Austin Reaves deu aos novos companheiros um recado direto antes da estreia contra o Warriors nesta quarta: esquecer o barulho de fora e se fechar no grupo. Jogador mais antigo do elenco, ele virou a referência de um Lakers cheio de caras novas, papel que já aparecia no conselho que está soltando Mamukelashvili.
O recado de quem conhece a casa
A pergunta veio depois do último jogo da pré-temporada, contra o Nuggets: o que ele diria a quem nunca vestiu a camisa do Lakers? A resposta, registrada pelo Silver Screen and Roll, foi a de alguém que só conhece este endereço na NBA.
“Eu não conheço outra coisa. Foi aqui que eu cheguei. Mas é o Lakers, uma das organizações esportivas mais acompanhadas do mundo. Vão te elogiar quando você estiver bem e não vão quando você não estiver. O que acontece fora destas paredes não importa muito. Importa o que acontece aqui dentro, e se alguém tiver qualquer dúvida, vou passar o melhor que eu sei.”
Austin Reaves, depois do último jogo da pré-temporada
A fala tem peso porque quase ninguém ali sabe do que ele está falando. Da rotação de 2025-26, só ficaram Reaves, Luka Doncic e Jake LaRavia. Os outros chegaram na offseason, de Walker Kessler a Collin Sexton, passando por Quentin Grimes, Sandro Mamukelashvili, Ziaire Williams, Matisse Thybulle e Kevon Looney.
De não draftado a dono da casa
Reaves escolheu o Lakers antes de o Lakers escolher qualquer um. No draft de 2021, ele e os agentes recusaram ser escolhidos na segunda rodada, porque achavam que assinar com Los Angeles como não draftado seria um caminho melhor. A aposta deu certo: ele cresceu temporada a temporada e chega à sexta no time como o jogador há mais tempo no elenco.
O contrato novo, de quatro anos e US$ 184 milhões, começa a valer agora. O Silver Screen and Roll vê uma primeira convocação para o All-Star como possibilidade real, se ele ficar longe das lesões. Na temporada passada, foram 23,3 pontos por jogo em 51 partidas.
O grupo que ele enxerga
Na véspera da estreia, Reaves falou do elenco como um time de “gente de caráter”, que vai “se unir quando a adversidade chegar, em vez de rachar”, segundo Ben Golliver, da ESPN. Mas não vendeu o Lakers como pronto.
“Somos bons o bastante para ganhar muitos jogos, mas não acho que somos tão bons quanto podemos ser”, disse. “Com as repetições, a competição dentro dos jogos e passando por momentos difíceis, isso só vai nos fazer melhores a longo prazo.”
É a mesma linha do técnico. JJ Redick também colocou a reação às derrotas como a dúvida que leva para a estreia, e lembrou que em Los Angeles cada derrota vira crise. Reaves, que viveu cinco temporadas disso, sabe como é a semana depois de um tropeço.
O que muda com ele à frente
Doncic é a estrela e o dono da bola. Mas, para o vestiário, a voz de quem está ali desde 2021 conta de outro jeito. Foi Reaves quem chamou para si e para Doncic a culpa pelos erros na pré-temporada, e é ele quem os novos procuram para entender o que é jogar no Lakers.
O papel também tem um lado prático. Com um garrafão novo, um banco novo e duas vagas de titular ainda sem dono, Redick precisa de alguém que traduza o sistema para quem acabou de chegar. Reaves conhece as jogadas, os hábitos da comissão técnica e o humor da cidade depois de uma derrota. Na pré-temporada, Mamukelashvili contou que foi dele o conselho que o deixou mais solto em quadra.
O primeiro teste é nesta quarta, às 23h, na Crypto Arena, contra um Warriors desfalcado e com Stephen Curry em quadra. Se o recado pegou, vai aparecer no primeiro momento ruim do jogo, quando a torcida esfriar e o placar apertar. É ali que se vê se o grupo fecha ou racha.