Com a NBA esquentando no mercado a poucos dias da trade deadline de quinta-feira, o Lakers tem sido um dos times mais parados até aqui. Depois de alguns rumores pontuais no começo da semana, a sensação é de que a diretoria em Los Angeles segue em modo cautela — e a matemática do teto salarial ajuda a explicar o porquê.
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Uma especulação de troca envolvendo Rui Hachimura e De’Andre Hunter perdeu força rapidamente quando o Cavs enviou Hunter ao Kings. Fora isso, o noticiário tem seguido o padrão: o Lakers aparece ligado a Herb Jones, do Pelicans, e New Orleans não demonstra interesse em abrir conversa por um preço que Los Angeles consiga pagar.
ESPN: LeBron deve terminar a temporada no Lakers
A principal notícia de terça-feira veio via Dave McMenamin, da ESPN: LeBron James “ainda é esperado para terminar a temporada” em Los Angeles. A informação reforça o que Rich Paul, CEO da Klutch Sports, já havia dito em dezembro, e fontes da liga voltaram a destacar a McMenamin que LeBron não deve se juntar a um novo time antes do fim desta temporada.
Se isso se confirmar, uma peça de “matching salarial” enorme sai do tabuleiro, e as opções do Lakers para uma grande troca ficam naturalmente mais limitadas.
O problema do hard cap: Lakers está colado no first apron
Hoje, o Lakers está a menos de US$ 1 milhão do first apron (US$ 195,9 milhões). O time está hard-capped nesse patamar porque utilizou a non-taxpayer mid-level exception na última offseason para assinar Deandre Ayton e Jake LaRavia. Na prática, isso significa que o Lakers não pode ultrapassar o total de salários de US$ 195,9 milhões até o novo ano da liga começar em 30 de junho.
Esse detalhe trava uma série de possibilidades, porque reduz ao mínimo a margem para receber mais salário do que envia em uma troca.
Expirantes existem, mas a margem para “receber a mais” é pequena
O Lakers tem mais de US$ 44 milhões em contratos expirantes somando:
Rui Hachimura (US$ 18,3 milhões)
Gabe Vincent (US$ 11,5 milhões)
Maxi Kleber (US$ 11,0 milhões)
Jaxson Hayes (US$ 3,4 milhões)
O ponto é que, por estar tão perto do apron, o time não consegue absorver muito além do que mandar embora. Isso dificulta qualquer tentativa de adicionar salário de uma estrela, a menos que exista uma engenharia de múltiplos times.
LeBron ajudaria a bater salário, mas ele tem no-trade clause
Do ponto de vista puramente contábil, o contrato de LeBron (US$ 52,6 milhões) seria perfeito para viabilizar qualquer pacote de superstar. Só que existe um bloqueio absoluto: ele tem no-trade clause completa, ou seja, pode vetar qualquer troca envolvendo seu nome.
Sem LeBron na mesa, o caminho passa por outros contratos.
Vanderbilt como alternativa (mas com obstáculos)
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Uma alternativa citada é Jarred Vanderbilt, que recebe US$ 11,6 milhões nesta temporada e tem salários de US$ 12,4 milhões em 2026-27, além de uma player option de US$ 13,3 milhões em 2027-28. Esse desenho contratual pode tornar Vanderbilt menos atraente para alguns parceiros de troca, já que adiciona incerteza e compromisso futuro.
Para chegar em valores “de estrela”, Lakers precisaria de ajuda externa
Somando Hachimura, Vincent e Kleber com Vanderbilt, o Lakers passa de US$ 50 milhões em salários enviados; para encostar na faixa de US$ 55 milhões, seria preciso incluir também Hayes. O problema óbvio: uma troca “cinco por um” no meio da temporada é quase impraticável, porque os times raramente têm vagas suficientes no elenco para receber cinco jogadores de uma vez.
Isso empurra o Lakers para a necessidade de envolver um terceiro (ou quarto) time para redistribuir contratos e abrir espaço, o que complica, encarece e torna o prazo da deadline um inimigo ainda maior.
O dilema da offseason: espaço na folha versus perder LeBron
Há um argumento financeiro forte para a paciência. O Lakers poderia chegar a cerca de US$ 50 milhões de espaço na folha na offseason, mas isso exigiria se despedir de todos os seus free agents — incluindo o próprio LeBron. Por isso, a tendência é a franquia proteger ao máximo essa flexibilidade na deadline, a menos que apareça um upgrade claro e sustentável.
Além do dinheiro, existe um ponto estratégico: o Lakers teria uma janela para tirar proveito do cap hold abaixo do mercado de Austin Reaves. Quando Reaves for renovado, essa janela fecha, então o timing de decisões grandes importa.
Paciência pensando em Giannis (ou outra estrela pós-playoffs)
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Nesse contexto, o insider Marc Stein escreveu que o Lakers seria “uma ameaça bem viável” para tentar Giannis Antetokounmpo caso ele não seja negociado até a deadline. Stein também apontou a lógica de Los Angeles: evitar acordos que tragam salário de longo prazo agora para manter flexibilidade máxima e, no fim da temporada, usar o espaço projetado para absorver um contrato gigantesco via troca — seja o de Giannis ou o de outra estrela que eventualmente fique disponível após os playoffs.
Essa abordagem pode irritar quem quer um “all-in” imediato — e pode até gerar tensão num ano que pode ser o último de LeBron no Lakers. Mas, com o time hard-capped no first apron, com pouca margem para absorver salário e com a incerteza do futuro de LeBron pairando sobre tudo, a rota mais realista para Los Angeles na deadline é a paciência: evitar compromissos ruins hoje para ter poder de fogo maior no verão ao redor de Luka Doncic e Austin Reaves.