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    Renato Campos

    27 de Novembro de 2025 postado por Renato Campos

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    Em janeiro deste ano, o Clippers parecia que ia controlar o duelo na cidade. No primeiro encontro entre as equipes no Intuit Dome, liderados por James Harden, Kawhi Leonard, Ivica Zubac e Norman Powell, eles derrotaram o Lakers por 116 a 102 em um jogo que foi bem menos equilibrado do que o placar indicava, chegando a abrir 26 pontos de vantagem mesmo com LeBron James, Anthony Davis e Austin Reaves em quadra.

    Naquele momento, o cenário na tabela também mostrava equilíbrio, mas com leve vantagem para o Clippers: 24–17 e quinto lugar no Oeste, contra 22–18 e a sexta posição do Lakers. Em meio à sua primeira temporada como técnico, JJ Redick descreveu o rival como um “grande time”, “uma equipe defensiva com um motor ofensivo e vários jogadores que cumprem muito bem seus papéis”. Era um reconhecimento claro de que ele não via ainda seus Lakers nesse mesmo nível.

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    De domínio de Ty Lue ao ponto de virada com Luka Doncic

    Aquela vitória também ampliou um dado incômodo para o lado roxo e dourado. Como técnico do Clippers, Tyronn Lue chegou a 13–3 contra o Lakers, incluindo 11 vitórias seguidas, igualando a maior sequência de um único lado na história do clássico angelino.

    O roteiro começou a mudar quando o Lakers tomou uma das decisões mais ousadas de sua história recente: a troca que enviou Anthony Davis para o Dallas Mavericks e trouxe Luka Doncic para Los Angeles. De uma hora para outra, o time passou a ter exatamente aquilo que Redick elogiava no rival: um verdadeiro motor ofensivo, um jogador no auge que atrai dupla marcação com a bola nas mãos, domina em isolations e controla o ritmo do jogo como poucos.

    Desde essa troca, o Lakers não perdeu mais para o Clippers. Os três confrontos após o negócio, dois deles com Luka em quadra, foram vitórias decisivas que ajudaram a equipe a fechar a temporada passada com 50–32, garantir o título da divisão e a terceira posição no Oeste. O Clippers, com a mesma campanha, terminou apenas em quinto.

    Lakers em ascensão, Clippers à deriva

    As duas franquias foram construídas com a mesma ambição: disputar o topo do Oeste. Mas, enquanto o Lakers se estabilizou em torno de Luka Doncic, reintegrando LeBron após lesão e encaixando melhor suas peças de apoio, o Clippers começou a se perder, sobretudo defensivamente.

    Essa diferença de trajetória ficou clara no duelo da Copa da NBA desta terça-feira, em rede nacional, no centro de Los Angeles. Com a vitória por 135 a 118, o Lakers engatou sua primeira sequência de quatro triunfos seguidos sobre o Clippers desde a série de nove vitórias entre 2007 e 2009, período em que o time foi três vezes campeão do Oeste e conquistou dois títulos da NBA.

    Não é só que o Lakers voltou a vencer o rival; é a forma como passou a controlar esses confrontos.

    Luka domina Harden e o trio do Lakers engole o do Clippers

    Confusão durante duelo entre Lakers e Clippers

    James Harden pode ser o pai do stepback em isolation, mas hoje Luka Doncic é o herdeiro mais perigoso desse estilo. Contra o Clippers, ele foi praticamente indefensável. Terminou com 43 pontos, superando os 29 de Harden, e anotou 32 desses pontos apenas no primeiro tempo, abrindo caminho para uma noite tranquila para o ataque angelino.

    Mas Luka não esteve sozinho. Austin Reaves fez uma das melhores atuações com a camisa do Lakers, fechando o jogo com 31 pontos, sendo 18 deles no último quarto, justamente quando o Clippers ainda tentava reagir. LeBron James, em apenas seu terceiro jogo na temporada, somou mais 25 pontos, atacando os espaços criados pela atenção que a defesa dava a Luka.

    No total, o trio Luka–LeBron–Reaves somou 99 pontos, enquanto a combinação de Kawhi Leonard, Harden e Zubac terminou com 58. Além do volume, houve uma diferença clara de eficiência: todos os três principais jogadores do Lakers converteram ao menos 50% de seus arremessos de quadra, enquanto o trio do Clippers ficou abaixo dessa marca.

    Leonard reconheceu a diferença após o jogo: “Os três melhores jogadores deles tiveram mais de 25 pontos. Temos que ser melhores defensivamente.”

    De defesa de elite a uma das piores da liga

    Em janeiro, Redick elogiava abertamente a defesa do Clippers. Não era à toa: na temporada passada, a equipe terminou com o terceiro melhor rating defensivo da NBA, atrás apenas do campeão Oklahoma City Thunder e do Orlando Magic. A identidade era clara, com um ataque competente sustentado por uma base defensiva sólida.

    Agora, o quadro é o oposto. Após o duelo da NBA Cup, o Clippers aparece entre as piores defesas da liga, melhor apenas que Washington Wizards e Brooklyn Nets em eficiência defensiva. A queda é tão brusca que o próprio Kawhi, duas vezes eleito Defensor do Ano, admite que o time deixou de dificultar a vida das grandes estrelas.

    “Acho que temos que começar a tornar as coisas mais difíceis para os melhores jogadores ofensivos dos outros times”, disse. “Hoje, o Luka com 40. Em um dos jogos, o Jokic teve 50. Temos que tentar fazer com que eles passem mais a bola, como fazem com a gente.”

    O problema é que Leonard já não consegue, com a mesma frequência, ser o marcador primário dessas estrelas. A combinação de idade, desgaste físico e carga ofensiva em um elenco mexido limita o quanto ele pode assumir as missões mais pesadas do outro lado da quadra.

    Kawhi limitado, Lue pressionado e o Lakers no controle

    Kawhi Leonard x Austin Reaves

    A recente volta de Kawhi após uma ausência de 10 jogos escancarou essas limitações. No duelo contra o Cleveland Cavaliers, ele viu Donovan Mitchell marcar 37 pontos em 14/22 nos arremessos, enquanto passava boa parte do tempo marcando Darius Garland ou De’Andre Hunter. Já contra o Lakers, enquanto Luka empilhava pontos, Leonard se concentrou mais tempo em LeBron, que ainda retomava ritmo competitivo.

    Tyronn Lue explicou que essas escolhas fazem parte de um plano de retomada gradual de minutos e responsabilidade, afirmando que só pretende exigir missões defensivas mais pesadas de Kawhi quando ele estiver 100% e com sua carga de minutos normalizada. Até lá, o técnico tenta equilibrar a necessidade de competir agora com a de preservar seu principal jogador.

    “Quando você perde seu melhor jogador, um top 10 quando está em quadra, é difícil compensar”, disse Lue antes do confronto com o Lakers. “As pessoas falam ‘next man up’, mas se ele ganha 60 milhões e o próximo ganha 400 mil, não é exatamente a mesma coisa.”

    Enquanto o Clippers tenta reencontrar sua identidade, o Lakers parece exatamente onde queria estar. Se em janeiro Redick admitia que o rival era o “grande time” da cidade, agora é Lue quem reconhece a mudança na hierarquia de Los Angeles.

    “Precisamos jogar melhor. Os times estão melhores do que nós nesse momento. Faz parte. Fomos derrotados por um time melhor hoje. Eles estão jogando em um nível alto”, declarou o treinador.

    Com Luka Doncic como motor ofensivo, LeBron dosando esforço, mas ainda capaz de dominar trechos importantes, e Austin Reaves crescendo como terceiro pilar, o Lakers tomou para si o controle da narrativa na cidade. Se antes assistia ao vizinho ditar o ritmo, agora é o time roxo e dourado que marca o compasso, e deixa o Clippers correndo atrás em resultado, identidade e discurso.

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