O Lakers venceu o Jazz por 132 a 123 com 52 pontos de Luka Doncic, mas o jogo em Salt Lake City deixou um alerta que vem desde a estreia. O time levou 51 rebotes contra 30, cedeu 19 rebotes de ataque e sofreu 58 pontos no garrafão. Contra adversários mais fortes, a conta pode não fechar.
O que aconteceu em Utah
O Jazz atacou a tabela o jogo inteiro. Ace Bailey pegou 12 rebotes, 6 deles no ataque, e Keyonte George somou 9. Cada arremesso errado do time da casa virava uma segunda chance, e foram 19 rebotes ofensivos, contra só 4 do Lakers. Na prática, o Jazz teve 15 posses de bola a mais apenas por causa disso.
O garrafão contou a mesma história. O Jazz fez 58 pontos perto da cesta, quase o dobro dos 30 do Lakers. Walker Kessler, que admitiu ter deixado a emoção tomar conta na volta ao ex-time, ficou 28 minutos em quadra, com 7 rebotes e 4 faltas. Sem o pivô no nível dos primeiros jogos, a defesa perto do aro sofreu.
Um problema que já vinha aparecendo
A noite de Utah foi a mais extrema, mas não a primeira. Nos dois jogos em casa, o Lakers ganhou a briga total de rebotes, e os adversários pegaram mais rebotes de ataque nas duas partidas. Somados os três jogos, os rivais têm 45 rebotes ofensivos, contra 22 do Lakers.
A média geral também caiu. O Lakers pega 36,7 rebotes por jogo, contra 41 na temporada passada. Parte da explicação está no elenco: o time perdeu LeBron James e Rui Hachimura, e os alas titulares, Ziaire Williams e Matisse Thybulle, são jogadores de perímetro, que pegaram juntos 3 rebotes em Utah.
No rebote de ataque, a queda é ainda mais clara. Em 2025-26, o Lakers pegou 9,4 rebotes ofensivos por jogo. Agora, são 7,3. Já os adversários pegam 15 por partida, mais do que o dobro do que o Lakers consegue. É a estatística que mais destoa de um time que, no resto, tem sido dominante: o Lakers vence por 13 pontos de média, marca 128 pontos por jogo e acerta mais de 42% das bolas de três na temporada, com 45 acertos em 107 tentativas nos três jogos.
Kessler, sozinho, não resolve. Ele pega 8 rebotes por jogo, a melhor média do elenco, mas os outros titulares contribuem pouco nas tabelas. Doncic tem 7,3, e Austin Reaves, 2,3. Sem uma presença física na ala, o time depende demais do pivô para fechar a defesa.
Por que o Lakers ainda vence
A compensação vem do ataque e do cuidado com a bola. O Lakers acertou 43% das bolas de três em Utah, contra 29% do Jazz, e cometeu só 10 erros, contra 17. Foi assim que transformou um jogo perdido nas tabelas em vitória por 9 pontos. A eficiência que explica o começo invicto segue de pé.
O problema é que essa fórmula depende de noites de mira calibrada. Quando as bolas de três não caírem, um time que entrega 15 posses a mais para o adversário fica exposto. É o tipo de detalhe que JJ Redick já cobrou depois do primeiro quarto de domingo.
O que pode mudar
As soluções passam por dentro do elenco. Kevon Looney, especialista em rebote de ataque, jogou só 5 minutos em Utah e pode ganhar espaço. Sandro Mamukelashvili é outra opção para dividir o garrafão com Kessler. E o próprio Lakers segue atento ao mercado atrás de um pivô reserva.
A semana que começa agora vai testar o assunto. O Blazers vem à Crypto Arena na madrugada de terça para quarta, à 0h, com transmissão do Prime Video, e o Clippers recebe o Lakers no Intuit Dome no dia seguinte. Contra o Clippers, no clássico de sexta, o rebote já tinha ficado quase empatado. Se a briga nas tabelas não melhorar, a invencibilidade vai depender ainda mais de Doncic.