O Lakers tenta trocar Jarred Vanderbilt desde julho e segue sem comprador. No contrato, o ano final pertence ao jogador, e o time perde a palavra. São 12,4 milhões de dólares garantidos em 2026-27 e uma opção de 13,3 milhões para 2027-28 que só ele decide.

Siga o Lakers Brasil no Instagram

Resumo rápido
US$ 13,3 mi
A temporada de 2027-28 que o Vanderbilt aceita ou recusa sozinho, sem o time opinar.
US$ 12,4 mi
O que um time assume de garantido nesta temporada se aceitar a troca.
16 para 15
Contratos padrão no elenco e o teto da liga na estreia, em 20 de outubro.
18/09/2023
O dia em que ele assinou a extensão de quatro anos e 48 milhões que trava tudo hoje.

O Lakers não decide sozinho o que fazer com ele

A franquia tem 16 jogadores sob contrato padrão para um limite de 15, e precisa resolver isso antes de 20 de outubro. A leitura fácil é que basta empurrar o maior salário do grupo de reservas para outro time. A conta real não funciona assim.

Vanderbilt recebe 12,4 milhões de dólares nesta temporada. Esse valor, sozinho, não assusta ninguém na NBA de 2026. O que assusta é o que vem depois dele. A temporada seguinte custa 13,3 milhões e está escrita como opção do jogador, o formato em que quem aperta o botão é o atleta, e não a diretoria que pagou.

Na prática, um time que aceite a troca hoje compra dois cenários e não escolhe nenhum. Se o ala-pivô voltar a jogar como jogava em Minnesota, ele recusa os 13,3 milhões, vai ao mercado e o novo time fica sem nada nas mãos. Se ele repetir a temporada passada, de 4,4 pontos e 17,4 minutos em 65 jogos, ele assina a opção e o novo time paga por um ano que não pediu.

Os três contratos que o time tenta mover, lado a lado

Nós fomos aos números do plantel atual para entender por que os nomes citados em rumor de troca recebem tratamentos tão diferentes. A diferença não está no tamanho do salário, está em quem assina embaixo da última temporada.

Quem decide o último ano de cada contrato
Jake LaRavia
Jake LaRavia
Ala, 12
2026-27
US$ 6,0 mi
Depois disso
O contrato acaba
Dalton Knecht
Dalton Knecht
Ala, 4
2026-27
US$ 4,2 mi
2027-28
US$ 6,4 mi, o time decide
Jarred Vanderbilt
Jarred Vanderbilt
Ala-pivô, 2
2026-27
US$ 12,4 mi
2027-28
US$ 13,3 mi, ele decide

LaRavia acaba nesta temporada e vira agente livre, o contrato mais fácil de absorver que existe, porque some sozinho. Knecht custa pouco e ainda entrega ao novo time o direito de escolher se paga 6,4 milhões em 2027-28 ou devolve o jogador ao mercado. Vanderbilt custa três vezes mais que Knecht e, pior para quem compra, entrega essa mesma escolha para o outro lado da mesa.

O que o mercado enxerga quando o jogador é quem decide

Opção do jogador é vantagem de contrato, e ela foi negociada em 18 de setembro de 2023, quando ele assinou a extensão de quatro anos e 48 milhões de dólares. Keith Smith, do Spotrac, detalhou na época que o acordo tinha os aumentos padrão de 8% ao ano e que a última temporada ficaria nas mãos do jogador. Na hora da assinatura, aquilo era um detalhe técnico. Três anos depois, virou o obstáculo.

A comparação que fecha o raciocínio está dentro do próprio elenco. Sandro Mamukelashvili custa 13,0 milhões nesta temporada, praticamente o mesmo que Vanderbilt, e disputa com ele a vaga de ala-pivô titular. Ninguém trata os dois contratos como equivalentes, porque não são: o de um acaba quando o time quiser, e o do outro acaba quando o jogador quiser.

Quem apurou o quê, e quando

A informação de que o time procura um comprador não é nova, e vale saber de quem ela é. Jake Fischer, do Bleacher Report, disse em 9 de setembro, na transmissão do NBA Insider Notebook, que a franquia continuava olhando a possibilidade de negociar Knecht e Vanderbilt, e acrescentou que havia bastante tempo até precisar decidir. Uma semana depois, Jovan Buha, do The Athletic, disse em vídeo que o time vinha tentando negociá-lo fazia um bom tempo e que a situação seguia em aberto.

Nenhum dos dois afirmou que algum time recusou o contrato. Essa é a conclusão que os agregadores americanos colaram em cima do relato, e ela não tem dono. O que existe, com nome e data, é um time que procura saída e um mercado que não responde. A explicação para esse silêncio está na estrutura do acordo, e não em uma recusa registrada.

O que ainda pode acontecer até 20 de outubro

O prazo real não é o Media Day, marcado para 28 de setembro, nem a abertura do training camp no dia seguinte. É a estreia da temporada regular, em 20 de outubro, quando a liga passa a exigir 15 contratos padrão. Até lá, o time pode cortar alguém e engolir o salário, pode juntar dois contratos em um só jogador em uma troca de consolidação, ou pode começar o ano com o problema empurrado para dezembro, quando os assinados na agência livre voltam a poder ser negociados.

Vanderbilt, enquanto isso, treina. Ele nunca foi peça fácil de encaixar ao lado de Luka Doncic, porque não arremessa de fora, e a defesa que o levou a Los Angeles depende de um corpo que passou as duas últimas temporadas parando. A ironia é que o contrato que hoje prende o time a ele é o mesmo que, em 2023, foi comemorado como a prova de que a franquia tinha achado seu defensor de longo prazo. Assinatura boa e assinatura ruim às vezes são o mesmo papel, lido em anos diferentes.