23 de Janeiro de 2026 postado por Renato Campos
O drama da família Buss não é novidade para o Lakers. Desde o momento em que Jeanie Buss, retirou o irmão Jim Buss de sua função no front office, a franquia por vezes pareceu mais um roteiro de novela do que apenas um time de basquete. Em geral, porém, esse tipo de turbulência ficava em um “universo paralelo”, sem interferir de forma tão direta no noticiário que envolve a quadra.
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A reportagem da ESPN e a entrada de LeBron na história
Esse isolamento começou a perder força nesta semana, quando uma reportagem de Baxter Holmes, da ESPN, sobre Jeanie e a família Buss trouxe LeBron James para o centro da narrativa. Segundo o texto, a relação entre Jeanie e LeBron teria se deteriorado desde o título de 2020, em um processo gradual que, em algum momento, teria atingido um ponto crítico.
O relato aponta que o “auge” desse desgaste teria ocorrido quando Jeanie teria considerado negociar LeBron em 2022. Independentemente de o cenário ter evoluído ou não para conversas concretas, a simples ideia de o principal nome da era recente do Lakers aparecer como possibilidade de troca coloca combustível em um tema sensível: estabilidade interna e confiança entre a estrela da franquia e a liderança do topo.
Resposta de Jeanie: contestação e pedido para “não envolver” LeBron
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Após a repercussão, Jeanie divulgou um comunicado rebatendo a interpretação de que não teria valorizado LeBron. Ao mesmo tempo, também afirmou que não se deveria arrastar o jogador para o drama familiar — uma linha que, pelo contraste, acabou chamando atenção: a reportagem o coloca como parte do enredo, e a resposta tenta separar as esferas, como se o assunto devesse permanecer no campo “interno” da família.
Na prática, porém, a partir do momento em que o nome de LeBron entra no noticiário ligado a decisões estruturais (como a hipótese de troca), o tema deixa de ser apenas “fofoca de bastidor” e passa a conversar com assuntos concretos do time: projeto esportivo, alinhamento entre liderança e elenco e, principalmente, futuro do principal jogador.
LeBron fala após derrota para o Clippers e adota tom de desprezo pelo assunto
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Na sexta-feira, LeBron falou com a imprensa pela primeira vez desde a derrota do Lakers para o Clippers. E a impressão foi de que ele fez questão de tratar o caso com distanciamento. Em uma resposta longa, o astro disse que não se importa com histórias e relatos externos, e aproveitou para reforçar as motivações que teve ao escolher o Lakers — um ponto que também aparece na reportagem de Holmes.
LeBron afirmou que, quando chegou à organização, o foco era “restaurar a excelência” e recuperar a sensação que associava ao que o Lakers representava historicamente. Ele citou a tradição da franquia e lembrou que não viu o Showtime de perto, mas conhece a história, mencionando também a fase dos anos 2000 com Shaquille O’Neal e Kobe Bryant e, mais adiante, as campanhas com Kobe e Pau Gasol.
LeBron James on his relationship with Jeanie pic.twitter.com/nrf91revHZ
— Melissa Rohlin (@melissarohlin) January 23, 2026
No mesmo bloco, ele foi categórico ao dizer que não se importa com o ecossistema de repercussão que alimenta a NBA fora da quadra: artigos, histórias, podcasts e afins. A mensagem central foi simples: isso “não o incomoda”, e quem o conhece pessoalmente sabe quais são suas intenções e prioridades.
“Eu achei que estava bom”: o que ele disse sobre Jeanie
Questionado diretamente sobre a relação com Jeanie e sobre como ele enxergava esse vínculo à luz das informações publicadas, LeBron respondeu: “Eu achei que estava bom”. Em seguida, acrescentou que alguém pode ver a situação de outro jeito, porque “sempre há dois lados da moeda”.
Ele também destacou como acredita ter representado a franquia desde que chegou: com “respeito”, “dignidade” e “lealdade”. O tom, no geral, não soou como um ataque a Jeanie, mas também não foi uma declaração especialmente “calorosa”. Ainda assim, pela forma como foi entregue, a leitura predominante foi de que LeBron tentou desarmar o tema, em vez de inflamá-lo.
“A gente nunca conversa”: contato quase inexistente fora do contexto profissional
LeBron foi pressionado novamente, desta vez sobre um ponto bem específico: se ele e Jeanie tinham se falado desde a publicação da reportagem. A resposta dele foi ainda mais seca. LeBron disse: “A gente nunca conversa”, e completou que não é como se eles ficassem no telefone — e que nunca houve nem mesmo um “relato” de que isso aconteça.
Ele pediu para que não se criasse algo maior do que é e citou que também não ficava ligando para outros proprietários com quem trabalhou na carreira, como Micky Arison (do Heat) e Dan Gilbert (do Cavaliers). A mensagem, de novo, foi de normalização: na visão dele, não existe nada de anormal em não ter esse tipo de contato pessoal, desde que exista respeito e parceria no âmbito profissional.
No fim, o episódio reforça uma percepção recorrente em torno da franquia: o Lakers raramente vive um período “normal”. Mesmo quando o assunto começa como uma disputa familiar ou um ruído institucional, ele tende a encostar na quadra, no vestiário e no futuro do principal nome do elenco — e, desta vez, LeBron fez questão de deixar claro que não pretende dar ao caso a importância que muita gente quer atribuir.




