JJ Redick disse que a raiva que o movia como jogador atrapalha o trabalho de treinador. Contou que percebeu isso na segunda metade da temporada passada e que levou o assunto ao preparador de performance nas férias. O recado veio no segundo dia do camp, um dia depois de ele avisar que ninguém tem minuto garantido.
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O que Redick disse no segundo dia
A pergunta era sobre a evolução dele como treinador, agora que entra na terceira temporada no cargo. Redick não falou de esquema nem de rotação. Falou de temperamento, e de uma descoberta que, pelo relato dele, não foi confortável.
“Tive uma grande revelação na segunda metade da temporada passada, e conversei sobre isso com o meu preparador de performance nas férias. Algumas coisas que me ajudaram como jogador me atrapalham como técnico. Principalmente com o time do ano passado, senti que a calma funcionava melhor. Quando eu jogava, jogava com uma raiva interna que alimentava a minha competitividade. Como técnico, isso nem sempre é bom, principalmente agora.”
JJ Redick, técnico do Lakers, depois do treino de quarta-feira
A fala foi registrada por Edwin Garcia, da newsletter Courtside, e por Connor Moreno, do Silver Screen and Roll, que estavam no centro de treinamento. O “principalmente agora” do fim não veio explicado, mas o contexto ajuda: o elenco de 2026-27 tem nove caras novas, e quase ninguém ali passou por uma temporada inteira com ele.
Na mesma resposta, Redick fez uma confissão ainda mais rara. “Provavelmente eu não deveria admitir isso, mas, no começo da minha carreira de técnico, parecia que eu estava fantasiado. Era como se eu estivesse fingindo ser técnico”, disse. “Com mais repetição, você fica mais à vontade. Não acho que a confiança tenha faltado em algum momento, e você também sabe o que quer.”
A conversa começou um ano atrás
Não é a primeira vez que Redick fala do próprio pavio. Em outubro de 2025, antes da estreia na pré-temporada, ele já tinha contado que passou as férias trabalhando com o mesmo preparador, escrevendo diário e revendo o próprio comportamento. Lembrou até uma reunião da pré-temporada de 2024 em que perdeu o controle diante do grupo. A conclusão, na época, foi que ele precisava aprender a ligar e desligar a intensidade, porque, nas palavras dele, “nem todo mundo é feito como o Kobe”.
A temporada de 2025-26 testou a promessa. No Natal, depois de uma derrota feia para o Rockets, Redick criticou o time em público e falou em “recalibrar” o grupo. Foi depois dessa fase que veio a tal revelação. O que ele descreve agora é o passo seguinte: não só controlar a explosão, mas entender que o jeito calmo rende mais com os jogadores que tem nas mãos.
O técnico que jogava com raiva
A insegurança do começo não apareceu no resultado. Redick levou o Lakers a mais de 50 vitórias nas duas primeiras temporadas, algo que a franquia não via desde os dois primeiros anos de Pat Riley no cargo. Reaves, perguntado sobre o técnico no mesmo dia, resumiu: “Ele se importa mais do que qualquer um no ginásio. É um bom líder desde o primeiro dia”.
Quem viu Redick jogar reconhece o personagem. Ele passou 15 temporadas na NBA como arremessador que compensava a falta de físico com uma competitividade que beirava a implicância, correndo sem bola até cansar o marcador. Era isso que o mantinha em quadra. O problema, como ele mesmo admite, é que essa energia não se transfere bem para quem precisa convencer 15 jogadores diferentes, cada um com seu jeito.
Isso não quer dizer que o técnico amoleceu. No primeiro dia de camp, o mesmo Redick disse que o Lakers é uma meritocracia e que quem afirmar o contrário está falando bobagem, em termos bem menos educados. A exigência continua. O que ele diz estar mudando é o tom com que cobra.
Por que isso pesa em 2026-27
O time que ele recebe é outro. Sem LeBron, o vestiário gira em torno de Doncic e de Austin Reaves, com Walker Kessler chegando para ser o terceiro pilar e um grupo grande de alas jovens brigando por minutos. É um elenco que precisa ser construído, e não administrado, e para isso a paciência vale mais do que o grito.
A pré-temporada começa em 5 de outubro, contra o Kings, e aí vai dar para ver na beira da quadra se a mudança é de discurso ou de prática. Redick já mostrou que sabe se olhar no espelho em público. O teste agora é fazer isso quando o Lakers perder três seguidas em novembro.