Luka Doncic disse que se considera o chefe do grupo no Lakers desde que chegou, em fevereiro de 2025, e que assumiu o posto sem esperar convite. Falou ao The Players’ Tribune, e a frase muda o jeito de ler a saída de LeBron James: a voz do vestiário já tinha trocado de dono antes.

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Resumo rápido
Fevereiro
De 2025, quando Doncic chegou. É de lá que ele conta a própria liderança.
Julho
Quando LeBron assinou com o Sixers, um ano e meio depois disso.
5 temporadas
O tempo de casa de Austin Reaves, agora o mais antigo do elenco.
Do bolso
Como Doncic pagou a viagem do elenco à Eslovênia, em agosto.

LeBron saiu em julho, e Doncic diz que já mandava antes

A leitura fácil da offseason do Lakers era a de um trono vago. LeBron James foi embora em julho, assinou com o Philadelphia 76ers e deixou oito temporadas de comando para trás. Alguém teria que ocupar o lugar. Doncic diz que não foi assim.

“Eu sinto que sou o líder desde que cheguei aqui. Achei que faltava alguém no time para assumir, e eu sabia que a responsabilidade era minha.”

Luka Doncic, armador do Lakers, ao The Players’ Tribune

Dito por outro jogador, isso soaria como recado atravessado para quem saiu. Dito por ele, é quase administrativo. Doncic chegou em fevereiro de 2025 e passou uma temporada e meia dividindo o vestiário com o maior nome da história recente da franquia. A frase não desfaz esse período, só diz o que ele achava que estava fazendo enquanto durou.

Quem chegou agora repete a mesma coisa

A parte mais difícil de provar em qualquer conversa sobre liderança é o outro lado. Alguém precisa confirmar. E quem confirmou foi Collin Sexton, que assinou em julho e nunca tinha dividido vestiário com Doncic.

Sexton falou à ESPN Los Angeles sobre a viagem que o elenco fez à Eslovênia em agosto e foi direto ao ponto: “Para o Luka fazer aquilo, mostra um líder de verdade. Dá para ver que é o papel que ele quer assumir nesta temporada, ser o cara que lidera a gente”. Sobre o que a viagem era de fato, ele resumiu assim: “Foi mais uma construção de grupo para a gente. Foi para a gente se entrosar e treinar”.

A viagem que ele bancou do próprio bolso

O minicamp na Eslovênia foi o gesto que deu lastro à frase. Doncic chamou o elenco para o país onde cresceu, pagou o voo, a hospedagem e a comida de todo mundo, e montou uma semana de treino com remo, academia e convivência. Nenhum jogador do Lakers tinha jogado com ele antes daquele grupo se formar.

Custa caro e não aparece na súmula. É exatamente o tipo de coisa que separa o jogador que lidera pelo desempenho do jogador que lidera pela função. A ESPN dedicou um programa inteiro a uma pergunta só, se aquele gesto provava que ele estava pronto para liderar, e o debate durou mais que a viagem.

Tem ainda a figura que quase nunca entra nessa conversa: JJ Redick. Técnico não substitui liderança de jogador, mas é ele quem decide quem tem razão quando dois jogadores importantes discordam no intervalo. Redick chegou em 2024 com LeBron ainda em quadra, e nunca precisou arbitrar nada parecido. Esta vai ser a primeira temporada em que o elenco é inteiramente montado em volta de quem ele treina, e não de quem já era dono do time quando ele chegou.

Reaves é a outra voz, e é a mais antiga

Austin Reaves está no Lakers desde 2021-22. Com a saída de LeBron, ele virou o jogador com mais tempo de casa do elenco, cinco temporadas contra quatro de Jarred Vanderbilt e duas de Dalton Knecht e Bronny James. Ninguém mais no grupo viu tanta coisa acontecer ali dentro.

É uma combinação incomum. O jogador que fala pelo grupo por peso e o jogador que fala por antiguidade são pessoas diferentes, e as duas continuam em quadra ao mesmo tempo. Funciona bem quando os dois querem a mesma coisa. Fica confuso na primeira sequência de derrotas, que é quando vestiário costuma pedir uma voz só.

O que muda de verdade em outubro

Liderança em basquete não se anuncia, aparece em detalhe pequeno. Quem chama a jogada quando o pedido de tempo acaba. Quem cobra o companheiro que não voltou a tempo na defesa. Quem fala com a imprensa depois da derrota feia, no lugar de sumir. LeBron fazia as três coisas havia oito temporadas, e isso agora está vago de fato.

Doncic nunca precisou fazer nada disso em Los Angeles porque sempre teve alguém fazendo. Em Dallas, ele tinha Kyrie Irving ao lado e um grupo montado em volta dele desde o começo. É a primeira vez que ele começa uma temporada como o mais velho na hierarquia do próprio vestiário, mesmo tendo 27 anos.

A conta se acerta na primeira sequência ruim

Time que ganha não discute quem manda. O Lakers vai abrir a temporada em outubro com o assunto resolvido no papel e não testado em quadra. A resposta não sai da coletiva de apresentação, sai da terceira derrota seguida em novembro, quando alguém tem que levantar a voz no intervalo e o resto do grupo decide se escuta.