O Lakers acertou em cheio ao conseguir Luka Doncic em uma troca bombástica que ainda repercute pela NBA. Mas, como o próprio elenco foi construído originalmente para ter Anthony Davis como co-astro, a franquia ainda não conseguiu montar ao redor de Luka a estrutura ideal para uma corrida séria ao título. Hoje, o time ocupa a quinta posição do Oeste e exibe deficiências bem claras, sobretudo na defesa.
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Defesa exposta e elenco ainda montado para o “mundo com AD”
Mesmo com uma dupla de peso como Doncic e LeBron James, o Lakers ainda está longe de ser um time “redondo”. A defesa carece de peças para cobrir as limitações de Luka e Austin Reaves do lado de trás da quadra. A troca que trouxe o esloveno não veio acompanhada de uma reengenharia completa do elenco — em grande parte porque o plantel havia sido moldado pensando em Anthony Davis como referência defensiva e de garrafão.
O resultado é um time que precisa, em muitos jogos, simplesmente fazer mais pontos do que permite, em vez de controlar o placar pela defesa. Contra equipes com defesa sólida, o Lakers sente ainda mais: a margem para noites ruins de ataque é mínima, e qualquer ausência de uma estrela vira problema de grandes proporções.
LeBron: “é assim há alguns anos, agora com Luka em vez de AD”
No podcast Mind the Game, LeBron James foi bem transparente ao falar do momento atual. Para ele, o principal fator para o Lakers é, há algum tempo, a saúde do elenco — algo que não mudou com a chegada de Luka:
“Estamos jogando bem em alguns momentos, mas o mais importante para nós é saúde. Finalmente ficamos saudáveis com o AR voltando e aí o Luka cai com o problema no tendão da coxa. Então isso é o mais importante para o nosso time. E tem sido assim nos últimos anos para nós”, disse LeBron.
Na prática, ele aponta que, apesar da troca (de Anthony Davis para Doncic), o padrão de dificuldades continua o mesmo: elenco com pouca gordura para queimar em caso de lesão das principais peças, exigindo 100% de disponibilidade das estrelas por longos períodos para manter o nível competitivo.
Lesões quebram o ritmo e escancaram falta de profundidade
A oscilação física do elenco impede o Lakers de encontrar um ritmo consistente. Com LeBron, Luka e Reaves entrando e saindo da rotação, cada jogo vira quase uma batalha isolada, com ajustes emergenciais e pouco tempo para consolidar entrosamento e identidade, especialmente na defesa.
LeBron foi direto ao comparar com a época em que Anthony Davis ainda estava no elenco:
“A gente não tem sido montado de forma que tenhamos muita margem para erro, ou como quando o AD estava no time. Quando o AD se machucava era tipo, ‘ferrou, não temos o suficiente para segurar isso’. Quando o Luka se machuca, é a mesma coisa: ‘é o Luka’. O AR ficou fora, e isso também foi duro pra gente.”
O recado é claro: mesmo com o peso de dois gigantes como LeBron James e Luka Doncic, o Lakers ainda vive em um cenário no qual qualquer lesão de um titular-chave expõe a fragilidade do elenco. Sem uma base defensiva sólida e sem profundidade confiável, o time precisa constantemente flertar com atuações quase perfeitas ofensivamente para compensar as brechas do outro lado da quadra.
O que isso diz sobre o próximo passo do Lakers
Enquanto a presença de Doncic e LeBron mantém o Lakers automaticamente no radar de qualquer discussão sobre playoffs, as declarações de LeBron ajudam a escancarar o que a diretoria já sabe: se quiser transformar esse time em um verdadeiro contender, será preciso:
- reforçar a defesa com mais especialistas no perímetro e alas versáteis;
- aumentar a profundidade, para não depender tanto da saúde perfeita das estrelas;
- ajustar o elenco ao redor de Luka, e não de uma versão antiga pensada para AD.
Até lá, cada partida segue sendo um teste de limite para uma dupla genial que, sozinha, ainda não consegue mascarar todas as falhas estruturais do elenco.