JJ Redick colocou um ponto acima de todos os outros antes da estreia contra o Warriors nesta quarta: saber como o novo Lakers vai reagir quando as coisas derem errado. O técnico, que chega ao terceiro ano no comando com nove saídas no elenco, avisou que a cobrança pode começar já na primeira derrota.
A incógnita que Redick não esconde
A pergunta foi direta, na véspera do primeiro jogo da temporada: o que ele ainda não sabe sobre este time? A resposta veio sem rodeio, segundo Ben Golliver, da ESPN. Para Redick, a maior incógnita é como o grupo vai lidar com a adversidade.
“Isso é diferente para cada time. Talvez seja diferente a forma como lidamos com a adversidade em novembro e em março. A esperança é crescer ao longo da temporada para lidar com ela do jeito certo, e isso vai nos preparar para ir longe nos playoffs.”
JJ Redick, técnico do Lakers, na véspera da estreia
Ele disse acreditar em um elenco “muito comprometido uns com os outros”, mas não fingiu que a vida em Los Angeles é igual à dos outros times. Cada derrota do Lakers vira crise, e o técnico tratou disso com ironia.
O céu que caiu 29 vezes
“Pode ser amanhã à noite. Vocês vão vir me dizer que o mundo está acabando e que o céu está caindo”, afirmou Redick aos repórteres. “Depende do time e depende do mercado. No Lakers, quantas vezes nós perdemos no ano passado? Vinte e nove? O céu caiu 29 vezes.”
A conta dele está certa. O Lakers terminou 2025-26 com 53 vitórias e 29 derrotas, e o que mais chama a atenção é a resposta depois dos tropeços: o time nunca perdeu mais de três jogos seguidos. Na primeira temporada de Redick, a pior sequência tinha sido de cinco.
O problema apareceu no fim. Nos playoffs de 2025, o Lakers caiu na primeira rodada para o Timberwolves. Em 2026, passou pelo Rockets e foi varrido pelo Thunder na segunda rodada. É por isso que Redick fala em novembro e em março como momentos diferentes: o que ele quer é chegar a abril com um time que já passou por coisa pior.
Um elenco que ainda está se conhecendo
O tamanho da mudança explica a dúvida. Saíram LeBron James, Rui Hachimura, Marcus Smart, Deandre Ayton, Luke Kennard, Jaxson Hayes, Gabe Vincent, Dalton Knecht e Maxi Kleber. Chegaram Walker Kessler, em uma troca com o Jazz, o calouro Cameron Carr e, como agentes livres, Quentin Grimes, Sandro Mamukelashvili, Collin Sexton, Ziaire Williams, Matisse Thybulle e Kevon Looney. Para quem acompanhou o time nos últimos anos, é quase outro Lakers.
Da rotação do ano passado, sobraram Luka Doncic, Austin Reaves e Jake LaRavia, lembra o Silver Screen and Roll. E o trio que deve carregar o time jogou junto uma única vez na pré-temporada. Doncic, Reaves e Kessler começam a estreia, mas as duas vagas de ala ainda não foram anunciadas, como contamos em quem Redick já indicou para o quinteto da estreia. Na pré-temporada, ele usou 12 titulares diferentes em cinco jogos, com duas vitórias e três derrotas.
O que a pré-temporada deu a Redick
Se o elenco é novo, o tempo de trabalho foi maior que o do ano passado. Antes do último jogo da pré-temporada, contra o Nuggets, Redick contou que conseguiu ir com mais calma no ensino do sistema. “Conseguimos cobrir mais situações especiais. Tivemos uma hoje no treino da manhã, e foi a terceira vez que passamos por ela. Deu tempo de insistir em coisas que, no ano passado, só tínhamos visto uma vez antes do primeiro jogo”, disse.
A pesquisa anual com os gerentes-gerais da NBA colocou o Lakers entre os times mais difíceis de prever. Redick não deu importância. Chamou a enquete de “um exercício divertido” e resumiu: “Previsões não significam nada”.
A estreia é a primeira de 82 noites, e a primeira em oito anos sem LeBron James como a cara da franquia. A primeira resposta pode vir já nesta quarta, às 23h, contra um Warriors que chega desfalcado. Se vier com derrota, Redick já sabe como vai ser a quinta-feira em Los Angeles. O que ele quer descobrir é outra coisa: se o time aparece inteiro no jogo seguinte, contra o Clippers.