Cameron Carr é o novato que o Lakers escolheu pagar mais caro para ter. Pego pelo Knicks na 24ª posição do Draft 2026, teve os direitos comprados pela franquia de Los Angeles em troca da 25ª escolha. Aos 21 anos, o ala-armador de 1,96m chega para tapar o buraco mais antigo do elenco: alas que defendem e acertam de três.
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- Pego na 24ª posição do Draft 2026 pelo Knicks; Lakers comprou os direitos com o pick 25.
- Média de 18,9 pontos, 49,4% de quadra e 37,4% dos 3 em Baylor na última temporada.
- Na Summer League de Las Vegas: 18 pontos por jogo, 42,4% de quadra e 19,2% dos 3.
- Tem 21 anos, 1,96m e é filho de Chris Carr, que jogou na NBA entre os anos 1990 e 2000.
- Foi terceiro time do All-Big 12 e chega para uma vaga de ala carente há temporadas.
A troca que o Lakers fez para não deixar o alvo escapar
A operação foi discreta e cara do jeito que negociações de fim de primeira rodada costumam ser. O Knicks chamou o nome de Carr na 24ª posição. O Lakers, que estava logo atrás com a 25ª, entregou a própria escolha para ficar com os direitos do jogador. Uma posição de diferença parece pouco no papel. Não é. Quando a diretoria tem um nome cravado no topo da própria lista, uma posição é a distância entre levar o atleta e assistir outro time levar.
A leitura por trás da conta é simples. O Lakers vinha de temporadas acumulando armadores e precisando de gente capaz de jogar nas alas sem virar alvo defensivo. Carr, com 1,96m e envergadura de ala, entra exatamente nessa lacuna, com a ressalva de que ainda precisa provar as duas pontas. O perfil dele no NBA.com já aparece como armador de Los Angeles.
O que a Summer League mostrou, e o que ela escondeu
Os números de Las Vegas contam duas histórias ao mesmo tempo. Carr foi o principal pontuador do time no torneio, com média de 18 pontos por jogo. Abriu a competição com 19 pontos e teve uma noite de 26. O volume estava lá desde o primeiro dia, e ele nunca pareceu intimidado pela mudança de nível.
O problema está no detalhe. O aproveitamento ficou em 42,4% de quadra e despencou para 19,2% nos arremessos de três. Em Baylor, na temporada passada, o mesmo jogador anotou 18,9 pontos por partida com 49,4% de quadra e 37,4% da linha de três. A diferença entre esses dois blocos de números é praticamente todo o debate sobre o que ele vai ser na NBA.
Vale a nota de contexto. Summer League é amostra curta, defesa desorganizada e bola pesada nas mãos de quem tem a maior liberdade em quadra. Ninguém deveria projetar carreira a partir de quatro jogos em julho. Mas ninguém deveria ignorar de onde veio a queda, também. O próprio jogador apontou a defesa como sua prioridade logo depois de uma das partidas.
A confiança que o pai instalou antes de a NBA existir
Perguntado sobre como equilibra confiança e humildade, Carr recorreu a uma frase de casa.
“Meu pai sempre me disse uma coisa. Eu sofria bastante com confiança na escola porque era magro, não era o maior nem o mais forte. E ele olhava para mim e falava: se você não confia em você, quem mais vai confiar? E eu pensava: é verdade. Ele colocou isso na minha cabeça de um jeito que não pode oscilar. Minha confiança não deveria mudar nunca.”
O exemplo que ele deu na sequência é o de um jogador que aprendeu a apagar o erro no mesmo segundo.
“Ontem eu soltei um arremesso de 30 pés que passou por cima da tabela e caiu do outro lado. Aí eu virei, voltei e acertei um de três. É assim. Você tem que esquecer o que acabou de acontecer, negativo ou positivo. Memória curta e vai para a próxima.”
A frase não é bravata de calouro. Carr é filho de Chris Carr, que jogou na NBA no fim dos anos 1990 e no começo dos 2000. Isso significa que ele chegou ao vestiário profissional já sabendo como funciona o calendário, a rotina de treino e a política interna de um elenco. É um atalho que a maioria dos novatos não tem.
O peso da camisa ainda não caiu
Sobre vestir o uniforme de uma das franquias mais pesadas do esporte americano, ele admitiu que ainda está processando.
“A ficha ainda não caiu, provavelmente vai demorar um pouco. Mas quando bate, é tipo: eu jogo no Lakers. Claro que é empolgante. É uma tradição enorme, um time e jogadores que vieram antes de mim, então tudo o que eu posso fazer é honrar isso.”
E sobre estar pronto para contribuir já na temporada 2026-27, a resposta veio sem promessa e sem recuo.
“Eu faço o que for preciso para ganhar. Não vou carimbar se estou pronto ou se não estou. O que eles precisarem para o time vencer, eu estou disposto a fazer.”
O que decide a temporada de estreia
O caminho para a rotação passa por duas coisas concretas. A primeira é o arremesso de três voltar ao patamar de Baylor, porque um ala que não pune o espaçamento não sobrevive ao lado de um armador que vive dentro do garrafão como Doncic. A segunda é a defesa individual na bola, o item que o próprio jogador colocou no topo da lista.
Se as duas caixas forem marcadas, o Lakers ganha aquilo que vinha tentando comprar caro no mercado e recebendo pouco: um ala jovem, leve na folha salarial e útil nos dois lados da quadra. Se só uma for marcada, ele vira especialista situacional, na linha do que Austin Reaves foi nos primeiros meses antes de virar peça central.
A conta de julho não vale nada ainda. Ela vale em novembro, quando o adversário decidir se deixa ele solto no canto ou não. Aquele primeiro chute limpo em jogo oficial vai dizer mais sobre a temporada do Lakers do que qualquer média de Summer League.