Russell Westbrook se aposentou aos 37 anos, após 18 temporadas na NBA. Ele encerra a carreira com 209 triplos-duplos, recorde absoluto da liga. E entra num clube de dois: só LeBron James também somou 25 mil pontos e 10 mil assistências. A passagem pelo Lakers durou uma temporada e meia.
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- Westbrook se aposenta aos 37 anos, após 18 temporadas e 1.301 jogos na NBA.
- Termina com 209 triplos-duplos, recorde da liga. Oscar Robertson tinha 181.
- Segundo jogador da história com 25 mil pontos e 10 mil assistências, ao lado de LeBron James.
- Pelo Lakers, jogou 78 partidas em 2021-22, com 18,5 pontos, 7,4 rebotes e 7,1 assistências.
- O anúncio saiu em vídeo de três minutos narrado pelo ator Michael B. Jordan.
O clube que só tinha LeBron James
Westbrook fechou a carreira com 27.176 pontos e mais de 10 mil assistências em 1.301 jogos. É o décimo quarto maior pontuador da história e o quinto maior em assistências. A combinação é o dado raro. Armadores que passam de 10 mil passes decisivos costumam não pontuar tanto. Pontuadores de 27 mil pontos raramente distribuem tanto. Antes de quarta-feira, só LeBron James tinha os dois números na mesma linha. Agora são dois nomes, e nada indica um terceiro tão cedo.
209 triplos-duplos e o recorde que continua de pé
O número que define Westbrook não é o de pontos. São os 209 triplos-duplos, mais do que qualquer jogador registrou na história da liga. Oscar Robertson liderava com 181 e ficou quase cinco décadas no topo. Westbrook passou o Big O em maio de 2021, ainda pelo Washington Wizards, e seguiu somando por mais cinco temporadas. Ninguém em atividade chega perto do número. É o tipo de recorde que só cai com uma mudança de estilo de jogo, não com um jogador melhor.
2016-17, a temporada que trouxe Oscar Robertson de volta
No primeiro ano sem Kevin Durant em Oklahoma City, Westbrook fez 31,6 pontos, 10,7 rebotes e 10,4 assistências por jogo. Foi a primeira média de triplo-duplo em uma temporada inteira desde Robertson, em 1961-62. Foram 42 triplos-duplos naquele ano, outro recorde. O prêmio de MVP veio no fim. Ele ainda repetiria a média de triplo-duplo em mais três temporadas, o que transformou um feito histórico numa rotina pessoal.
Os dezoito meses no Lakers
A passagem por Los Angeles é a parte áspera da história. O Lakers abriu mão de Kyle Kuzma, Kentavious Caldwell-Pope e Montrezl Harrell para trazer Westbrook em agosto de 2021, apostando num terceiro criador ao lado de LeBron James e Anthony Davis. Em 2021-22 ele jogou 78 partidas, com 18,5 pontos, 7,4 rebotes e 7,1 assistências, acertando 44,4% dos arremessos de quadra e 29,8% das bolas de três. O time fechou o ano em 33 vitórias e 49 derrotas, fora até do Play-In.
Na temporada seguinte, a comissão técnica o mandou para o banco depois de três jogos, e o Westbrook reserva funcionou melhor do que o titular. Não bastou. Em fevereiro de 2023 ele saiu numa troca de três times, foi parar no Utah Jazz, negociou a rescisão e assinou com o Clippers. O que ele sentiu naqueles meses só virou assunto público bem depois, num desabafo sobre a convivência com LeBron.
Sete times, nenhum anel
Do draft de 2008, quando o Seattle SuperSonics o escolheu com a quarta seleção, até a última temporada no Sacramento Kings, foram sete franquias. Onze anos de Thunder, depois Rockets, Wizards, Lakers, Clippers, Nuggets e Kings. Nenhum título. Westbrook termina como o quarto maior pontuador da história entre os jogadores que nunca levantaram o troféu. Pelo caminho, nove convocações para o All-Star Game, duas liderancas de pontuação da liga, três de assistências e uma vaga no time do 75º aniversário da NBA. Na última temporada, pelos Kings, fez 15,2 pontos, 6,7 assistências e 5,4 rebotes. Teve propostas de Kings e Wizards nesta offseason e recusou as duas.
A despedida narrada por Michael B. Jordan
O anúncio não veio em entrevista. Veio num vídeo de três minutos chamado Museum of Unspoken Answers, publicado nas redes sociais e narrado pelo ator Michael B. Jordan. Westbrook não fala uma palavra. Ele caminha por uma galeria com as próprias jogadas penduradas nas paredes, dos afundos no contra-ataque aos triplos-duplos. A legenda do post trouxe a frase que fechou tudo: “Às vezes você nem percebe que já assistiu ao fim. Você tinha que estar lá. E agora acabou.”
Westbrook nunca foi o jogador mais eficiente em quadra, e ele sabia disso. Foi o mais insistente. Dezoito anos correndo numa velocidade que ninguém pediu, atrás de um número que a liga tinha parado de registrar. O recorde de triplos-duplos vai ficar de pé por muito tempo. Quem quiser derrubar não vai precisar de talento. Vai precisar de teimosia.