Há uma chance concreta do Lakers manter Austin Reaves por algo em torno de US$ 30 milhões anuais — patamar próximo ao contrato de Tyler Herro —, bem abaixo das projeções mais agressivas do mercado (como os US$ 40 milhões estimados por Sam Vecenie). Caso se confirme, esse valor cria uma janela rara para cercar Luka Doncic do elenco certo e acelerar o plano de título na NBA.

Negociação e momento de mercado

Por regra, o máximo que o Lakers pode oferecer agora é uma extensão de quatro anos e US$ 90 milhões por causa do salário vigente de Reaves. Não é racional para o atleta abrir mão de valores maiores no curto prazo, então a tendência é esperar a free agency irrestrita de 2026. A diferença crucial está no “número”: se o alvo for algo como US$ 30 milhões por temporada, o ganha folga para reforços complementares sem atropelar a estratégia financeira que vem sendo montada para o ciclo 2026–27.

Aos 27 anos, Austin Reaves é um caso de ascensão que combina narrativa e desempenho. De não-draftado a peça incontornável de rotação, ele terminou a primeira temporada sob JJ Redick com média de 20 pontos por jogo, somando criação no pick-and-roll, arremesso com pull-up e agressividade para gerar lances livres. Comparativamente a Herro (quatro anos/US$ 120 milhões no Miami Heat), os dois compartilham virtudes ofensivas e limitações defensivas, mas Reaves entrega massa física e leitura de passe que ampliam o leque tático.

Encaixe técnico ao lado de Luka Doncic

O projeto gira em torno de Luka Doncic. Para maximizar o esloveno, o time precisa de um criador secundário que alivie a pressão do time, e mantenha a fluidez ofensiva quando a defesa dobra no portador da bola. A história mostra o quanto Luka prospera com esse perfil: ele chegou às Finais jogando com Kyrie Irving e alcançou finais de conferência com Jalen Brunson. Nesse ecossistema, Reaves não é apenas um “arremessador ao lado de uma estrela”: ele conecta ações, ataca closeouts, manipula marcadores no short clock e gera arremessos limpos para terceiros.

Outro ponto que favorece esse encaixe é a adaptabilidade. Em quintetos com mais defesa no perímetro, algo que o Lakers vem buscando, a responsabilidade de Reaves pode oscilar entre condutor primário das segundas unidades e finalizador/decisor ao lado de Doncic nos minutos de alto nível competitivo. Se o custo ficar na casa de US$ 30 milhões anuais, o valor relativo do pacote (produção + maleabilidade tática) tende a ser positivo, mesmo considerando os ajustes defensivos que o time precisa endereçar no entorno.

Impacto financeiro, riscos e oportunidade

Projetando 2026–27, pagar cerca de US$ 80 milhões pela dupla DoncicReaves é robusto, mas viável se o resto da folha do Lakers permanecer enxuto e orientado a contratos com terminais inteligentes. A possível barganha em Reaves cria margem para investir em alas versáteis, tamanho e proteção de aro, áreas que historicamente se mostram decisivas em séries longas de playoffs. O timing também ajuda: parte relevante dos compromissos pesados expirará ou será redimensionada no horizonte de 2026, permitindo atacar necessidades sem sacrificar flexibilidade.

O risco está no mercado. Projeta-se que ao menos dez franquias tenham espaço de teto no próximo verão; como agente livre irrestrito, Austin Reaves poderá assinar com qualquer uma. O argumento competitivo do Lakers passa por papel claro ao lado de Doncic, plano esportivo convincente e um número que seja “justo” para o jogador sem implodir a engenharia do elenco. É cedo para cravar a pedida final — desempenho, saúde e cenário macro do cap ainda podem mover a régua, mas, se o valor de referência destacado se materializar, o Lakers terá diante de si uma oportunidade rara: manter um segundo criador de alto impacto por custo controlado, acelerando a construção de um contender sustentável na NBA.