JJ Redick saiu de Salt Lake City falando menos dos 52 pontos de Luka Doncic e mais do primeiro quarto, quando o Lakers levou 47 pontos e chegou a perder por 18. Para o treinador, a reação do time virou um ponto de referência, algo que um elenco cheio de jogadores novos ainda precisava construir.
O primeiro quarto que Redick não quer repetir
O começo foi o pior momento do Lakers na temporada. O Jazz atacou sem resistência, com Lauri Markkanen e Keyonte George encontrando espaço, e fez 47 pontos em 12 minutos. Nos dois primeiros jogos, nenhum adversário tinha passado dos 37 em um quarto. Redick não escondeu o incômodo na entrevista depois do jogo.
Segundo o The Athletic, ele disse que o time não estava pronto para jogar e que não fez nada do que tinha sido combinado antes da partida. A crítica veio mesmo depois da vitória, o que mostra o tamanho da preocupação.
A resposta que virou lição
O segundo quarto foi o oposto. O Lakers fez 45 pontos, o melhor período do time na temporada, e sofreu só 24. Doncic fechou o primeiro tempo com uma sequência de cesta com falta, roubo de bola e arremesso com passo para trás nos últimos 33,8 segundos, e o time foi para o vestiário na frente, por 74 a 71.
Foi essa reação que Redick destacou. Para ele, um elenco que mudou tanto no verão precisa de experiências compartilhadas para saber como reagir quando o jogo aperta.
“Por causa de todos os rostos novos, você precisa construir pontos de referência. E, se tivéssemos reagido ou não à adversidade daquele primeiro quarto, sem estar prontos para jogar e sem fazer nada do que conversamos antes do jogo, aquilo ainda seria um ponto de referência. Como voltamos e vencemos, agora ele vira um ponto de referência positivo.”
JJ Redick, ao The Athletic
Por que isso importa para este Lakers
O Lakers de 2026-27 tem pouca história junta. Walker Kessler, Collin Sexton, Ziaire Williams, Matisse Thybulle e Quentin Grimes chegaram no verão, e o time perdeu LeBron James e Rui Hachimura. Nos dois primeiros jogos, em casa, o Lakers controlou o placar quase o tempo todo. Em Utah, pela primeira vez, precisou correr atrás.
Austin Reaves, que ganhou de Redick o apelido de senhor regularidade, disse algo parecido depois do jogo: o time entende os papéis e não tem ego. A virada em um ginásio hostil, contra um time que chegou a abrir 18, é o tipo de noite que transforma essa ideia em confiança.
A fala também diz muito sobre o próprio Redick. Em seu terceiro ano no comando do Lakers, ele já levou o time a 53 vitórias na temporada passada, mas agora trabalha com um grupo quase todo novo em volta de Doncic e Reaves. Em vez de celebrar a virada, preferiu usar a noite para ensinar. É um técnico que transforma cada jogo em material de treino, e o começo invicto dá a ele margem para cobrar sem pressão de resultado.
O que ainda precisa melhorar
A vitória não apagou os problemas. O Jazz pegou 51 rebotes contra 30 e fez 58 pontos no garrafão, quase o dobro dos 30 do Lakers. A defesa do primeiro quarto, que Redick criticou, foi justamente a de proteção da área pintada. São números que vão pesar contra adversários mais fortes.
O lado bom é que o time cuidou da bola como não tinha feito antes. Foram só 10 erros, contra 18 e 21 nos dois primeiros jogos, e Doncic, cobrado pelos 11 erros do clássico, perdeu apenas 4 bolas.
O próximo teste é contra o Blazers, na Crypto Arena, à 0h de quarta, com transmissão do Prime Video. Depois, o Lakers encara o Clippers no Intuit Dome no dia seguinte. Se o primeiro quarto em Utah virou mesmo lição, a semana de três jogos em cinco dias vai mostrar.