Depois do All-Star break, o roteiro parecia simples para o Lakers: com o trio de estrelas finalmente saudável, era hora de embalar, subir na tabela e tentar estabilizar a temporada. Em vez disso, o time voltou do intervalo com a cara mais preocupante possível.

Vieram duas derrotas seguidas, para Boston Celtics e Orlando Magic. Na noite de quinta-feira, contra um Phoenix Suns desfalcado de seus dois principais cestinhas, o Lakers chegou precisando desesperadamente de uma vitória para estancar a sangria. Saiu de quadra com a terceira derrota consecutiva, por 113 a 110, em mais um jogo decidido nos segundos finais.

O Suns não tinha Devin Booker nem Dillon Brooks. No papel, não havia desculpa para o Lakers perder esse confronto direto.

Jogo maluco: de vantagem de 13 pontos para o Lakers a bola da vitória de Royce O’Neale

A partida foi uma verdadeira gangorra. O Lakers voltou do intervalo com tudo, marcou os 11 primeiros pontos do terceiro quarto e chegou a abrir 13 pontos de vantagem. Parecia o começo do jogo de afirmação que a equipe precisava.

Só que, da mesma forma que aconteceu em outros momentos da temporada, a equipe não sustentou o ritmo. O Suns reagiu, encontrou seu perímetro, acelerou o jogo e virou. Com pouco mais de seis minutos para o fim do último quarto, Phoenix vencia por 101 a 89.

O Lakers ainda mostrou poder de reação. A defesa apertou um pouco, o ataque voltou a produzir e a diferença foi caindo posse a posse. Faltando 22,7 segundos, o placar estava empatado em 110 a 110.

Na posse decisiva do Suns, a bola girou bem de mão em mão. A defesa do Lakers demorou a fechar no perímetro e Royce O’Neale apareceu livre para matar uma bola de três com 0,9 segundo no cronômetro.

O Lakers ainda teve uma última chance. Austin Reaves conseguiu um arremesso de três decente bem na beira do estouro, mas errou. Fim de jogo, mais uma derrota apertada, mais um final em que o time não consegue se impor.

Decisão na linha de três: 22 bolas do Suns contra um Lakers distraído

O fator determinante da partida esteve bem claro na planilha de estatísticas: a linha de três pontos.

  • O Suns converteu 22 de 50 bolas de três.
  • O Lakers, por sua vez, acertou 11 de 29 tentativas do perímetro.

Isso significa uma diferença de 33 pontos só nas bolas de três convertidas. Mesmo com o Lakers:

  • arremessando 50,7% de aproveitamento geral de quadra;
  • indo bem na linha do lance livre, com 12 conversões a mais que o Suns;

a avalanche de arremessos de fora por Phoenix foi simplesmente grande demais para compensar. Pior: boa parte dessas bolas veio em situações de falha de atenção defensiva, com o time “cochilando” em rotações, ajudando demais no garrafão ou demorando para fechar nos chutadores após drive-and-kick.

Lakers x Suns: Estatísticas dos jogadores

Lakers

James: 15 pts, 6 reb, 5 ast, 0 stl e 1 blk.

Doncic: 41 pts, 8 reb, 8 ast, 0 stl e 3 blk.

Smart: 13 pts, 3 reb, 4 ast, 1 stl e 1 blk.

Reaves: 14 pts, 2 reb, 2 ast, 2 stl e 2 blk.

LaRavia: 11 pts, 5 reb, 4 ast, 1 stl e 1 blk.

Kennard: 8 pts, 3 reb, 3 ast, 0 stl e 1 blk.

Ayton: 2 pts, 4 reb, 0 ast, 0 stl e 0 blk.

Hayes: 6 pts, 8 reb, 2 ast, 1 stl e 0 blk.

Vanderbilt: 0 pts, 1 reb, 0 ast, 0 stl e 0 blk.

Kleber: 0 pts, 0 reb, 0 ast, 0 stl e 0 blk.

Suns

Collin Gillespie: 21 pts, 3 reb, 3 ast, 1 stl e 3 blk.

Grayson Allen: 28 pts, 1 reb, 1 ast, 1 stl e 1 blk.

Royce O’Neale: 13 pts, 6 reb, 3 ast, 0 stl e 0 blk.

Rasheer Fleming: 8 pts, 6 reb, 3 ast, 1 stl e 0 blk.

Ryan Dunn: 10 pts, 4 reb, 4 ast, 1 stl e 1 blk.

Jalen Green: 9 pts, 0 reb, 3 ast, 1 stl e 0 blk.

Oso Ighodaro: 8 pts, 4 reb, 3 ast, 2 stl e 1 blk.

Amir Coffey: 6 pts, 2 reb, 2 ast, 2 stl e 0 blk.

Jamaree Bouyea: 6 pts, 2 reb, 2 ast, 2 stl e 1 blk.

Mark Williams: 4 pts, 10 reb, 0 ast, 0 stl e 1 blk.

Pós-All-Star de pesadelo: 5 derrotas nos últimos 7 jogos

Com o resultado, o Lakers agora tem campanha de 34–24. Ainda ocupa a sexta colocação no Oeste, mas a margem de segurança encolheu. A equipe está apenas um jogo à frente do próprio Suns, que aparece em sétimo.

No recorte recente, o cenário é ainda mais feio: são cinco derrotas nas últimas sete partidas. Isso inclui:

  • um blowout para o Boston Celtics;
  • uma derrota dolorosa para o Orlando Magic, com jogada final mal executada entre Luka Doncic e LeBron James;
  • e agora este revés para um Suns sem Booker e Brooks, decidido por mais uma falha defensiva decisiva no perímetro.

Em tese, a sequência após o All-Star era o momento perfeito para o Lakers ganhar tração, estruturar melhor as rotações e dar sinais de que pode ser um contender confiável. Na prática, o que se vê é um time que não consegue fechar jogos, oscila dentro da própria partida e, defensivamente, se perde com frequência.

Se o lado “Dr. Jekyll” desse Lakers mostra um elenco talentoso capaz de bater qualquer um em noite inspirada, o lado “Mr. Hyde” continua aparecendo com frequência demais para ser ignorado. E, com a tabela apertando e o play-in logo ali na esquina, o tempo para resolver essa dualidade está acabando.