Mesmo com campanha de 13–4 e ocupando a vice-liderança do Oeste, ainda existe dúvida se o Lakers está, de fato, no patamar dos principais candidatos ao título. Entre executivos e scouts na liga, o consenso é que o time precisa de mais defesa e atletismo no perímetro para encarar séries pesadas em maio e junho, e é justamente aí que o nome de Herb Jones, do New Orleans Pelicans, entra na conversa.

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Scout da NBA: “Pelinka deveria ligar sem parar por Herb Jones”

Um olheiro da NBA, ouvido pelo Lakers Daily, foi direto ao ponto ao falar sobre o que falta ao elenco:

Rob [Pelinka] deveria estar ligando para New Orleans sem parar, tentando trocar pelo Herb assim que ele puder ser negociado. O melhor defensor de perímetro deles é o Marcus Smart, de 31 anos, que nem é titular. O Vando (Jarred Vanderbilt) é um grande defensor, mas fica quase impossível usá-lo em playoffs por causa das limitações ofensivas.

Na visão desse scout, o problema não é só técnico, mas estrutural:

Do jeito que está hoje, o Lakers vai ser atropelado por Denver Nuggets, Oklahoma City Thunder e Houston Rockets porque não tem defensores atléticos no perímetro. Eles precisam de um cara forte na defesa, que também acerte bolas de três. O Herb é exatamente esse perfil, e o New Orleans Pelicans está aberto a negócios.

Quem é Herb Jones hoje e por que ele é tão cobiçado

Aos 27 anos e com 2,01 m, Herbert Jones é um dos alas mais respeitados defensivamente na liga. Ele não começou bem essa temporada, mas há pouco tempo estava no topo desse debate: foi All-Defensive First Team dois anos atrás, quando registrou 11 pontos de média, com 49,8% de aproveitamento nos arremessos de quadra e 41,8% nas bolas de três.

Versátil, Jones consegue marcar armadores maiores, alas e alguns alas-pivôs, alternando entre as duas posições de forward e até quebrando um galho como “2” em formações mais altas. É justamente o tipo de jogador que o Lakers ainda não tem em versão completa: alguém que:

1. defenda múltiplas posições em alto nível;

2. sobreviva ofensivamente em quadra, punindo com corte, transição e chute de fora.

No momento, ele está fora de ação com um problema na panturrilha e, por conta da extensão de três anos que assinou em julho, só poderá ser trocado a partir de 14 de janeiro de 2026. Ou seja: qualquer movimento real ainda depende dessa data.

Crítica pesada ao quinteto atual do Lakers

O mesmo scout não poupou o time titular mais óbvio do Lakers:

Um quinteto titular com Luka [Doncic], Austin [Reaves], LeBron [James], Rui [Hachimura] e Deandre [Ayton] não compete por título. São cinco caras que não defendem em alto nível. O LeBron ainda consegue, quando acelera, mas ele tem 40 anos. Dá um desconto para ele e troca por um cara como o Jones, que pode cobrir para ele, para o Austin e para o Luka.

A frase resume a preocupação central: o talento ofensivo é inegável, mas, em séries de sete jogos, a capacidade de conter armadores explosivos e wings atléticos pode ser o fator que separa um finalista de conferência de um time “apenas muito bom”.

Números que expõem a necessidade de mais defesa e atletismo

Os dados coletivos ajudam a sustentar essa leitura. O Lakers está em 15º em rating defensivo, ou seja, exatamente no meio da tabela. O time compensa parte disso com agressividade nas linhas de passe, é o quinto em pontos gerados a partir de turnovers adversários e o sétimo em percentual de desperdícios forçados.

Mas, quando se olha para a transição ofensiva, a falta de perna aparece: a equipe é apenas a 22ª em pontos de contra-ataque por jogo. Na prática, o Lakers até rouba bolas e força erros, mas não converte isso em volume de corrida e bandejas fáceis na mesma proporção. Jones, que traz envergadura, pernas e instinto, é visto justamente como alguém que ajudaria a transformar defesa em ataque com mais frequência.

Contrato administrável, mas qual o custo em escolhas?

Do ponto de vista financeiro, o negócio não é proibitivo. Jones recebe 13,9 milhões de dólares nesta temporada, faixa salarial que o Lakers consegue alcançar com combinações de contratos de role players, sem tocar imediatamente no núcleo principal. A questão, como sempre, é: quantas e quais escolhas de draft o Pelicans exigiria em troca.

Com um elenco afundado na lanterna do Oeste, com campanha de 3–15, o New Orleans Pelicans é candidato natural a vendedor até a trade deadline de 5 de fevereiro. Isso joga a favor de quem quer comprar, mas também pode inflacionar o mercado se outros contenders enxergarem em Jones a mesma peça que esse scout projeta para o Lakers.

Herb Jones vale o “all-in” do Lakers?

A provocação do scout é clara: se o Lakers quiser realmente se ver no mesmo nível de Nuggets, Thunder e Rockets nas próximas pós-temporadas, não basta ter um ataque talentoso com Luka Doncic, LeBron James e companhia. É preciso alguém que torne possível esconder parte das fragilidades defensivas desse trio e, ao mesmo tempo, não quebre o espaçamento.

Herb Jones encaixa perfeitamente nesse molde. O que resta saber é se a diretoria está disposta a pagar o preço em picks, e abrir mão de flexibilidade futura — para tentar transformar um ótimo time de temporada regular em um verdadeiro candidato a título já no próximo ano.