Jake LaRavia admitiu que perdeu o controle mental na segunda metade da temporada passada e que passou a offseason trabalhando isso e o arremesso. No último ano de contrato, ele chega ao camp num elenco com mais jogadores do que vagas.
O que LaRavia disse
A conversa começou no Media Day e teve uma franqueza rara para o dia de foto e sorriso. LaRavia não esperou a pergunta difícil: ele mesmo puxou o assunto da segunda metade da temporada passada.
“Este verão foi de reflexão e de intenção. A segunda metade da última temporada não foi do jeito que eu queria. Na temporada, você tem apagões mentais. Eu tive um e não consegui me recuperar dele. Como atleta profissional, isso pode acontecer. Mas quando você joga no maior palco, não pode.”
Jake LaRavia, ala do Lakers, no Media Day
A fala foi registrada pelo Silver Screen and Roll. Na quinta-feira, depois do terceiro treino, ele voltou a falar, agora sobre o camp: “Tem sido um training camp muito físico, competitivo, intenso. Acho que é o melhor desde que estou na liga.” No caderno do mesmo dia, o Silver Screen and Roll registrou elogios à condição física e mental com que ele se apresentou.
Os números do apagão
O apagão de que LaRavia fala aparece nas planilhas com data marcada. Até 15 de janeiro, ele acertava 35,3% das bolas de três, perto da média que trazia da carreira. Nos 43 jogos seguintes, o aproveitamento caiu para 27,9%. Para um ala que joga ao lado de Doncic, a principal função é punir quem dobra a marcação no esloveno, e com esse aproveitamento a defesa adversária passou a deixá-lo livre de propósito.
Nos playoffs, o efeito ficou visível na rotação. Os minutos dele caíram de 25,1 por jogo na temporada regular para 14,3, e as bolas de três viraram 2 acertos em 7 tentativas. Os erros com a bola também subiram: o índice de desperdício foi de 12,9% para 27,1%, mais que o dobro. Foi o retrato de um jogador que entrou em quadra sem confiança.
O verão e a vaga
LaRavia contou que dividiu a offseason em duas frentes. A primeira foi mental: entender o que aconteceu e como sair mais rápido do próximo buraco. A segunda foi técnica, e ele foi direto ao dizer que era a principal. “Vou entrar em todo jogo para jogar duro, defender, brigar pelo rebote. Mas a regularidade no arremesso era uma coisa muito grande para mim. Foi o principal foco deste verão. Agora vamos ver.”
O “agora vamos ver” tem prazo. LaRavia está no último ano do contrato de dois anos assinado em 2025, com salário de US$ 6 milhões em 2026-27, e chega a um elenco atual com 16 jogadores sob contrato padrão para 15 vagas. Pior: Quentin Grimes e Ziaire Williams foram contratados para a mesma faixa de função, a do ala que defende e arremessa do canto.
O argumento a favor dele
Há um dado que pesa do outro lado. LaRavia disputou os 82 jogos da temporada regular, 43 deles como titular, e foi o jogador do elenco que mais entrou em quadra. Num time que passou o ano remendando lesões, a disponibilidade dele foi um ativo, e ela continua sendo. A defesa e o rebote, que ele mesmo lista como garantidos, também não dependem do arremesso cair.
Também pesa a idade. Aos 24 anos, LaRavia ainda está na fase em que um ala costuma melhorar o arremesso de uma temporada para outra, e o Lakers já viu do que ele é capaz numa noite boa: no começo de 2025-26, contra o Wolves, ele fez 27 pontos acertando 10 de 11 arremessos, a melhor partida da carreira. A comissão sabe que esse jogador existe. Falta ele aparecer com frequência.
A pré-temporada começa na segunda-feira, contra o Kings, e vai ser o primeiro teste público do verão de trabalho. Se a bola de três voltar à faixa dos 35%, LaRavia deixa de ser o nome mais citado na conta do corte. Se não voltar, o apagão da temporada passada vai ter custado mais que alguns jogos ruins.