas.

Contra times com campanhas negativas, o time tem uma marca impecável de 23–7. Mas contra equipes acima de 50%, o cenário se inverte: são apenas 13 vitórias e 17 derrotas. É o pior aproveitamento entre os seis primeiros colocados do Oeste.

Pior do que o número em si é a forma. O Lakers não apenas perde para times bons. Em boa parte dessas partidas, raramente foi competitivo. De acordo com o Cleaning the Glass, o time tem o quarto pior net rating (–12,9) contra times atualmente no top 10 em diferencial de pontos. Os únicos piores são Washington, Brooklyn e Utah, franquias que estão abertamente em processo de reconstrução e priorizando posições no Draft.

Um otimista pode apontar que o trio Luka Doncic, LeBron James e Austin Reaves jogou junto em apenas 870 posses ao longo da temporada, e que boa parte das derrotas para times de elite aconteceu sem ao menos um deles disponível. É um argumento válido.

Um cético pode contra-argumentar que, nas posses em que os três estiveram juntos, o net rating do grupo é de apenas +1,3. Positivo, sim. Mas longe de ser o sinal de um trio dominante. E que, no fim, o calendário não liga para contexto: o time que vai aos playoffs é o mesmo que perdeu para Suns sem Booker e para o Magic em casa.

As duas leituras têm fundamento. E é exatamente essa ambiguidade que torna os próximos jogos tão determinantes.

Hora de provar que pode vencer

Golden State Warriors v Los Angeles Lakers

As vitórias sobre Warriors e Kings foram passos na direção certa. Mas passos dados contra adversários que, neste momento, não estão entre os melhores do Oeste. O teste real está chegando.

O que o Lakers precisa fazer agora é algo que não conseguiu durante boa parte do ano: vencer times bons. Não uma vez, não por acidente, mas com consistência suficiente para convencer a si mesmo e à liga de que o sexto lugar na tabela reflete um time de verdade, não apenas um currículo inflado por vitórias sobre adversários fracos.

O impulso que o time construiu no começo da temporada foi se perdendo. A sequência ruim do pós-All-Star aprofundou a crise de confiança. E agora, com o calendário mais difícil pela frente, o momento de agir é este, antes que o ritmo desapareça de vez.

O Lakers pode não ter o favoritismo para ser campeão este ano. Mas ainda pode dar a si mesmo as melhores condições possíveis entrando no playoff: posição mais alta na tabela, mando de quadra, desempates conquistados e, principalmente, a certeza interna de que é capaz de competir com os melhores.

Os próximos oito jogos vão dizer se esse time tem o que precisa para isso. Ou confirmar o que os números já sugerem há algum tempo.

Próximos jogos do Lakers

  • 03/03 — vs New Orleans Pelicans (casa)
  • 05/03 — @ Denver Nuggets (fora)
  • 06/03 — vs Indiana Pacers (casa)
  • 08/03 — vs New York Knicks (casa)
  • 10/03 — vs Minnesota Timberwolves (casa)
  • 12/03 — vs Chicago Bulls (casa)
  • 14/03 — vs Denver Nuggets (casa)
  • 16/03 — @ Golden State Warriors (fora)
  • 18/03 — @ Phoenix Suns (fora)