Luka Doncic escreveu uma carta aos torcedores no Los Angeles Times e, segundo o Lakers Nation, pagou o estacionamento de um grupo deles na estreia da temporada. Os gestos fazem parte de um esforço que vem desde a chegada, em 2025, para transformar o astro trocado pelo Mavericks em ídolo da torcida do Lakers.
O que Doncic disse
Sobre os gestos, Doncic explicou que o objetivo era retribuir o esforço de quem acompanha o time de perto. O raciocínio foi simples, e diz muito sobre como ele enxerga o papel de rosto da franquia.
“Queremos o apoio dos torcedores. Eu sei que eles trabalham duro para chegar aos jogos, para chegar à arena. Então é só uma forma de dar as boas-vindas a eles na nova temporada, e de mostrar que a gente realmente valoriza o apoio deles.”
Luka Doncic, antes da estreia
E completou com uma frase que qualquer torcedor do Lakers gosta de ouvir: “Obviamente, o Lakers é uma das maiores organizações do mundo, se não for a maior”.
A carta e a promessa
O gesto mais visível foi a carta. No dia da estreia, Doncic comprou uma página inteira do Los Angeles Times para falar com a torcida. Prometeu dar tudo em todas as noites, “sem desculpas, sem noites de folga”, e falou em começar ali a corrida pelo título. Terminou pedindo que a Crypto Arena estivesse cheia.
Dias antes, numa entrevista ao California Post, ele já tinha dito que espera terminar a carreira no Lakers, e que ter ido parar no time de Kobe Bryant “era para ser”. Para um jogador que achava que passaria a vida inteira em Dallas, a mudança de discurso é grande.
Uma relação construída desde a troca
O começo foi difícil. Na apresentação em Los Angeles, em fevereiro de 2025, Doncic admitiu que não entendia por que o Mavericks tinha decidido trocá-lo. “Eles tomaram uma decisão. Eu não sei por quê”, disse na época, e contou que o primeiro dia tinha sido muito duro. Meses depois, numa entrevista ao Wall Street Journal, confessou que não sabia como reagir, como agir nem o que dizer. Foi a partir desse choque que ele começou a construir a relação com a nova cidade, aos poucos, gesto por gesto.
A conexão não começou nesta semana. Quando chegou, em fevereiro de 2025, Doncic foi recebido na Crypto Arena com camisetas do número 77 distribuídas na arquibancada, e saiu da primeira partida dizendo que a recepção tinha sido incrível. Desde então, virou rotina vê-lo parar para dar autógrafos, em casa e fora dela, a ponto de Mychal Thompson, ex-jogador do Lakers e narrador do time no rádio, elogiar a atitude publicamente mais de uma vez.
Em agosto, antes da pré-temporada, ele levou os companheiros para conhecer Ljubljana, a capital da Eslovênia, com direito a passeio de barco pela cidade. Foi lá que Austin Reaves, numa sessão de autógrafos para torcedores eslovenos, assinou o braço do companheiro.
A resposta veio em quadra
Na estreia, a torcida recebeu o que a carta prometia. Doncic fez 28 pontos, 8 rebotes e 7 assistências em 30 minutos, acertou uma bola do meio da quadra no estouro do primeiro tempo e saiu de quadra no fim do terceiro quarto, com o Lakers vencendo o Warriors por 35 pontos. Foi a primeira noite de uma temporada em que, sem LeBron James, o time é inteiramente dele. Para um Lakers que não ganha o título desde 2020, ter o maior astro do elenco abraçando a cidade desse jeito também é estratégia: arena cheia empurra, e Doncic sabe disso.
Nesta sexta, às 23h, a Crypto Arena volta a lotar para o clássico contra o Clippers, o primeiro de dois em menos de uma semana. Para Doncic, é mais uma chance de cumprir o que escreveu no jornal. Para a torcida, é mais uma noite para retribuir o carinho de quem, um ano e oito meses depois de chegar assustado, já fala de Los Angeles como casa.