Luka Doncic fez 41 pontos e venceu Ja Morant nos números, mas foi Morant quem decidiu o duelo. Com dois arremessos seguidos no último minuto e meio, o armador do Blazers abriu a vantagem que ele e Lillard seguraram até a vitória por 136 a 129.
Dois calouros do ano, um contra o outro
O duelo carrega história. Doncic foi a terceira escolha do draft de 2018 e o calouro do ano em 2019. Morant saiu como segunda escolha um ano depois e levou o mesmo prêmio em 2020. Por anos, os dois foram as caras de Mavericks e Grizzlies na briga do Oeste. Agora, Doncic veste roxo e dourado, e Morant chegou a Portland para dividir a armação com Damian Lillard, depois de uma temporada inteira sem jogar.
Os papéis, porém, já não são os mesmos. Doncic segue com a bola nas mãos quase o jogo todo. Morant virou um armador que joga longe dela boa parte do tempo, e foi ele mesmo quem fez a comparação depois do jogo.
“Quando você tem a bola o tempo todo, como no Lakers o Luka e o AR, você tem um ritmo natural. Sem a bola é diferente. É mais difícil achar um grande ritmo.”
Ja Morant, armador do Blazers, na entrevista após a vitória
O volume de Doncic
Doncic jogou como quem carrega o time. Fez 16 pontos no primeiro quarto e 24 até o intervalo. Terminou com 41, 12 de 22 nos arremessos de quadra, 6 de 15 nas bolas de três e 11 de 13 nos lances livres, além de 9 assistências e só 2 erros. Foi o segundo jogo seguido acima dos 40, depois dos 52 contra o Jazz, em Utah.
A agência AP destacou ainda uma defesa “visivelmente mais empenhada” do esloveno, que passou parte da noite marcando Lillard. O problema esteve no meio do último quarto. Com Doncic no banco, o Lakers fez só 3 pontos nos quatro primeiros minutos, e o Blazers abriu oito. Quando ele voltou, o time reagiu e passou à frente, mas a vantagem não durou.
A eficiência de Morant
Morant fez o caminho inverso. Teve 10 pontos no primeiro quarto e depois quase sumiu do placar, com 5 no segundo e 4 no terceiro. Arremessou só 13 vezes, acertou 9, não perdeu bolas de três nem lances livres e cometeu um único erro de posse. Em aproveitamento real, a conta que junta arremessos de quadra e lances livres, ficou perto de 78%, contra cerca de 74% de Doncic.
O técnico Micah Nori explicou o que viu. “Ele chegou aos lugares dele e, quando chegou, foi muito paciente. Estamos tendo a melhor versão do Ja Morant”, disse. O próprio Morant reclamou de ser medido só pelos pontos: “Muita gente acha que eu tenho que fazer 25 ou 30 toda vez, e eu sou, na verdade, um armador”.
O minuto e meio que decidiu
O jogo virou nos detalhes. Com o Blazers vencendo por 128 a 127, Morant atacou Austin Reaves, passou por Walker Kessler e acertou um arremesso flutuante a 2min01 do fim. Na posse seguinte, a 1min24, girou sobre o marcador e fez mais dois: 132 a 127. Doncic respondeu com um arremesso de média distância a 1min06, mas Lillard matou o jogo com uma bola de três a 43 segundos.
Nori admitiu que o medo era o esloveno. “Eu só pensava: tomara que o Luka não arremesse mais uma, porque parecia que ia entrar”, disse. Doncic teve mais pontos, mais assistências e mais volume. Morant teve as duas bolas que importaram. A revanche demora pouco: os dois times voltam a se enfrentar em Los Angeles à 0h de 7 de novembro, horário de Brasília, e o Lakers já sabe o que não pode deixar acontecer no fim.