O período pós-All-Star é um dos trechos mais importantes da temporada da NBA. É quando os contenders se separam do pelotão, os times de playoff brigam por posição e o restante aceita a realidade e começa a mirar o topo do Draft.

O técnico JJ Redick falou publicamente que o Lakers precisava jogar seu melhor basquete agora. Isso não aconteceu.

Em vez de embalar, o time está estacionado na mediocridade. Desde o fim de semana das estrelas, o Lakers tem campanha de 1–2. Antes disso, fechou uma rara sequência de oito jogos seguidos em casa com um morno 4–4.

Com o elenco praticamente em força máxima, fica difícil fugir da conclusão incômoda: este Lakers é, hoje, exatamente isso. Um time bom o bastante para bater adversários fracos, mas que raramente consegue superar oponentes de peso.

O título está fora de alcance. Ganhar uma série de playoff já soa otimista. E ainda há mais de um quarto de temporada pela frente. Não vai demorar para parte da torcida começar a se desligar. Até porque a própria diretoria mandou um recado claro: tudo é sobre o ano que vem. A recusa em fazer trocas que melhorassem este elenco agora é prova disso.

O que resta da temporada 2025–26 corre o risco de ter cara de reprise de novela. Nada muito relevante acontecendo, enquanto todo mundo espera a próxima temporada desse drama começar de verdade.

O que o Lakers tem feito bem?

A pergunta que começa a ecoar é direta: o que este time do Lakers faz bem?

Antes da temporada, fazia sentido imaginar que a defesa sofreria, mas que o ataque seria bom. Acabamos num cenário pior. Os dois lados da quadra estão aquém.

Com LeBron James, Luka Dončić e Austin Reaves saudáveis, o Lakers ainda assim penou para pontuar. Na derrota para o Boston Celtics, o time marcou apenas 89 pontos, sua segunda pior marca ofensiva do ano.

No jogo seguinte, contra o Orlando Magic, o ataque de novo travou em momentos grandes. Reaves saiu zerado no primeiro tempo. Luka terminou a noite com 8/24 nos arremessos. E o Lakers perdeu mais uma partida.

Na teoria, o time tem:

  • Luka em seu auge físico e técnico;
  • o maior pontuador da história da liga em LeBron;
  • e um Reaves vivendo temporada de melhores números da carreira.

Na prática, esse trio fechou a semana com plus/minus de –8 em 61 minutos juntos. Não é só pouco. É preocupante.

O encaixe ofensivo ainda não faz sentido. Falta fluidez, espaçamento funcional e clareza de papéis. E isso é o tipo de coisa que não se conserta apenas “esperando o tempo passar”.

Uma luz no fim do túnel…

O clima agora não é bom. As atuações recentes não ajudam. O discurso de “contender” parece distante. Ainda assim, no horizonte maior, o cenário do Lakers é menos dramático do que parece no calor do momento.

Redick tem boa chance de somar duas temporadas seguidas acima de 50 vitórias, algo que o Lakers não consegue desde 2011. O time não está em ritmo de 50 vitórias neste exato minuto. Porém, a estrutura de trabalho que ele vem implantando indica um piso mais alto do que em boa parte da década passada.

Luka está encaminhado como rosto da franquia pelos próximos anos. Com muito espaço salarial projetado para a próxima offseason, a diretoria terá margem para construir algo relevante ao redor dele.

A mensagem é simples. No curto prazo, dói. No médio e longo prazos, há base para acreditar que o Lakers pode voltar a disputar títulos, porque:

  • a cultura histórica da franquia ainda define que o padrão é ganhar tudo;
  • Walter já mostrou, no Dodgers, que está disposto a colocar as pessoas certas nos cargos certos para chegar lá.

Se este núcleo com LeBron, Luka e companhia não for o suficiente, a tendência é que Walter encontre quem seja. E é isso que, no fim das contas, mantém o torcedor preso a essa novela, mesmo em episódios sem muitas novidades.