Desde Lonzo Ball, em 2017, nenhuma escolha de primeira rodada do Lakers virou peça de rotação estável. Cameron Carr chega para tentar mudar isso. O novato pego na 24ª posição do draft deste ano teve uma Summer League que dividiu opiniões dentro da própria franquia.
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Quase uma década sem acertar na primeira rodada
A conta é dura e tem contexto. Desde Lonzo Ball, em 2017, nenhuma escolha de primeira rodada do Lakers virou peça de rotação estável. Parte disso não é erro de avaliação, é opção: o time trocou boa parte dessas escolhas para montar elenco pronto, primeiro por Anthony Davis, depois por Dennis Schroder, por Russell Westbrook e finalmente por Luka Doncic.
A exceção recente foi Dalton Knecht, que começou o ano de calouro em brasa e murchou rápido. Hoje ele aparece em minutos de jogo decidido. É a comparação incômoda que a análise do Silver Screen and Roll, assinada por Jacob Rude, coloca na mesa como pior cenário para Carr.
Enquanto isso, Spurs e Thunder se montaram no caminho oposto, empilhando escolhas de primeira rodada e transformando quase todas em jogadores de rotação. É a diferença entre construir e comprar, e o Lakers escolheu comprar durante quase dez anos.
O que a Summer League mostrou de bom
A leitura americana é otimista e tem lógica. O que Carr fez melhor em Las Vegas foi pontuar sem a bola: converter de três saindo de bloqueio no perímetro, acertar o arremesso de média em bloqueios diretos e atacar o aro em cortes. Com Doncic ou Austin Reaves quase sempre em quadra, é exatamente esse o cardápio de um calouro no Lakers.
O time tem armador de sobra, mas nenhum deles pontua como ele. Esse é o argumento mais forte a favor de Carr aparecer cedo na rotação, e ele não depende de projeção: depende de o arremesso cair.
O número que complica a tese
Aqui a nossa leitura diverge da americana. A tese de que o jogo sem a bola de Carr se traduz rápido se apoia no arremesso, e o arremesso dele não apareceu em Las Vegas. Foram 18 pontos por jogo com 42,4% de aproveitamento de quadra e 19,2% nas bolas de três. Em Baylor, na última temporada, tinham sido 18,9 pontos com 49,4% de quadra e 37,4% do perímetro.
Amostra de Summer League é curta e ninguém deve tratar poucos arremessos como sentença. Mas quando o caminho mais rápido para a quadra é o arremesso de perímetro, e o único teste profissional disponível devolveu 19,2%, a conta merece ficar registrada antes do otimismo. Nós já tínhamos apontado em julho os dois pontos a corrigir: o drible cede sob pressão defensiva e a leitura de jogo ainda é limitada.
Onde ele entra, se entrar
O plantel atual não abre espaço de graça. A fila por minutos de perímetro ficou maior nesta offseason, e Carr começa a temporada na borda da rotação, na melhor das hipóteses. O caminho realista passa por lesão de alguém à frente dele, por rotação ampliada em sequência de jogos apertada ou por uma arrancada de arremesso que force a mão da comissão técnica.
Defensivamente, ele vai ser ruim no começo, como quase todo calouro. Tem 1,96m e envergadura de ala, o que dá margem para atrapalhar linhas de passe antes de aprender a defender de verdade. Se o ataque render, ganha paciência do outro lado; se não render, não ganha nada.
O que se pede de um novato aqui
Carr tem 21 anos e é filho de Chris Carr, que jogou na NBA na virada dos anos 1990 para os 2000, então o ambiente não é novidade para ele. O Lakers pagou a 25ª escolha para subir uma posição e não perder o nome, o que diz o tamanho da convicção da diretoria.
A pré-temporada começa em 5 de outubro, e é ali que a conversa sai do campo da expectativa. Nenhum calouro precisa quebrar uma seca de quase dez anos sozinho. Carr precisa de bem menos: acertar de três com regularidade e não ser um problema quando a bola estiver do outro lado.