Às vezes, o momento mais importante de uma partida não aparece no boxscore. Depois que o Lakers venceu o Pelicans por 110 a 101, as câmeras capturaram uma cena que tomou conta das redes sociais: LeBron James indo ao encontro de Zion Williamson ao fim do jogo, os dois se abraçando, e o veterano dizendo algo ao ouvido do jovem ala.
Os leitores de lábios mais atentos da internet chegaram rapidamente ao consenso sobre o que LeBron disse: “Don’t mind the bullsh*t.” Não ligue pro que dizem.
Zion respondeu com vários acenos afirmativos, agradeceu com mais um abraço e deixou claro que a mensagem chegou. Em meio à semana mais barulhenta de sua carreira recente, o apoio de um dos maiores jogadores da história pode ter valido mais do que qualquer estatística.
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O que antecedeu o gesto de LeBron
Para entender o peso do momento, é preciso recuar 24 horas. Stephen A. Smith, no First Take da ESPN, disparou mais uma investida contra Williamson, comparando os hábitos alimentares do ala de New Orleans a uma “dependência química” e afirmando que o jogador teria sido “flagrado escondendo comida embaixo da cama”.
O timing foi o que mais incomodou. O ataque de Smith veio logo após uma entrevista de Zion à própria ESPN, em que o jogador falou abertamente sobre o impacto emocional das críticas ao seu peso durante o período de recuperação de uma fratura. Ele admitiu que as constantes provocações durante a reabilitação o levaram a um momento “muito baixo” em sua saúde mental.
Smith claramente não demonstrou nenhuma empatia pelo relato. Em vez disso, optou por escalar ainda mais.
O Pelicans entrou na briga, e a internet os seguiu
A organização do Pelicans não ficou quieta. O perfil oficial do time no X publicou uma compilação dos maiores erros e situações constrangedoras de Stephen A. Smith ao longo dos anos, acompanhada da frase: “Fica na sua, Stephen.”
Smith levou a sério, respondeu com uma ameaça velada: “Tirando coisas de uma, duas, três décadas atrás? Tudo bem. Até amanhã no First Take. Lembrem de uma coisa: vocês pediram isso.“
A resposta do Pelicans foi mais GIFs. A torcida entrou com memes. As ameaças do analista caíram no esquecimento.
E talvez todo esse calor coletivo ao redor de Zion tenha acendido algo nele dentro de quadra. Na noite contra o Lakers, ele terminou com 24 pontos em 10/18 nos arremessos, maior pontuador de sua equipe e segundo maior da partida, atrás apenas de Luka Doncic, que somou 27.
LeBron e Stephen A.: uma rivalidade que dá contexto ao gesto
O abraço de LeBron em Zion não foi um gesto genérico de fair play. Tem história por trás.
LeBron James e Stephen A. Smith têm um longo histórico de embates públicos ao longo dos anos. Há registros, inclusive, de uma confrontação direta entre os dois. Quando LeBron se aproxima de um jovem atleta que está sendo alvo do mesmo analista, o gesto carrega uma camada extra de significado: é solidariedade de quem já passou por situação parecida.
James, aos 41 anos, escolheu priorizar a saúde mental do jovem acima de qualquer narrativa de rival em quadra. É o tipo de coisa que não rende pontos na tabela, mas que pode mudar a trajetória de um atleta em um momento de vulnerabilidade.
Para Williamson, que está disputando o maior número de jogos da carreira nesta temporada, o suporte de uma lenda como LeBron, em público, na frente das câmeras, logo depois de uma semana de ataques, tem um peso que vai muito além de qualquer vitória ou derrota. É o lembrete de que, dentro da liga, ele tem aliados onde menos esperava.