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    Franklin Sampaio

    27 de Janeiro de 2020 por Franklin Sampaio

    Talvez da forma mais dolorosa que um ídolo, um ícone, um herói pra muitos possa partir, ele partiu.

    Kobe Bryant foi pra mim a maior referência do que é ser basquete, do que é viver o basquete e mais do que isso, do que é ser uma máquina quando se precisa ser máquina.

    Tudo começou em um NBA Live 2000, jogando contra meu irmão no teclado do computador e eram apenas 2 botões além dos direcionais, um para tocar e outro para arremessar. A dupla do Lakers era Kobe Bryant e Shaquille O'Neal e no jogo eles acabavam com qualquer um.

    Passei então a acompanhar as partidas, na época não tinha condições de ter uma tv por assinatura e muita coisa se resumia a jornais escritos e internet discada. Kobe Bryant passava a surgir diante dos meus olhos e dedos mesmo sem fazer tanto esforço, já era automático.

    Anos e anos acompanhando, Lakers Brasil surgindo, muita gente com um amor em comum e um danado de um SopCast fazia você ser tão viciado no Lakers a ponto de assistir partidas com narração em coreano, apenas pra ver aquela equipe jogar e, mais do que isso, um cara fazer a diferença em quadra. E podiam ser vários arremessos fora do aro, vários turnovers, mas muitas vezes com uma única jogada, Kobe fazia uma madrugada em claro, com narração em coreano, valer a pena.

    O tempo se passou e toda aquela coisa da internet ficou bem mais acessível para todos, incluindo a NBA.

    Kobe passava para o Brasil no máximo em um Globo Esporte, após marcar 81 pontos numa partida, ou qualquer outra reportagem flash no Brasil. Mas eu já estava apaixonado por esse cara, eu já tentava fazer jogadas iguais numa pelada de basquete, eu já estudava o que era uma tal de "Mamba Mentality" pra impor na minha vida como estudante e trabalhador.

    Acompanhei o Lakers nos mais sofridos destinos de derrotas, nas grandes vitórias e principalmente, nos últimos títulos da franquia. Via um cara absurdamente dominado pelo basquete e pela vontade de vencer, via Kobe Bryant e queria ser como ele.

    O vi vencer, o vi perder, o vi se lesionar das mais diversas formas e até jogar com dedo deslocado. Também o vi cair com um tendão de Aquiles rompido. Vi sua dor, senti sua dor. Acompanhei também o seu retorno, cheio de energia e via seu corpo não responder mais como em anos atrás. O vi se despedindo do esporte, da NBA, do basquete com 60 pontos em uma única partida.

    E é engraçado como a vida prega coisas, porque eu só fui me dar conta de que aquela partida contra o Utah Jazz era a última que veria Kobe em quadra a partir do último quarto, quando o via cansado, exausto em quadra e querendo arremessar mais, querendo pontuar mais, querendo sair daquela partida com a vitória, mesmo diante da pior das campanhas do Lakers em toda a história.

    Kobe se foi naquele dia. Um "até logo" como se ele pudesse voltar a qualquer momento e colocar a bola embaixo do braço em lances decisivos.

    Mais antigos no site, eu falava com o Renato (colunista e um dos fundadores do site) aos prantos ao telefone, dizendo que não era possível que aquele fosse o último jogo de Kobe como um Laker.

    Hoje, um domingo comum, mais um dia de "ah, amanhã já é segunda de novo" e uma bomba cai sobre minha cabeça. Na minha e na de milhões de outras pessoas ao redor do mundo.

    Liguei imediatamente pra meus companheiros de site (Renato e Guilherme) e os dois aos prantos, junto comigo, não entendiam o que tinha acontecido.

    Kobe Bryant não morreu, that's a fucking lie!

    Kobe Bryant agora vive como nunca viveu antes, brilha como nunca brilhou antes e no coração de cada um de nós. Não apenas torcedores, não apenas meros fãs que acompanharam toda sua carreira. Kobe vive porque ele trouxe para minha vida um pensamento de que não adianta o desespero, não adianta ficar mal, se você sabe o que deve ser feito, coloque a bola embaixo do braço e faça.

    A lenda se foi para muitos, para mim e para meus filhos ela tem um único sentido, eu vi Kobe Bryant nunca desistir, então não desista!

    Mamba out!

    Para sempre.

    Kobe Bean Bryant.

    Fala aí!